Thursday, September 4, 2008

e a história se repete como farsa

num primeiro momento eu até achei que a indicação de Sarah Palin para vice-presidente na chapa republicana era um sinal de que as história estava andando para frente apesar do caminho tortuoso.

ontem o discurso dela na tal convenção acabou com qualquer fantasia de que pode haver evolução ou mesmo maturação na direita norte-americana.

a mulher é uma piada de mau gosto que faz George Bush II, o bronco, parecer um intelectual refinado. Nas palavras do meu amigo Dan Silverman, quando Bush fazia pose de sujeito normal com quem você tomaria uma cerveja era mentira eleitoreira pois ele é filho de ex-presidente e tem diploma de Yale.

quando Sarah Palin diz ser uma hockey-mom que governa o Alaska e pretende governar os EUA como governa seus cinco filhos é verdade!


incrível mas para continuar enganando a metade ignorante dos norte-americanos em cima de discursos anti-aborto, anti-gay e anti-imigração a elite republicana pretende eleger para o cargo de vice-presidente uma pessoa cuja maior “qualificação” é ser uma boa mãe de família que levou estes valores para a prefeitura de sua cidadezinha de 9.000 habitantes e depois virou governadora de um estado de 600.000 habitantes (pouco maior que Juiz de Fora ou pouco menor que Uberlândia)!

pobre Marx, se ele soubesse quantas vezes a história ia se repetir como farsa!

postscript na sexta dia 5 de setembro: o texto de hoje do Paul Krugman no New York Times explica melhor tudo isso:

45 comments:

Henrique Gonçalves said...

huaehuauehuea
Boa comparação com Juiz de Fora (minha cidade), até porque de prefeito aqui não temos tido muita sorte!
E isso porque é uma cidade com menos habitantes que o Alasca!

Alberto said...

Vamos fazer uma comparação mais apropriada.

Bil Clinton tinha como credenciais antes de ser eleito, governar Arkansas, 37o PIB entre os estados.
O Alaska, caros, acontece de ser a TRIGÉSIMA SEGUNDA economia entre os estados (e já desde então).

Mas bons tempos, em que os democratas colocavam políticos na cédula. Mr. Flip-Flop não é candidato não a vice, mas a presidente, tendo como maior experiencia a administração de... uma ONG. Um prodigio.

Agora, ser anti-aborto não faz de ninguém um fundamentalista. O nosso humanismo agnóstico já dá e sobra pra (desde aristóteles!) pra demonstrar que é um nome covarde e oportunista pra assassinato.

Ser anti-imigração ilegal, bem, o próprio nome já dá a dica, é nada mais que seguir a lei, o que cabe se fazer em um Estado de Direito.

Quanto a ser anti-gay, sei '~ao, mas o chamado Log Cabin Republicans - que não apoiou Bush em 2004 - declarou apoio a McCain. How anti-gay can she be?

Desculpe empurrar o debate pra frente assim, mas é que o que tenho visto vai frontalmente contra alguns conceitos que você tem sobre ela, e a candidatura McCain. De resto, pergunto: além de ser democrata, quais são as qualidades, as propostas (sic) que vocé admira no Mr. Flip-Flop?

Fernando L Lara said...
This comment has been removed by the author.
Fernando L Lara said...

Peraí Alberto, o direito de interromper uma gravidez indesejada no primeiro trimestre é aceito na maioria dos países ditos "civilizados" e nem o Papa usa o termo assasinato. Alem disso, é um direito apenas, quem for contra que não o exerça. Pergunte as mulheres bem educadas que o rodeiam o que elas acham disso.

Alberto said...

O que o Papa acha é problema dele, e dos católicos, nesse caso. Mas não falo como católico. Falo como alguém que pertence justamente ao mundo civilizado.

O feto é o que? Seria ele um alien? Um outro animal? Um vegetal talvez? Me parece que a única categoria possível em que ele se encaixa é ser humano. Diante desse substantivo, tod o resto é adjetivo: não nascido, não consciente, não planejado, pick your favorite.

Mas não sufoquemos a realidade com sofismos: se trata da interrupção premeditada DE UMA VIDA HUMANA, o que, em qualquer dicionário, civilizado ou não, é assassinato.
Assim como a eutanásia também é.

Aceito discutir os direitos do suicidas, parricidas e abortistas assim que eles tiverem a dignidade de admitir que pleitam legalizar uma categoria de assassinato.

Aí então, gastarei meu latim demonstrando que isso é uma forma disfarçada de eugenia, de reificação da raça humana e de como isso abrirá as portas para extermínos maiores no futuro.

