Tuesday, September 30, 2008

vingança da natureza?




eu confesso que sou obcecado pela relação entre água e arquitetura

mas a imagem acima merece ser difundida.
trata-se da famosa casa Farnsworth de Mies que foi inundada pela primeira vez em 1956 e depois em 1996. No ultimo dia 14 de setembro, apenas 12 anos depois da última cheia, caiu outra “chuva de 100 anos” e a casa sofreu sua pior inundação, com a água chegando a 40cm acima do piso principal (130cm acima do terreno natural).

ano passado Jonathan Hill (Bartlett) esteve aqui e sua palestra foi toda sobre a relação entre a arquitetura e os elementos (chuva, gelo, calor, vento) tendo a imagem da casa Farnsworth inundada em 96 como foco principal da esquizofrênica relação entre o modernismo e a natureza circundante.


agora a própria fundação Farnsworth que administra a casa criou um blog para que possamos todos acompanhar o processo de limpeza e restauração.


e tem gente que ainda resiste a idéia de que o aquecimento global terá um impacto significativo na forma como fazemos arquitetura. Pode perguntar pra quem teve seus vidros e telhas quebrados em Belo Horizonte na pior chuva de granizo da história que coincidiu com a inundação da Farnsworth aqui em Illinois.

39 comments:

Annima said...

E o que era inabitável, ficou mais ainda...

carlos said...

hahahah ahahahah
ah, annima! eu adoro a casa farnsworth. Se eu tivesse um terreno com nada em volta construía uma igual! ;-)
bem, eu entendo a terra como um organismo vivo com seus sistemas (dos quais nós fazemos parte)todos interdependentes. e é provável que o planeta reaja às violências que vem sofrendo. é o princípio da ação e reação...

Annima said...

Carlos, eu também gosto, vejo beleza nessa obra. Quem não vê, aliás?

Mas, não é uma casa, é um conceito. Não conseguiria morar numa cristaleira minimalista,é muito impessoal para mim. Lo siento!

Annima said...

Quanto ao aquecimento global, Carlos...

Bem, enquanto arquitetos como Souto de Moura continuarem a pensar que o projeto de arquitetura não deve incorporar novas soluções - além de um projeto bem resolvido e implantado, com as básicas e passivas soluções relacionadas ao conforto ambiental - estaremos todos ferrados e afogados.

Alberto said...

Not that fast, annima. Just not that fast.

Mas onde ce viu isso do souto de moura?

luciano l. basso said...

Fernando, essas fotos do plus arquitectura estão mais chocantes...

http://www.plusarquitectura.info/2008-09/casa-farnsworth-pies-agua

Dona Edith, seja lá onde ela estiver, deve estar dizendo "eu disse que não dava para viver ali"...

Annima, é a esta entrevista do Souto de Moura que tu te referes?

http://www.elpais.com/articulo/arte/buena/arquitectura/lleva/implicito/ser/sostenible/elpepuculbab/20070630elpbabart_9/Tes

Fernando L Lara said...

Annima,

eu tambem achei muito infeliz a entrevista do Souto de Moura. E pior, tem muita gente se escondendo atras dela pra nao mudar em nada a forma de projetar e construir. Mas eu acho que a mudança vem a cavalo, não é uma questão de SE mas de QUANDO.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

As pessoas não querem mudar nada porque?

Estava lendo essas Você S/A e Exame da vida. Um executivo do setor hoteleiro disse que nunca foi tão fácil eliminar candidatos, tendo em vista a apatia, a inércia e a falta de rigor e seriedade que os candidatos apresentam.

Parece que as pessoas estão com tanta preguiça de fazer inclusive o "feijão com arroz", que até a lei do menor esforço é difícil de cumprir.

Será que o mundo e o Brasil tá cercado de gente assim?!?!?! Pelo menos elas se fazem de maioria.

Alberto said...

Olha, Marcão. Estamos contratando. Faço minhas as palavras do cara. Creepy.

Alberto said...

By the way, achei a entrevista do Souto de Moura. Mais que isso, eu disse literalmente a mesma coisa quando fui entrevistado na matéria sobre um projeto nosso que saiu na edição sustentável da Proejto. é a ultima linha da matéria. Vejam no link.

Desculpem me se não me deslumbro com o secundário, por mais interessante que seja.

Annima said...

Um dia, Alberto, soluções como captação e aproveitamento da água de chuva, reuso de água, sistemas alternativos de geração de energia e de aquecimento solar serão uma realidade nos edifícios.

