Friday, October 3, 2008

redução ao absurdo ou o fim da arquitetura?

Hoje recebi um e-mail do grupo Doors of Perception com a uma provocação feita pelo fundador do grupo John Thackara. Como a discussão está pegando fogo aqui no parede e tanto o Alencastro quanto o Alberto andam propondo demoliçoes aí vai a minha contribuição:

"What would architects design, if they did not design buildings? My question isnot a rhetorical one. The inputs and outputs of industrial society are wildly outof balance - and that includes its buildings and infrastructure. We have reachedthe end of a brief era in which we could burn cheap fossil fuel, and despoilecosystems, mindless of the consequences. We need to re-imagine the built worldnot as a landscape of frozen objects, but as a complex of interacting ecologies:energy, water, mobility, food. Our life-sustaining ecologies, especially, needto be nurtured, not swept away, built over, or diverted. The need for newbuildings will be rare. Sometimes the design choice will be to do nothing".

tradução minha:

“O que os arquitetos projetariam, se não projetarem mais edifícios?” Minha pergunta não é retorica. As ofertas e demandas da sociedade industrial estão descontroladamente desequilibradas - e isso inclui edifícios e infrastructura urbana. Nós chegamos ao fim de uma era em que podíamos queimar combustível fossil barato, e transformar ecosistemas sem pensar nas conseqüências. Precisamos agora re-imaginar o mundo construído não como uma paisagem de objetos congelados, mas como um complexo de ecologias de interação: energia, água, mobilidade, alimento. Os ecosistemas que sustentam a vida no planeta, em especial, precisam ser cuidados, não destruídos, construídos por cima, ou ser desviados. A demanda por edifícios novos será rara. Às vezes a escolha do projeto será não construir nada”.

ok, eu sei que a proposta de Thackara é radical e implica implodir a prática da arquitetura tal como a conhecemos, mas não deveríamos estar explorando isso pelo menos nas escolas? Não deveríamos nos preparar para todos os worse-case-scenario assim como engenheiros preparam teóricamente as estruturas para um terremoto e médicos preparam teóricamente o sistema de saúde pública para uma pandemia?


32 comments:

Ricardo Rossin said...

Acho que poderia ser a idéia de uma arquitetura mutável, efêmera, de características temporárias e modificável, nada eterno pois acho que isso não funciona na sociedade da informação que vivemos hoje. Atualizando-se junto à transformação do espaço em que está inserida. Espaço como um todo, não só físico.

joão amaro correia said...

tenho a impressão que estas notícias do apocalipse são manifestamente exageradas. e cínicas.

j

Annima said...

Até mesmo os cientistas "céticos" como Lomborg, não duvidam dos efeitos progressivos causados pelo aquecimento global, apenas questionam a parcela de culpa do homem neste processo. Na visão dos "céticos", o aquecimento é um processo inevitável, que independe da atuação do homem.

carlos said...

pode até ser que o aquecimento global seja inevitável e um processo "natural". mas visto que ameaça o mundo em que vivemos, será que devemos nos sentar e esperar o inevitável estoicamente? Eu concordo com o Thackara, entretanto. Mas não acho que seja o "fim da arquitetura". A forma de pensar e de projetar tem de mudar, certamente, mas desistir da arquitetura seria pior pro mundo.

Annima said...

Não, Charles, não devemos.

Manu Chao said...

Pô, cara, vcs estão discutindo coisas que já são fatos, já é realidade.
Arquiteto brasileiro (a maioria!!) tá sempre na retaguarda. É por isso que a arquitetura brasileira não tem projeção internacional.
Ah, tem sim... São os mesmos da década de 50.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

Fernando, o professor Edson Júdice, que você deve conhecer, está preocupado com a formação do arquiteto.

Como a matemática saiu do currículo da PUC - aliás, tá saindo do currículo de algumas escolas - o Edson acha que o arquiteto está restringindo seu campo de atuação e terá dificuldade de manter uma inteface com os engenheiros. Ficará restrito ao projeto de interior, e mesmo assim terá dificuldades, segundo ele.

E, como você sabe, o Edson é engenheiro (acho que foi um dos fundadores o IPUC e da Escola da Arquitetura e Urbanismo da PUC) e professor há mais de 60 anos.

Alberto said...

Como é, pessoal? Mesmo que se verifique que o aquecimento global é uma efeito natural sem interferencia humana, deve-se continuar combatendo-ô-ô?
Não sei nem o que comentar.

x-x-x-x

Nunca vi dsitinção entre construção e demolição na arquitetura, talvez porque em São Paulo, normalmente para você contruir, algo tem que ser demolido (pelo menos na cidade legal, enfim regulada pelo PD).