Até lá, espero que as mulheres e homens educados parem para estudar um pouco de filosofia moral, pelo menso para saber como chegamos vivos até aqui.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

Vamos falar de assuntos menos polêmicos, como futebol, por exemplo.

Brincadeiras a parte, debate altaneiro esse que o Fernando proporcionou e o Alberto acrescentou.

São questões que devem ser discutidas sempre, pois o consenso é importante mas está longe de ser alcançado.

Penso que o Brasil - por incrível que pareça - é um dos países que está mais próximo desse consenso nessa questão. Pois a legislação vislumbra os aspectos psicológicos (ex.: é complicado para a mulher gerar um feto durante 9 meses fruto de um estupro), sociais (ex.: o que acontecerá com o nascituro fruto de estupro?), econômicos (ex.: como será financiada a cirurgia). Mas mesmo assim ainda é controverso.

Concordo que experiência pode até ser importante, mas não é fundamental. Se pararmos para pensar, encontraremos "n" exemplos disso, na política e no privado. Inclusive exemplos bem próximos de nós.

E viva a democracia!

carlos said...

eu vou ter de falar. desculpe, alberto, mas dizer que aborto é assassinato não dá! péraí! o feto é um ser em formação (frise bem aí o em formação) dentro de um organismo completo e cuja existência e saúde devem ser privilegiados. Claro q aborto não deve ser usado como anticoncepcional (até pq já se concebeu) ou feito levianamente. Aliás, todas as mulheres que eu conheço que precisaram abortar guardam traumas da experiência. Ninguém vai abortar dando pulinhos de alegria. É uma decisão difícil.
Mas a mulher tem de ter o direito de abortar, sim! E não apenas em caso de estrupro. Há outras inúmeras razões, de saúde, pessoais e até econômicas.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

Por falar em democracia, o Presidente Lula sugeriu ao Presidente so STF, Ministro Gilmar Mendes, que os julgamentos do Tribunal não sejam mais ao vivo e sim editados, mostrando as partes mais importantes.

Que beleza!

Alberto said...

Olá pessoal. Sigamos.

Li, reli, e não encontrei nada sobre Sarah Palin,ou mesmo sobre os Republicanso, que náo seja opiniões pessoais de Paul Krugman (mas que poderia ser um editorial do übber democrata NYT).

É engraçado que se fale em ressentimento, em um texto tão ressentido. Os democratas, de resto, fazem o que podem para associar McCain a Bush - como se fossem do mesmo grupo político."Ah, vai votar no cupincha do Bush?"

Não, não, ressentidos são os republicanos, 10% a frente nas pesquisas que englobam os likely voters, e extremamente preocupados em descontruir Mr. Flip-Flop.

Mas ele não precisa de ajuda para se descontruir, vide o lapso lacaniano de hoje. muçulmano? Not really. Precisaria que ele tomasse uma posição.

Bom carlos, é um ser em formação? Podemos dizer que é um ser humano em formação? E podemos dizer que é um ser vivo?

Então, procure a vontade uma definição alternativa para o exterminío premeditado de uma vida humana e traz aí pra gente conversar.

carlos said...

alberto, cuidado com a soberba...

Alberto said...

Não quero soar pedante, me desculpe. Mas é um debate que não permite meias palavras, meios conceitos. Sem categorizarmos as premissas, jamais saberemos do que estamos falando.

Como disse antes, estou aberto a discutir aborto, eutanásia, e o que mais,mas sem espremer as palavras para que confessem o que não podem.

Fetos não são aliens; são gente até que um exame de DNA prove o contrário. Jamais trocarão de categoria. Se quisermos discutir um modo legal (e até moral, se acharem possível) temos que entrar na mesma seara que os defensores da pena de morte tiveram de entrar.

carlos said...

alberto, como você sabe inglês você deve saber que murder, assassination e manslaughter todos definem o ato de matar, mas guardam conceitos diferentes - e diferenças muito importantes, não se pode trocar uma pela outra, portanto. Aqui é a mesma coisa: aborto é aborto. assassinato é assassinato. Qto à pena de morte é outra coisa: é vingança bancada pelo estado. E tem o agravante de o sistema não ser infalível, logo, pode-se, como já aconteceu, executar um inocente. e aí?

Alberto said...

Exatamente. Insisto, exatamente. É um problemão o estado viabilizar a morte de um inocente, não?
Deriva daí o obvio: que pessoa pode ser mais inocente que um bebê?

Deriva ainda uma segunda pergunta, essa de resposta um pouco menos óbvia - e se o cara não for inocente, ainda assim é direito do estado tirar-lhe a vida?