E é importante saber que o projeto, na fase de concepção, pode favorecer a colocação destes sistemas ou não. O cliente pode não ter condições de bancar todos estes recursos, mas o arquiteto deve aprender a pensar o edifício pode de forma a facilitar futuras instalações.

Existe uma grande diferença entre ser responsável e ser "ecochato", Alberto.

Marcus said...

Para alimentar a discussão, uma interessante entrevista do Glenn Murcutt no "La Nación".

http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota_id=1041299

carlos said...

annima disse tudo.

Ricardo Rossin said...

Nossa, que engraçado, e eu que fui no seminário descontinuidade e vi a palestra do Souto de Moura e me pareceu ao contrário do que vocês estão falando!! Bom, não li a entrevista dele, e quem tiver poderia deixar o link aqui, ou me dizer onde está, pois quero saber o que foi dito!

Alberto said...

Ele não disse nada demais, Ricardo.
Disse que toda boa arquitetura já comtempla a questão de sutentabilidade, como as inúmeras soluções de consumo de agua e energia.

Mas apontou que isso dificilmente é uma questão de arquitetura, uma vez que o que importa é se esse reuso de agua, na ponta do lapis é mais economico, no sentido ecologico do termo, do que não fazê-lo. Gastar energia para um sistema complexo de reuso muitas vezes é só uma questão de marketing, pois "gasta mais o planeta" no fim da conta do que não fazer

E quem é o arauto desse marketing hoje? A arquitetura.

Então, o que foi dito é que por hora, questões de sustentabilidade podem ser comtempladas nos projetos, mas não podem norteá-los. Porque:

-nem sempra a conta fecha

-não existe uma linguagem arquitetonica derivada desses sistemas ( lembrando que as soluções de conforto como brises já são antigas,nasceram junto com o modernismo)

- porque amanhã quando surgir um novo sistema mais simples e eficiente, sobrará centenas de trambolhos micados, como pro exemplo, no caso da infra de informática, surgiu o piso elevado e as calhas de fiação embutidas nas lajes viraram piada.

Arquitetos que se pautam por sustentabilidade tentam esconder que não tem nada a dizer sobre a arquitetura. Existem muitos peritos competentes pra cuidar dos sistemas de um um prédio.

Mas SÓ O ARQUITETO é responsável por cuidar da arquitetura

Marcelo Palhares Santiago said...

Boa explanação alberto, concordo com sua visão sobre o texto do Souto de Moura.

Já havia comentado esta entrevista no meu blog (http://arqsite.blogspot.com/2007/12/entrevista-eduardo-souto-de-moura.html). La tem a entrevista em português.

Alberto, alguns posts acima você indicou um link mas ele não funcionou...

Alberto said...

oi marcelo, é:
http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/arquitetura802.asp

Fernando L Lara said...

Alberto,

pra saber se a conta fecha eh preciso saber calcular energia imputada no processo e energia gasta no uso. quem sabe fazer isso hoje? Quem esta preparando os arquitetos para isso no futuro?

eu sonho com um aplicativo rodando dentro do CAD ou do software de 3D que calculasse gasto energetico logo nos primeiros modelinhos e recalculasse se voce mudar um pouco a orientacao ou aumentar o beiral.

mas enquanto isso nao chega ha de se prestar atencao e permitir que essas preocupacoes entrem dentro do processo de desenho. Resistir a tudo como o Souto de Moura fez eh pra mim jogar o bebe fora junto com a agua do banho.

ou fazemos isso ou "especialistas em sustentabilidade" vao tirar mais um pedaco do nosso campo de trabalho.

Annima said...

Se "não existe uma linguagem arquitetonica derivada deste sistema", Alberto, os arquitetos estão aí para isso.

Não se esqueça que os "brises do modernismo" já foram inéditos na arquitetura.
Será que é por isso que a arquitetura é uma profissão em crise? Paramos no modernismo? Ele teve sua importância, isso é inegável, mas bola pra frente.

E as coisas evoluem, tanto na informática, quanto na arquitetura, ou seja, as soluções evoluem por causa do uso, da avaliação dos erros e da criação de novas propostas. As coisas não nascem prontas e perfeitas.

Horizontes Arquitetura said...
This comment has been removed by the author.
Marcelo Palhares Santiago said...

Fernando, segue seu tão sonhado software 3d: http://www.iesve.com/content/default.asp?page=s156

Annima said...

Rossin, leia o texto que li no blog do

""Alencastro""

http://blogdoalencastro.blogspot.com/search?q=souto+de+moura

Alberto said...