De resto, a pergunta "o que os arquitetos projetariam se não projetarem mais edifícios?" é pueril e cínica ao mesmo tempo.

1. Sempre projetaremso edifícios, porque eles sempre envelhecerão em seus programas e tipos e eficiência. Vocês que vêem o apocalipse ali na esquina deveriam ser os primeiros a concordar com isso.

2."Projetariamos" praças, parques, passeios publicos, estacionamentos subterrâneos, estações de metrô... como se já não projetássemos...

Alberto said...

Como é, pessoal? Mesmo que se verifique que o aquecimento global é uma efeito natural sem interferencia humana, deve-se continuar combatendo-ô-ô?
Não sei nem o que comentar.

x-x-x-x

Nunca vi dsitinção entre construção e demolição na arquitetura, talvez porque em São Paulo, normalmente para você contruir, algo tem que ser demolido (pelo menos na cidade legal, enfim regulada pelo PD).

De resto, a pergunta "o que os arquitetos projetariam se não projetarem mais edifícios?" é pueril e cínica ao mesmo tempo.

1. Sempre projetaremso edifícios, porque eles sempre envelhecerão em seus programas e tipos e eficiência. Vocês que vêem o apocalipse ali na esquina deveriam ser os primeiros a concordar com isso.

2."Projetariamos" praças, parques, passeios publicos, estacionamentos subterrâneos, estações de metrô... como se já não projetássemos...

Annima said...

Oi, Alberto,

Na verdade, prefiro não acreditar nos crescentes efeitos do aquecimento global. Mas se até os cientistas "céticos" acreditam...
O que eles combatem é a idéia que o homem seja o causador do fenômeno.
Eu, particularmente, acho que o homem tem sua parcela de culpa sim.

E concordo com os seus coments 1 e 2. Não dá para discordar disso.

Estou ocupada, mas já te conto uma história interessante sobre a transformação do perfil do cliente em outros países do mundo.

Annima said...

Vou escrever sobre um fato que testemunhei de perto.

Depois das Olimpíadas, Barcelona se transformou muito, inclusive o perfil da população, que está cada vez mais estrangeira. Muitos catalães tem saído de Barcelona para morar em regiões próximas. Meu tio e minha prima são alguns deles. Meu tio, "ecochato" como eu, foi para Montseny e pediu ao arquiteto uma casa repleta de "artefatos" como painéis solares, sistema de captação e uso de água de chuva. Agora, vai construir uma horta! E lá outras casas (e não são poucas) fazem usos destes recursos.

Será que este perfil de cliente crescerá no Brasil?
Vc já atendeu um cliente assim, Albert?

carlos said...

bom, alberto, mesmo SE o aquecimento global for natural e que nós humanos não tenhamos nada com isso (o q eu duvido, mas até aí), precisamos nos adaptar a ele, saca Darwin? ou corremos o risco de não garantir as próximas gerações. E para conseguir essa adaptação, teremos de mudar algumas coisas, desde pequenos hábitos até grandes alterações na forma de construir e de consumir.

Manu Chao said...

Mimmosa,

De interessante sua história não tem nada.
Cara, isso já é comum lá fora.

Na Holanda, então, nem se fala!

Annima said...

Manu cover,

Vc fala esperanto?

Vi ne legas bone. Sério!

Fernando L Lara said...

prezados,

a questao principal pra mim esta no ensino da arquitetura. Nos formamos uma das profissoes mais criativas e esta inventividade tem de ser posta a prova com problemas atuais.

colocar a culpa do aquecimento global no sol nao cola mais, ate o Bush ja admitiu isso.

o que me incomoda eh perder a oportunidade de re-pensar como seria nossa arquitetura e nossa cidade ideal enquanto holandeses, alemaes e japoneses fazem isso o tempo todo e estao vendendo esse conhecimento acumulado para toda parte do mundo. A industria da construcao eh importante demais (em valores financeiros, emprego e volume de materia) pra se arrastar tao conservadoramente e resistir toda e qualquer mudanca. Sobre resistencia eu tenho um exemplo aqui pertinho de casa: Detroit resiste qualquer mudanca a 50 anos e olha onde eles estao. Alguem deixa de comprar um carro alemao ou japones para comprar um Ford ou GM aqui? Nem com financiamento zero. E no Brasil apesar da escala ser diferente esta acontecendo a mesma coisa. Inovacao eh uma questao de sobrevivencia hoje em dia, e se ensina na escola.