Abortistas em geral gritam sobre a pena de morte, o que não pode ser um paradoxo maior. Um culpado tem direito a vida, um inocente não? Freud explica: corporativismo.

Já existiram várias ideologias "morais" em que uma vida merecia mais ser vivida que outra. A ultima a vingar foi o Nazismo. O aborto é uma variante da Aktion14F13. Deal with that.

PS:Sempre é bom lembrar: o primeiro sistema filosófico moral da história a considerar que toda vida humana é igual e tem o mesmo direito a vida foi o cristão. Nem os gregos enfrentaram a parada.

carlos said...

e você está dizendo que a vida do feto vale mais do que a da mulher que o concebeu! você nem sequer cogita o direito dela de interromper a gestação se esta for indesejada. Você condena a mulher a ficar refém de fenômenos biológicos particulares de sua fisiologia. E os melhores sistemas anticoncepcionais podem falhar - estamos tratando aqui de biologia e não de engenharia.
No primeiro trimestre, o aborto tem de ser permitido. Eu defendo isso com unhas e dentes - embora eu duvide que fosse capaz de apoiar um aborto, caso estivesse envolvido na concepção.

Alberto said...

Esse é sempre o problema da esquerda liberal não? Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Ue drogas, mas não me chame. Aborte, mas nem me conte. E dane-se as contradições em que se cai a cada 10 minutos...

Então, fenomêno biológico? Tipo, uma má digestão, um peido? Se é isso, porque pessoalmente você seria incapaz?

Nada como ser de direita: você pode viver claramente as coisas que você acredita.

carlos said...

sim, fenômeno biológico. iguais a esses que você citou. e não tem nada a ver com ser esquerda ou direita. eu me considero mais de direita do que de esquerda, inclusive. acredito na propriedade privada e no direito de livre iniciativa.
A propósito, embora não use drogas, também acho que essas deveriam ser liberadas pra acabar com tráfico e toda a desgraça que acarreta.
Quanto a contradição, eu não vejo nenhuma em nada do que eu disse. Mas também não me importaria com isso, afinal, a vida é bem mais complexa do que você quer enxergar...

Fernando L Lara said...

ichhhh a coisa ficou interessante aqui na questao do aborto. Os paradoxos nao param de jorrar. A direita eh a favor da vida so dentro d barriga da mulher. Depois eh contra o ensino publico gratuito, contra os programas de assistencia e a favor da pena de morte. E quando o cara do Freakonomics (esqueci o nome dele, economista de chicago) diz que a criminalidade caiu por causa do aborto (criancas indesejadas teriam mais chance de se tornarem adultos problematicos) apanha dos dois lados. Eu nao tenho nenhum apreco pelo conservadorismo norte-americano que me rodeia aqui. Eu tendo a concordar com o Carlos em toda a polemica acima mas gosto dos arroubos direitosos do Alberto porque ele eh como um vigilante que me forca a escrever melhor e pensar mais. Mas acredito que a esquerda esta em uma baita crise e precisa rever suas estrategias e suas bandeiras. Nao da pra defender os trabalhadores usando tarifas protencionistas nem da pra achar bonito os agricultores franceses defendendo seus subsidios, nem tampouco apoiar o MST destruindo laboratorios de pesquisa.

Precisamos de uma nova etica ou seja la o que for, uma nova forma de conduta que seja inclusiva, distributiva e que estimule a criatividade e a inovacao. Falta lideranca e falta intelectualidade tambem.

pronto, escrevi demais inspirado por voces dois.

Alberto said...

Queria ganhar um centavo cada vez que me dizem que direita e esquerda não significam mais nada (e antecipo que ceis dois não sáo o caso, mas chego já a vocês). Minha resposta é sempre a mesma: it`s in the value, stupid.

Por ser o lado que defende o capitalismo, a direita é tida como o lada da intelectualidade que lê o mundo do ponto de vista econômico. Nada poderia ser mais falso. Além dessa forma miope de ler o mundo já ter nome - marxismo - ela de nada serve para enteder a direita. Again: it`s all about the values. Vejamos?

1- Mesmo se o aborto promovesse a paz mundial, a sustentabilidade do planeta e o orgasmo múltiplo coletivo, ainda assim seria errado e infinitamente injustificável. Nenhuma vida merece ser vivida mais que outra, e tudo o que fazemos como civilização é em busca de criarmos condições de valorizar e qualificar a vida humana. Isso são valores, e não estão abertos a negociação utilitarista, econômica, funcional. Está aberta a negociação no campo dos valores; é só nesse campo que argumentos tem valor.

