Friday, January 11, 2008

my name is bond, 40 bond



a rua na região conhecida como NoHo (north of Houston) é despretenciosa, prédios relativamente baixos (7, 8 pavimentos) com escritórios e residências intercalados.


de repente uma surpresa.


o número 40 da Bond Street se destaca ao longe pelo verde da fachada, brilhante, translúcido, refletindo o sol baixo do inverno novaiorquino, meio fraco mesmo em meio-dia de céu limpo.

a organização é absolutamente regular, o ritmo da fachada não se altera, segue de certa forma as aberturas verticais da arquitetura local quando as paredes ainda eram portantes. Os primeiros pavimentos bem no alinhamento, depois um recuo-jardim e outros 3 pavimentos seguindo exatamente o mesmo ritmo 3 metros atrás. O edifício é até bastante horizontal e provavelmente ocupa 2 ou 3 lotes.

no encontro com a rua, o ritmo regular das colunas e vigas verdes (revestidas em vidro curvo!) dá lugar a um recuo meio que sextavado para criar um pequeno atrio para as lojas. Brilhante, literal e metaforicamente. Neste recuo das lojas o revestimento é metálico, reflexivo e texturizado em alto-relevo, continuando também no corredor central que dá acesso ao hall e aos apartamentos nos andares superiores.

mas a grande surpresa mesmo fica por conta do rendilhado em ferro fundido que serve de grade e portão antes das lojas, fazendo também o papel de embasamento da caixa superior.

e aí reside a grande força do edifício: o exagero, o excesso, o rendilhado, os brilhantes. Por cima de uma lógica geométrica simples e rigorosa coloca-se o elaborado (deveria até dizer decorado) recobrimento dos revestimentos. Alto-relevos, rendilhados em ferro fundido, calhas de vidro verde curvo.

Herzog + de Meuron tem trabalhado texturas e revestimentos a décadas: a caixinha de sinalização ferroviária em lâminas de cobre; o museu em San Francisco, o estádio olímpico de Beijing que vamos ver à exaustão ainda este ano; são todos produtos diretos na capacidade de se cortar e construir exatamente aquilo que se desenha vetorialmente em CAD, mais comumente chamado de digital fabrication. Esta escola de rendas e bordados tem ganhado bastante espaço e parece ter vindo para ficar.

mas por outro lado o excesso e o exagero lembra muito o art-nouveau e a arquitetura dos anos 20 que não coincidentemente foi uma época de expansão acelerada do capitalismo especulativo, de crescente desigualdade e de uma burgesia exuberante. O resultado daquela vez foi o crash de 1929 e o nacionalismo exacerbado dos anos 30 que desabou em guerra generalizada.

apesar disso, uma parte significativa da arquitetura parece ter embarcado na onda da elaboração digital cuja tradução direta via CNC Routers e Laser Cutters está na raiz deste preocupante exagero.
e enquanto seu lobo não vem ninguem faz melhor que Herzog + de Meuron.

1 comment:

Ricardo Rossin said...

Achei interessante a Ciudad de Flamenco, que eles utilizam muito o rendilhado. Outro prédio, o do Forum de 2004 aqui em Barcelona, também possui esses revestimentos em alto relevo e reflexivo. Me parece que eles já estão a tempos investindo nessas características do edifício. Em compensação, tenho um professor aqui na ETSAB (UPC) em Barcelona que fala que "isso é só um estilinho em moda". Uma pena.