Alberto said...

Annima,

1.Sim, esse perfil de cliente crescerá. E ao crescer, descobrirá o estado da arte das tecnologias de reuso: pra que serve realmente, até onde alcança. E fundamentalmente, dscubrirá o custo-benefício da coisa, que hoje é predominantemente baixo para a escala doméstica. Sim, vale a pena aquecimento a gás no lugar do elétrico. Mas aquecedor solar ainda é só pra quem tá afim de sacrificar um padrão de conforto conquistado há 50 anos atrás. Bale?

2. Um cliente, escola, estava insatisfeito com o fato de sua cantina ter de ficar com a luz acesa o dia inteiro, entre outras coisas. Queria gastar menos.

E aí? lâmpadas mais eficientes? Fornecimento alternativo de energia?

Talvez, até poderia, se eu pensasse antes como engenheiro; mas sou arquiteto.Levamos a cantina para beira da piscina, mudamos a forma de como as pessoas se relacionam com o espaço, e de quebra, com iluminação natural o dia inteiro.

2a*. No Teatro Municipal de São josé, desenvolvido aqui no escritório, fizemos todo o foyer do teatro com ventilação natural, em um projeto de conforto térmico que envolve brises e caixilhos especiais, e o famoso efeito chaminé. Tem na PROJETO.

Alberto said...

Carlos, ao invés de argumentar, vou passar a limpo seu raciocínio:

1. Mesmo se o aquecimento global for natural, precisamos nos adaptar a ele.

2.Pelo método Darwiniano, ainda, afinal o que estamso garantindo são nossas futuras gerações.

3.A adaptação as novas condiç~eos climáticas do planeta se dará portanto de duas formas, segundo você

- mutando geneticamente o mais rápido possível (e você, saca Darwin?)

- alterando nossos hábitos para aqueles que então comprovadamente não farão a menor diferença no clima da terra.

Reiterando, foi você que escreveu isso. É só ler.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

Nossa, debate bom.

Mas como sou catecúmeno, a questão do ensino também me preocupa.

Acho que as escolas estão caminhando para o "cada um por si e Deus pra mim. Se você quiser aprender, corre atrás."

A cada dia que passa, as escolas investem menos no aluno (pesquisas, estágios, extensão, enfim) e ensinam o mínimo possível.

E a infraestrutura só atende o horário das aulas. O aluno fica menos tempo na escola.

E as bibliotecas? Não são atualizadas, não adquirem livros, etc. com frequência.

Estamos nivelando por baixo.

Os concursandos brincam que quem sabe um pouquinho mais, passa. Fala sério!

Alberto said...

Tão por baixo, Marcão, que qualquer ideologia barata passa por reflexão critica.

O aquecimento global virou o maior wishful thinking do seculo XXI, e a polícia do politicamente correto nem precisa fazer muita força pra cooptar arquitetos que não sabem ( e não são ensinados) apensar por conta própria

Isso é a coisa mais antiética que um arquiteto - com tanta responsabilidade nas mãos - pode fazer: terceirizar a reflexão para a primeira ideologia politcamente correta que aparecer.

Ainda mais uma rasteira dessas

carlos said...

não. não foi isso o que eu disse. você é ferrenhamente agarrado às suas idéias e lê o que quer.
eu penso que, confrontados com um problema, devemos nos esforçar para tentar corrigir ou minimizar as conseqüencias - adaptação à uma nova realidade.
e a questão não se esgota com o aquecimento global. E o limite dos recursos naturais, a começar pela água? é fantasia tembém? quem ganha com isso?

Annima said...

Albert,

O projeto deve ser bem resolvido.

Isso é uma premissa para que a aplicação desses tais recursos valha a pena. Uma coisa não se contrapõe a outra.
O que vc fez com a tal cantina foi inteligente. Isso não quer dizer que se, além disso, tivesse agregado outros conceitos, deixaria de ser inteligente.

Vc realmente acha que a aplicação de lâmpadas eficientes é coisa para engenheiro?
Muitos arquitetos que conheço assinam o projeto luminotécnico de suas obras (quando elas não dispõe de lighting designers que, aliás, são arquitetos na sua grande maioria)

E pq aquecedor solar sacrifica o conforto? Eu geralmente escuto o contrário das pessoas que utilizam isso. Sem mencionar a conta de energia elétrica que cai pra caramba.
E concordo com vc que, para "descobrir o custo-benefício da coisa", só aplicando mesmo.

Manu Chao said...