2- Mesmo que fosse viável discriminar as drogas (e entrar automaticamente em conflito externo com o resto do mundo e interno com uma sociedade em rota de destruição) ainda assim seria errado e injustificavel. O argumento em questão é caótico (imagina se o governo desistisse de enfrentar não apenas o tráfico -mas também os latrocínios, os estupros, a corrupção? ) e levaria também a sociedade ao caos.

[Pena de morte é uma bandeira da direita tanto quanto o fuzilamento sem julgamento dos contra-revolucionários é da esquerda.Só entro nesse mérito se você realmente não entendeu o espírito da frase acima]

3- Enfim, os valores econômicos, e aí de fato, assistencialismo não é coma gente. Universidade gratuita é crime lesa-patria, em um país em que só se chega a ela tendo pago todo o resto. É um privilégio absurdo.O ensino fundamental deve ser, e é, gratuito, mas ainda assim com o compromisso dos pais de levar a criança para a escola, e não pro semáforo.

Pessoas carentes e sem condição de inserção em algum mercado de trabalho sempre exsitirão, e acho civilizado e justo que se crie uma rede de proteção social apra elas. Mas elas são de uma minoria absurda em relação a todos os encostados sociais que não assumem a responsabilidade pela suas próprias vidas, ou seja, não trabalham porque não se capacitam, não se capacitam porque não querem, ou simplesmente porque é mais fácil ganhar um bolsa família. Posso abarrotar aqui de links que demonstram o que acabei de falar: bolsa-família virou (como só poderia virar) "profissão". Se ser contra isso é ser de direita, guilty as charged. Acredito que em uma sociedade saudável, as pessoas tem de ser incentivadas a assumir as suas próprias responsabilidades.

E não simplesmente abortar seus equívocos.

Fernando L Lara said...

Alberto,

este ultimo argumento seu sobre o bolsa familia carrega uma falacia na origem: a ideia de que as pessoas tem oportunidades iguais na vida. Entre alguem que nasce no "asfalto" e alguem que nasce na favela existe um abismo de oportunidades que vao desde a educacao dos pais ao acesso a informacao, passando pro deficiencias basicas na infancia que tornam muito mais dificil a insercao na vida adulta. Como voce mesmo escreveu acima, garantir um minimo de comida e tirar as criancas do sinal de transito eh o primeiro passo. Eh justamente o que o bolsa-familia faz em larga escala e basta olhar para os dados de desnutricao infantil (entre tantos outros) para perceber o sucesso do programa. E olha, eu conheco muita gente de classe alta encostada em aposentadorias e liminares de todo tipo, gente que teve todas as oportunidades na vida e escolheu semrpe o caminho mais facil. Para estes todos que poderiam trabalhar e nao o fazem, eu sugiro pagar 150 reais por mes, que tal?

carlos said...

ai ai... como deve ser confortável ser tão maniqueísta, n'est-ce pas?

Alberto said...

Deixa eu ver se eu entendi: o cara aposentou, ou seja, trabalhou por um período, deu uma parte pesada do seu salário para o INSS a vida inteira, e deve, claro, receber em retorno, no fim da vida, a mesma esmola que o cara que não trabalhou nada porque "não teve oportunidade", é isso?

Quem é que tem a mesma oportunidade nessa vida? E qual é o sistema, qual é o modelo de estado que vai garantir igualdade de oportunidade?

Bolsa família não tira criança da rua, tira pobre do emprego. Pesquisa aí, a história é recente: o zelador de um prédio em Natal pediu demissão porque era mais negócio ser desempregado e ganhar o kit-bolsas, já que tinha filho em idade escolar. Encostado profissional. Igual a milhares de peossoas com saude e idade pra participar do mercado de trabalho.

A falácia que o bolsa-família carrega na origem é que existe uma porta de saída para ela: ela é precisamente projetada para só ter porta de entrada, o grande curral eleitoral do século que começou mal, obrigado. Mil vezes pegar esse dinheiro e investir em quem realmente quer mudar de vida. Mas eis aí, a ultima coisa que a psique nacional acredita é que trabalho enriquece. Sonha em ganahr na loteria, arranjar um emprego público com estabilidade e sem ter que trabalhar, ou, se mais modesto, beliscar uma bolsa qualquer coisa. Trabalhar é coisa de otário, quer vai ser tributado até a medula pra pagar bolsa pra marmanjo.

Igualdade de oportunidade? Nós nascemos já com a desigualdade fundamental: os talentos específicos, as limitações físicas e morais de cada um. Não há governo que iguale isso - e se ouvesse, nada seria mais monstruoso e mutilante.

Alberto said...