"A arquitetura, para ser boa, está implícito ser sustentável. Nunca pode haver uma boa arquitetura estúpida. Um edifício em cujo interior as pessoas morrem de calor, por mais elegante que seja, será um fracasso. A preocupação pela sustentabilidade revela mediocridade. Não se pode aplaudir um edifício porque seja sustentável. Seria como aplaudi-lo porque se aguenta."

Então anima, isso é discurso de quem "resiste a tudo"sobre a sustentabilidade, como disse o Fernando, ou a coloca no seu devido lugar?

A linguagem surge, se surgir, com o amadurecimento do conceito. A coisa está mais verde, com o perdão da ironia, do que se diz.

E é como as coisas acontecem.

carlos said...

por esse critério, todos os prédios do international style que precisam de ar condicionado, são medíocres?

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

E em Belo Horizonte que existe uma pá de prédios de vidro? Muitos recentes.

Annima said...

Não me coloca no meu devido lugar, porque reforça o que eu disse, ora.

Desde quando a preocupação com a sustentabilidade revela mediocridade? Ou vc acha que com cientistas fazendo previsões sobre guerras mundiais por água, as coisas vão continuar como estão na arquitetura?

Outra coisa: tente discordar dos outros sem ser agressivo. Consegue?
Vc é do tipo de pessoa que, se não tivesse tido a sorte de frequentar boas escolas, teria sido evangélico.
Outra: Souto de Moura não é Deus.

juliana m. said...

Nima, fofo, vou ser bem delicada com você. Você devia aprender a ler. O alberto falou que coloca a sustentabilidade no seu devido lugar, não vcê ou ninguém.Olha o "a coloca". Ninguém falou que se preocupar com sustentabilidade é medíocre,mas que usar somente uma das milhares de variáveis que precisamos para projetar que é. Se eu sair por aí dizendo qeu resolver planta é arquitetura. Ou que desenhar esquadria é. Eu ia ser tachada de medíocre, não? Tendeu?

Fernando L Lara said...

bom,

o Marcelo acaba de realizar o meu pedido como bom genio que é: já existe o plug-in que calcula energia diretamente do SketchUp. Valeu Marcelão!

entao que tal a gente parar de se atacar e comecar a projetar (que é o que fazemos de melhor) usando o tal plug-in na busca de reduzir ao máximo o uso de energia embutida e energia de uso. Eu espero que todos nós em breve saibamos o número de kWh por metro quadrado do mesmo jeito que sabemos de cor o custo por m2.

Alberto said...

Bom, caso tenha restado alguma dúvida, é isso mesmo que a Juliana falou, até porque a frase perde a sintaxe se for interpretada da forma da Annima; e quem coloca a sustentabilidade no devido lugar é o Souto de Moura, não eu, anyway.

Se ataco alguma coisa, são idéias que considero erradas; mostrem me um ataque pessoal meu a vocês, e pedirei desculpas com todas as cerimônias necessárias.

Se não me mostrarem, por favor retirem a acusação de atacar pessoas; já que vocés raramente contra argumentam, o que escrevo, pelo menos admitam que jogo dentro das regras.

PS: Como "tive a sorte" de frequentar boas escolas -como você sabe?!- sou católico mesmo (o que de passagem elimina a hipótese de eu considerar Souto de Moura Deus)

Annima said...

Sorry, Albert!

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

Alguém já pensou em utilizar a teoria da emergia de ODUM para seber se uma obra é ou não é sustentável?

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

Cara, por causa de um tilt no meu browser só agora li todos os posts.

Se ninguém discordar, não sairemos do lugar. Nem melhoramos nem pioramos.

"Toda nossa educação "superior" é voltada para falar coisas "certas". Você só entra na faculdade se tiver as respostas "certas". Você só passa de ano se estiver "certo". Aqueles com mestrado e Ph.D. acham equivocadamente que foram ungidos pela certeza infalível. Isto porque o nosso sistema de ensino valoriza mais a certeza do que a dúvida. Valoriza mais os arrogantes do que os cientificamente humildes"(KANITZ).

Talvez por isso que todos nós não gostamos muito de sermos questionados ou replicados.

Fosse assim um advogado não teria amigos advogados.

Ninguém detém a verdade, felizmente. Caso contrário, a vida seria bastante aborrecida.

POPPER diz que a ciência é refutada. Caso contrário, não é ciência.

A discordância de ideias é salutar. Desde que polida. Jamais grosseira. Afinal de contas, ninguém aqui é um genocida ou um ditador.

Mas e aí? Voltando ao post anterior. Alguém já ouviu falar em emergia?

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

ALberto,

Alberto,

Bão?