Annima,

Sei quem vc é e nunca te esqueci.
Je suis comme tu me voyez. Je peux être léger comme une brise ou un fort comme un vent fort, Il dépend de quand et comme tu me voyez passar...

Alberto, cara,
quem foi que sujou tanto a imagem da sustentabilidade para vc?
Não banalize aquilo que não conhece.

Alberto said...

Annima, esse é o cerne do nosso debate.

A questão é a premissa de que a sustentabilidade deve nortear o processo. Como se o desafio dos projetos de arquitetura do seculo XXI fosse atender à sustentabilidade, e o que der pra resolver alem disso, bom também.

Isso é de uma mediocridade atroz (e é o que o Souto de Moura disse afterall) para um arquiteto. Toda proposta arquitetônica sintetiza respostas de várias frentes - queira ela ou não. Uma dela é a da eficiencia energética. UMA DELAS.

Nós fazemos o projeto de luminotécnica da maioria dos projetos aqui - só terceirizamos em projetos realmente grandes.

Ele é uma ótima metáfora da conversa. A êfase do proejto ainda é, juro, iluminar o ambiente da forma mais bonita e adequada para as pessoas. Tendo atingido essa meta, a detalhamos o sistema da forma mais eficiente o possível.

Mas jamais ao contrário. Seria ridiculamente medíocre.

Justificar uma iluminação mediocre por 100Watts, em nome de um apocalipse que não vira jamais, é a coisa mais cínica que eu já vi na vida.

A eficiencia, enfim, completa o projeto, mas não norteia.

juliana m. said...

Quem sujou pro Alberto não sei, mas cesdias eu vi aqui em belzonte uma palestra do ilmo sr. Gustavo Pena sobre o tema e bem...er. Vamos conversar sobre mershandising né. Sobre o que é propaganda. Tem uma coisa eu chama em publicidade que chama gimmick. é alardear um avanço técnico que não faz a menor diferença pro cliente, só prá usar como propaganda. Projetar o mais barato o mais confortável o mais utilizável o mais sustentável é o mínimo que a ética de qualquer arquiteto deveria exigir. O resto é fazer o melhor projeto possível.

Mário do Val said...

Olha, o ensino de arquitetura que conheço no Brasil - não é muito - não é nem um pouco vanguardista. Seja para discutir se devemos ou não construir prédios ou mesmo quais as respostas arquitetônicas para as demandas do planeta e seus habitantes. Engraçada a impressão que eu tenho de muitas vezes da escola estar um passo atrás do mundo - sejam as outras escolas ou arquitetos.

Acaba que tudo o que queremos é chegar lá, onde outros já chegaram. Sustentabilidade? Ora, é só olhar para Piano, Rogers, Foster ou, principalmente, Ken Yeang e fazer o mesmo. Dizia Le Corbusier para tomar cuidado ao mostrar novas idéias a ele. Corria o risco dele roubar a idéia e fazê-la melhor.

Acho que falta isso: fazer melhor. Pegar a tal sustentabilidade e ver até onde vamos com ela. Ensinar arquitetura não é isso?

Lá no Mackenzie inventaram recentemente um "eixo-temático" de "sustentabilidade". Bonito não? Quem sabe para que serve? O máximo que eu vi foi um ciclo de palestras em que um dos convidados apresentou um projeto próprio para o mercado imobiliário de arquitetura sustentável: era um condomínio residencial de torres horroroso na periferia de Campinas com coleta de água da chuva e aquecimento solar. É isso que se ensina na faculdade: qualquer arquitetura com insumos para salvar o planeta.

Alberto said...

Juliana, GIMMICK! Inglês não é mesmo um idioma de índo, como disse o Tom Jobim. "They have a word for it!"

Mais não há para se dizer. Thanks.

X-x-x-x

Mário, há quanto tempo!
Seu exemplo - e argumento - são brilhantes, obrigado a você também!

Fernando L Lara said...

Mário e Juliana,
vocês acertaram no alvo. Trata-se de denunciar o marketing vazio e tentar fazer melhor. Muito melhor.

Annima said...

Desabafo:
Acabei de perder as esperanças na humanidade e, sobretudo, na população brasileira.
Angela Guadagnin, aquela da "dança da pizza", foi eleita vereadora de São José dos Campos...
Sem comentários.

Alberto said...

E ela já foi prefeita lá. (pré-pizza)

Horizontes Arquitetura said...

ela, o maluf, severino cavalcante, etc, etc...
e aqui em BH o Newton Cardoso ta quase elegendo o candidato dele...

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

é, quem tá começando ou fica motivado diante do desafio ou desiste de vez.

Anonymous said...

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