Claro que é fácil! Funciona assim: você para de relativizar tudo que é inconveniente para a sua vida pessoal, e começa a encarar a realidade de frente, ou seja, admite que por mais complexo que seja o cinza, no miscroscópio é um monte de pontinhos pretos e brancos. A partir daí, é só reparar: branco é branco. preto é preto. Cinza só existe no olho de quem vê.

Duvida? Try me.

Fernando L Lara said...

Nao Alberto, eu nao estou falando de alguem que contribuiu a vida inteira para o INSS e se aposentou depois de 30 anos de trabalho, estou falando de uma industria de liminares e outros direitos imorais que faz com que por exemplo algumas filhas de militares nunca se casem para receberem pensao a vida inteira ou permite que pessoas com patrimonio de alguns milhoes pagem zero de imposto de renda. O porteiro que abandona o emprego para receber bolsa familia provavelmente o faz porque ganha salario minimo e vale mais a pena ficar em casa com 300 reais a menos e cuidar dos filhos do que deixa-los na rua o dia inteiro. Bolsa familia nao pede pra ninguem deixar de trabalhar mas ganhando 300 reais por mes, voce ha de convir, o incentivo para ralar 2 horas no onibus mais 8 no trabalho mais 2 no onibus todo dia fica bem pequenininho nao?

E quanto ao branco e preto do microscopio, e o contraste da ideologia que faz voce ver o mundo assim. Desculpe mas a realidade eh saturada de tons de cinza

Alberto said...

Pequeno? Fica minúsculo. Já fui estagiário, sei bem como é.

Ganhava 280 no começo, apesar de não ser exatamente ontem, né. Mas a questão é que ninguém colocou uma arma na minha cabeça para aceitar o estágio. Fi-lo porque qui-lo, porque julguei necessário pra chegar onde cheguei - que se não foi longe, well, foi mais ou menos como planejado.

Então agora trabalhar virou uma questão de escolha? É legítmo o cara escolher entre ter um emprego produtivo e ser um dono-de-casa estatal? Well, n.i.m.b., old sport.

Não nasci rico, ralei pra caramba pra ganhar o que eu ganho, não devo um centavo a um vagabundo desses. Se não exisitisse bolsa familia, ele se moveria pra arranjar um emprego melhor, ser mais produtivo, e eventualmente bancar seu 7° ou 8° filho, or whatever he feel like.

Da forma como são as coisas, eu trabalho por mim e por ele. Já que falamos em oportunidade, a ocasião faz o ladrão. Esse cara é o meu ladrão particular: rouba, via estado, o que eu trabalhei pra conseguir, sendo que nada o impedia de produzir algo, e sei lá, ganhar mais que eu.

Quanto aos tons de cinza,insisto, try me. Vai ser mais fácil de entender o que eu penso.

carlos said...

hahahah ahahahah só rindo!
meu, você começou ganhando 280 reais mas tinha e ainda tem perspectiva de ganhar mais! qual a perspectiva do porteiro? ah sim! claro! ele vai ganhar 580 sendo faxineiro! puxa! depois ele pode ganhar, deixa eu ver, 600 sendo motorista - pra isso, é claro, ele precisou aprender a ler e escrever e fazer um investimento na habilitação. Vai dar folgado pra criar os 6 ou 7 filhos que Deus mandou. Isso é que é carreira. Vê se pensa um pouco, si'l vous plait!

Alberto said...

No seu caso, Carlos, pensar não adianta; só estudando mais mesmo. Coisa que qualquer pessoa pode fazer, seja ela porteiro, faxineiro ou desempregado mesmo.
Do que você disse, duas coisas:

1- Se esse cara chegasse aos 600 reais que você disse, ele estaria
a) ganhando mais do que desempregado estatal
b) gerando riqueza pro si próprio, através do proprio trabalho, e não expropriando ninguém.

2-Na sua visão limitadíssima das possibilidades desse cara, você escluiu toda a livre iniciativa. Ele pode se juntar com a mulher e os filhos e abrir uma barraquinha de acarajé na praça e faturar 5 pau por mês, como o cara da Praça da Republica fatura. Daí te pergunto cara pálida, quanto você ganha mesmo?

carlos said...

ah tá, você quer mais ambulante nas ruas fugindo do rapa e vendendo pirataria. claro! ele tb pode juntar os filhos e colocar todo mundo vendendo bala no farol, ou montar uma cooperativa de flanelinhas. tem ainda a possibilidade de prostituí-los - ia ganhar mais! ah! a criatividade e a iniciativa do brasileiro!!! genial!

Alberto said...