Se você está contratando posiciono-me como canditato. Começo trabalhando voluntariamente.

Algum interessado?

Abraços.

Annima said...

Marcão,

o que é emergia do ODUM? Nunca ouvi falar sobre isso...

E, Alberto, realmente, interpretei errado sua sentença. Peço desculpas por isso. Não tenho religião, mas respeito todos aqueles que acreditam em Deus (apesar de ter uma antipatia pela intolerância dos evangélicos, confesso!)

Agora, voltando:
A arquitetura envolve muitas questões, uma delas, a sustentabilidade. E, este conceito, na minha opinião, não se limita a um edifício bem resolvido. Vai além.
Concordo que, sem um projeto bem resolvido, ou seja, sem arquitetura, a aplicação desses novos recursos não faz sentido.

Mas realmente acredito que está na hora dos arquitetos começarem a pensar em incorporá-los nas edificações.
Era isso que queria dizer.

Fernando L Lara said...

oba, voltamos todos aos argumentos sobre arquitetura e sustentabilidade.

pra mim que dedico 80% do meu tempo ao ensino, o importante é trazer essas novas estratégias (ainda que experimentais) para dentro do atelier. Prometo que vou usar e abusar do plug-in do SketchUp (apesar de não gostar do SketchUp).

e pra dizer a verdade fico muito orgulhoso de que esta discussão está acontecendo aqui no parede.

Ricardo said...

Caramba, preciso para pra ler os comments com calma. E Obrigado pela dica Annima

carlos said...

Também fico feliz em saber que existe essa ferramanta pra calcular a energia embutida e a de uso. Só precisamos saber se está mesmo correta, quais parâmetros considera, etc. etc.

A gente tem de sair da inércia de projetar como sabemos, sim, pra encontrar respostas, pq tem maneiras. Pra vocês terem idéia, uma arquiteta conhecida minha que trabalha na Itália me disse que na europa a orientação do prédio não importa pq eles têm de ter sistema de aquecimento mesmo!!!
Às vezes as soluções está em coisas bem prosaicas, como redesenhar o sifão pro vaso sanitário consumir menos água, uns centímetros a mais de beiral, um sistema de ventilação que realmente funcione, deixar crescer umas trepadeiras pra criar uma pele dupla e pro aí. O Souto de Moura e o Mendes da Rocha, por mais que eu respeite o talendo deles, estão dormindo no ponto. O que a gente sabe e tem até agora não basta.

alberto, você ataca sim as pessoas. você fez uma série de suposições a meu respeito - inclusive a de que eu teria comemorado o 11 de setembro (!). E tudo isso só pq eu penso que a mulher tem direito de interromper a gravidez no primeiro trimestre, veja só.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

Annima,

Emergia segundo Odum (Emergy Evaluation, in "Advances in Energy Studies: Energy Flows in Ecology and Economy"):

"É toda energia necessária para um ecossistema produzir um recurso (energia, material, serviço da natureza, serviço humano).

É utilizado como sinônimo de energia incorporada" ou também de "memória energética"".

O índice de emergia de um sistema pode ser calculado para avaliar a real sustentabilidade deste meio. A ciência econômica não consegue estimar, por exemplo, os recursos energéticos da biosfera. Então é necessário mensurar com abordagens ecológicas e energéticas para que compreenda-se a real economia do planeta.

Então o balanço de emergia é: "A contabilidade ambiental, econômica e social dos sistemas, considerando a energia contida nas diferentes contribuições que o sistema recebe". É assim uma ferramenta utilizada para calcular a eficiência do sistema através da Transformidade. Utiliza desta forma princípios da termodinâmica.

Um colega de mestrado tá trabalhando isso no setor hoteleiro. Segundo ele, emergia é, grosso modo, a medida do impacto ambiental da produção de um produto até seu consumo.

Pelo que entendi, para saber a sustentabilidade de um edifício, por exemplo, calcula-se o impacto da fabricação e utilização de todos os materiais empregados na obra.

Não aprofundei essa questão, portanto não sei se é viável na arquitetura e na engenharia civil. Pensei nisso agora, nos seminários de dissertação.

No Brasil a referência é o Enrique Ortega da UNICAMP e o Mauri Fortes da ECOLATINA.

Geslaine said...

Em relacao ao comentario acima, existe estudos em construcao civil utilizando emergia, um colega de mestrado esta calculando a emergia da obra. Uma outra colega de curso fez o calculo de um predio. Ha outras referencias alem do Ortega e do Mauri, existe tambem o pessoal da UNIP-LAfta que tem desenvolvido grandes trabalhos em emergia.