Na sua cabeça livre iniciativa é pirataria? é o que se pode deduzir da sua noçao, uma vez que uma barraquinha de acarajé é licenciada e fiscalizada por aqui. Mas isso é apenas um exemplo. Preciso listar aqui todas as iniciativas que existem no mundo? De A a Z? Talvez para quem acha que nasceu com direito de receber tudo de graça do Estado,a idéia de um empreendimento proprio seja exótica, talvez hedionda.
Fazia tempo que não senti tanta vergonha alheia, de ver alguém associar a idéia de abrir o proprio negócio com vender bala no farol.

E em tempo, vender bala no farol, por pior que seja, é muito mais digno que receber bolsa-esmola. Pelo menos é você mesmo que está TRABALHANDO, com o perdão do uso dessa expressão que te assusta tanto.

carlos said...

desculpe, albeerto, você tem razão. meus argumentos acabaram. Mas é verdade. Essas 900 milhões de pessoas que passam fome no mundo (dado da ONU), por exemplo, são todas umas preguiçosas e merecem mesmo a situação em que estão. pq elas simplesmente não abrem uma barraquinha de acarajé, né mesmo?
pra começar, a própria atividade já acabaria com a fome delas, essas néscias! mas não, preferem ficar lá esperando ajuda internacional!!! ah! não chove no sertão? então vamos pro sul vender chiclete no farol. é muito digna essa atividade! com o tempo a gente sai de debaixo da ponte e vai morar num barraco e logo nossos filhos irão pra universidade particular, pq não queremos nada do governo! Parabéns! você oficialmente venceu o debate!

Alberto said...

Isso criança, foge mesmo. Aproveita e vai estudar. Mas não sem antes ser informado que

1.Desde que aderiu ao modo privado de gerar riqueza, a China tirou, sozinha 400 MILHÕES de pessoas da pobreza, em pouco mais de 15 anos. Só com capitalismo.

2.Nunca o munde teve tanta gente fora da linha da pobreza, e a aceleração em PG começou justamente na revolução industrial.

3.O que segura essa estatística no mundo sao justamente as ditaduras comunistas, que náo basta a pilha de 100 milhões de mortos largada no século passado, destroem ainda qualquer chance de desenvolvimento na África.

4.Um dado novinho em folha: se a receita anual gasta pelo governo fosse dividida igualitáriamente entre a população brasileira, 26% da população sairia automaticamente da pobreza. Sai barata a brincadeira de governo esquerdista.

5.Capitalismo e o Estado de Direito 'são os dois pilares do conforto humano na terra. QUanto mais presente em um país, menso pobres. Já que a ONU serve de referencia pra você, go check it.

Náo vou me dar ao trabalho de responder sobre o que não disse, que todo mundo que passa fome é preguiçoso, suas palhaçadinha sobre todo mundo fazer uma atividade ou outra. Se meus sobrinhos de 8 anos entenderam sozinhos o conceito, vou te dar mais uma chance, ainda que duvide do seu exito. Ideologia cega, mesmo diante de uma enxurrada de fatos. Ideologia em causa própria então...

Fernando L Lara said...

Alberto,

como voce explica a desigualdade estar aumentando dramaticamente nos EUA assim como os numeros absolutos e relativos de pessoas abaixod a linha de pobreza, isso tudo em 8 anos de um governo ultra-conservador?

carlos said...

ora, Fernando! basta o pessoal virar ambulante como o Alberto disse! livre iniciativa!
mas vai outra pergunta pro Alberto, meu guru: qual sua opinião sobre os bilhões de dólares que o governo americano está liberando para as empresas que estão quebrando?

Alberto said...

Fernando,
Existem duas frentes para essa pergunta: uam é a perspectiva interna americana, e outra uma perspectiva histórica. Vamos a elas:

1.Os EUA não são, ao contrário do que se martela na cabeça das pessoas, o país mais capitalista e muito menos o mais liberal (libertarian) do mundo. Pode agradecer a Keynes, aT. Roosevelt e a todos os democratas que ao longo do tempo se esforçaram para estatizar a vida americana o máximo que puderam, e jogar a dívida para o cidadão pagar.

Na prática, os EUA vem tentando enfrentar os gigantescos déficits fiscais que seu governo gera, e só consegue ser razoavelmente bem sucedido porque é uma sociedade EMPREENDEDORA E INOVADORA por definição.

Não, não é coincidência que Bill Gates não nasceu na Bolívia, ou que Steve Jobs não nasceu na Polônia. É preciso uma infra-estrutura social que premie o risco e o trabalho, no lugar da preguiça e da acomodação estatal.
Os problemas sociais apontados por você são gerados justamente pelo governo, com suas baixíssimas taxas de juro ao longo de décadas, gerando bolhas de consumo que distorcem a capacidade real da sociedade de consumir. Todos reclamam que os EUA consomem muito, ma ninguém lembra que isso se deve ao FED.

Esses índices de desigualdade, para mim não dizem nada – é infinitamente melhor ser “desigual” nos EUA que na Rússia, que na China (nem apelei pra Cuba hein). A desigualdade num patamar superior de conforto e civilização não é assunto de economia, mas de inveja, pura e simples.

E quanto aos 8 anos de governo uber-super-hiper-conservador, só lamento a incompetência de não ter sido nunca liberal, por não conseguir cortar subsídios e impostos que fariam a economia americana crescer mais e mais estruturada do que em bolhas.

COMO ACONTECE nos verdadeiros países liberais do mundo.

Alberto said...

2. A perspectiva história demonstra que essa flutuação de pobreza em nada impacta o fundamental: vamos aos fatos:

- nos últimos dois séculos a população global cresceu mais de sete vezes, saindo de 900 milhões para 6,5 bilhões de indivíduos. Não obstante, a oferta de alimentos per capita cresceu 24% de 1961 a 2002, e nos países mais pobres o crescimento foi ainda maior, de 38%.

-Nos Estados Unidos, em 1900, a mortalidade infantil era de 160, mas em 2004 já havia caído para 6,6em cada mil nascimentos. Algumas pessoas gostam de condenar a era da industrialização por causa do pesado trabalho feminino e até infantil, esquecendo que antes a alternativa era morrer de fome.


-A taxa de analfabetismo global caiu de 46% para 18% entre 1970 e 2000. O uso de trabalho infantil em termos mundiais foi reduzido de 24,9% em 1960 para 10,5% em 2003.

-Ainda assim, a proporção da população mundial na extrema pobreza despencou de 84% em 1820 para 24% em 1992. Pelos padrões de qualquer homem médio hoje, o mundo de poucos séculos atrás era um mundo de miseráveis.

A miséria humana vai entrar para a história, não se preocupe. Desde que sigamos o rumo em que estamos pulando obstáculos estatais e planificações econômicas que atrapalham demais. Haverá sobressaltos? Haverá, afinal, aí já é querer demais. Mas os faltos são auto-explicativos nessa altura da história.

Alberto said...

Quanto à ajuda estatal, Carlos, o titio explica. Conforme expliquei acima, os EUA não contam com um bom sistema de segurança financeiro, já que herdados do New Deal (como essas estrovengas para-estatais chamadas Freddie Mac eFannie Mae).

Se o banco Central interveio, é porque pariu o problema lá no início. E os bancos privados que estão quebrando estão sendo vendidos para outros bancos privados, então, not your business, nor mine.

No geral, apesar da felicidade de quem comemora a crise ( você deve te comemorado até o 11/9) pode ficar bem tranqüilo. Isso não passa nem perto das cagadas estatais de 1929.

E a sociedade capitalista saiu bem mais forte de lá.

Imagina agora.

carlos said...

quem te disse que eu sou contra o capitalismo? contra o liberalismo, sim. contra o capitalismo, não. Já disse que acredito na livre iniciativa e na propriedade privada. Agora, que existe um grande parcela da humanidade - considerável aqui no brasil - que precisa desesperadamente de ajuda pra poder comer e mandar os filhos pra escola, é irrefutável, mesmo por você. Se tem malandro se aproveitando disso, deve ter. Mas não isso não justifica abandonar o restante.
Qto aos USA (que você deve preferir aos EUA), a notícia que eu tenho é que o governo está socorrendo as empresas, não sou eu quem vai explicar, pois preciso estudar mais. Mas leia o lead dessa matéria da BBC (xi! a bbc é estatal... será q não vale? vou procurar algo no NYTimes)
The $180bn has been released by the US Federal Reserve to five other main central banks, who in turn are issuing the funds in their own countries.

The Bank of England is making $40bn available, while the European Central Bank is to provide $55bn.

Central banks in Switzerland, Canada and Japan are also taking part.

The Swiss National Bank is releasing up to $15bn extra, while the Bank of Japan is offering $60bn, and the Bank of Canada $10bn.

Commercial banks in each country will be able to access the funds in the form of loans to boost their short-term funding requirements.

carlos said...

tem essa aqui tb:
The US Federal Reserve has announced an $85bn (£48bn) rescue package for AIG, the country's biggest insurance company, to save it from bankruptcy.

Alberto said...

Não, Carlos, repare a diferença:o governo (a essa altura, os governos)estão socorrendo a sociedade. Explico. A maioria dos Bancos Centrais estão disponibilizando créditos especiais para que outras empresas comprem a massa falida dos quebrados. É dinheiro alavancado, que estes bancos centrais receberão de volta; a maioria deles já são credores de muitas empresas, entáo a única novidade aqui é o volume de dinheiro e uma certa organização estratégica entre os bancos centrais.

Mas insisto, não é pelas empresas, mas pela sociedade. Porque na ponta final dos bancos quebrados tem os caras que finaciaram suas casas, carros e sei-lá-eu mais o que; se os bancos não podem quitar suas parcelas, eles perdem seus bens.
Aliás, o ultimo grande vagalhão dessa crise vem depois dessas operações finaceiras. Quando tudo se acalmar, descobriremos um mercado de crédito muito diferente. Bancos receosos de oferecer dinheiro, aliados às mais que prováveis restrições que serão impostas pelos Bancos Centrais.
O tamanho da dificuldade de se levantar créditos para investimentos definirá em quanto tempo os EUA retomarão um cenário de crescimento. Veremos.

carlos said...

releia este trecho:

Commercial banks in each country will be able to access the funds in the form of loans to boost their short-term funding requirements.

Pra mim tá bem claro que eles estão pegando a grana do contribuinte pra salvar essas empresas. Mas é claro que os governos estão fazendo isso pq deixar quebrar todo mundo iria fazer mais mal que bem.
O que eu estou dizendo aqui o tempo todo é que o Estado não é nenhum monstro e tem de estar presente também dentro de um sistema capitalista. Eu acho que isso não faz de mim um comunista que lamentou a queda do muro de berlin. Muito pelo contrário, eu já falei que não me alinho com a esquerda. Mas que o Estado tem de estar presente e cuidar do bem estar dos seus cidadãos, isso tem! E que o público é mais importante do que o privado, também: basta andar pelas ruas de são paulo pra ver o que acontece qdo se deixa tudo na mão do investimento privado.

Alberto said...

Bom, e eu da minha parte, também não disse que o estado não é necessário. Mas ele é necessário fazendo o papel que só ele pode fazer, e não fazendo o papel de agente econômico. Ou seja

1.Zelar pelo Estado de Direito, ou seja, pela formulação e principalmente pelo cumprimento das leis.

2.Zelar pela segurança interna e externa do país, uma vez que detem não só a responsabilidade, mas o uso exclusivo da força para isso.

3. Regular a atividade privada para evitar que atuem contra os interesses públicos.

Só isso já dá um trabalho colossal. Mas nosso estado acha pouco. Ainda quer se meter a

1.Concorrer com escolas privadas, ao invés de regulamentá-las e exigir um mínimo de qualidade.

2.Duplicar o sistema de saude do país, sendo condenado a ser sempre de segunda linha em relação à saude privada, mais eficiente e economica.

*Até agora, dei dois exemplos que a simples distribuição de vouchers, ao invés de montar escolas e hospitais inteiros, seria muito mais eficiente, amplo e "igualitário", como quer o Fernando.

3. Explorar petróleo entre o purgatório e o inferno com uma estatal-dunga, ou seja, que nem existia até outro dia e´já vai sentar na janelona.

4.Muitos etc, as you may know.

5.Distribuir esmola para vagabundo. Sim, mais uma vez: baixa renda, sozinha, não é razão pra ganhar esmola. A incapacidade de se inserir no mercado de trabalho, por questões de saude, idade, enfim, por ALGUMA razão,tudo bem. Mas sem razão, é imoral.

Então, quero aquele primeiro estado lá de cima. Mas tenho esse aqui debaixo. Paciência.

PS:Nem voltei no assunto dos bancos porque vi que ce já entendeu o objetivo da operação. são várias,e complexas a essa altura, mas o objetivo é esse aí.

carlos said...

eu tô com muita pressa agora então só vou responder extamente sobre os bancos: o que eu entendi é que ESTATAIS estão usando grana do CONTRIBUINTE pra salvar as empresas e não, como você disse lá em cima, que uma empresa estaria comprando a outra e portanto not your business nor mine (citando você novamente)

Alberto said...

Bom, estatais usar grana de contribuinte é pleonasmo, né, mas até pelo que entendi da frase que você destacou é que bancos comerciais vão usar os créditos disponibilizados pelos governos para comprarem as empresas quebradas. E depois pagam o governo de volta. Ninguém está levando dinheiro publico de graça. Mas os comercial banks das frases acima são privados - assim como o Itau vai ficar com a operação brasileira do Merril Lynch.

carlos said...

comprar que empresa?!?! é pra salvar os próprios bancos!!! cremdeuspai!!!

Alberto said...

Tá, então presta antenção se eles váo ser salvos, ou se vão sumir.

carlos said...

eu espero que sejam salvos.