Wednesday, January 2, 2008

cadê a arquitetura norte-americana ?

graças ao trabalho da Letícia junto a ONU nos últimos meses eu tive a chance de vir várias vezes a New York, agora no final do ano por um período de quase 20 dias.

então, parafraseando o doutor Lúcio, deu pra ver muita construção e alguma arquitetura. Não com a voracidade com que meu parceiro Humberto atacou a cidade (de sol a sol o que significa das 9 da manhã `as 5 da tarde no inverno aqui) mas devagarinho, gole por gole como quem toma um single malt. Mas a companhia do Humberto foi fundamental para as reflexões que inauguro agora e que devem ocupar as primeiras semanas de janeiro a fora.

e pra começar a série “cadê a arquitetura norte-americana?” nada melhor do que partir da própria pergunta. Acontece que nessas tantas andanças por Manhattan e Brooklyn, fui enfileirando uma série de edifícios recentes que, como bons arquitetos e professores de arquitetura, não poderíamos perder: O New Museum de Kasuo Sejima; Jean Nouvel no Soho, Herzog & De Meuron em 40 Bond St; NYTimes tower e Morgan library de Renzo Piano; a torre contraventada do Foster e o prédio de Gehry na 18th com Hudson River.

deu pra perceber a razão da pergunta que dá título a este post? com Gehry sendo a excessão que comprova a regra (canadense de nascimento apesar de viver em Los Angeles por mais de 40 anos), todos os outros são estrangeiros.

depois de um boom nos anos 70 e 80 com Eisenman, Meyer, Graves e cia, ainda não surgiu uma geração de arquitetos norte-americanos capaz de substituir os “whites” e os “grays”. Talvez Phillip Johnson esteja fazendo muuuita falta e sem seu poder lobístico os norte-americanos não estejam conseguindo se equiparar aos colegas vindos do outro lado dos oceanos Atlântico e Pacífico.

ou talvez a resposta esteja num artigo de Michael Speaks de 10 anos atrás em que ele percebia uma diferença gritante entre a vanguarda norte-americana obcecada com a manipulação da forma e suas geometrias elaboradas; e a vanguarda européia mais preocupada com a performance dos edifícios e as transformações no próprio processo de desenho e construção que as novas tecnologias estavam trazendo.

me parece também que depois de 20 anos enfurnados em investigações conceituais e abstratas (aquilo que se chamou “critical discourse”) a arquitetura norte-americana passa agora por um vazio de liderança, uma desorientação, uma falta de rumo.

como um cachorro que caiu da mudança, não adianta voltar para a casa velha (os blobs e manipulações geométricas com base no desenho) nem sabe be monde fica a casa nova (o neo-pragmatismo de raiz modernista e vies sustentável).

então esse blog se propõe a procurar o pobre cachorro perdido.

começaremos por NY e seus fantásticos arquitetos estrangeiros (Sejima, Piano, Herzog & De Meuron) para depois discutirmos a nova geração yankee (atenção aos sobrenomes): Teddy Cruz; Monica Ponce de Leon + Nader Tehrani (office DA); Sunil Bald + Yolande Daniels (studio sumo); Andrew Zago.

o ano começa quente no inverno daqui

5 comments:

Max said...

homi, rapáiz!!
taí uma boa discussão.

começa daí que vou lendo daqui.

Abração, e feliz ano novo para a turma toda!

Alberto said...

Fernando, em excelente 2008!

Quanto aos EUA, tenho ouvido que a esterilidade da arquitetura recente se deve basicamente a um codigo de obras e urbanistico cada vez mais opressor e a uma mão de obra (+ excesso de soluções pré-fabricadas) limitantes. Você, que vê de perto, que acha?

Fernando L Lara said...

Max e Alberto,

meu abraço de feliz ano novo,

seu ponto é interessante Alberto, mas como é que Piano, Sejima e Herzog + de Meuron conseguiram escapar do código de obras draconiano (que não sei se concordo) e da fraca mão de obra (que eu assino embaixo)?
f.

Alberto said...

Sendo starchitects, I guess. Assisti recentemente a apresentação de um projeto do Marcio Kogan, um conjunto de apartamentos em NJersey, e ele disse que os escritórios americanos com os quais ele trabalhou não estão acostumados a enfretar a legislação. Só apontam problemas, nunca soluções. E que a mão de obra é bem pior que a daqui. Ou seja, imagino que sendo um starchitect talvez seja possivel amainar a prefeitura e importar serviços. O clima criado pelos Ouroussoff da vida (campeão mundial de crítica a favor, geez) também deve colaborar bem.

Fernando L Lara said...

Alberto,

eu concordo quanto ao Ouroussoff, ainda estou esperado uma crítica incisiva aparecer. O prédio da Sajima que ele tanto elogiou, sei não.... Mas dando um pouco de crédito a Renzo Piano e Herzog+de Meuron, eu acho que eles possuem uma certa teimosia a la Paulo Mendes que acaba gerando bons resultados. Sobre o comentário do Kogan, na arquitetura residencial eu tenho mais medo dos investidores (avessos a qualquer risco por menor que seja) que das prefeituras que por aqui são geralmente menos burocratizadas. Ah, mas tem os conselhos de patrimônio que como no Brasil conseguem estragar muita coisa....

prometo escrever mais sobre esses prédios, seus comentários me fazem pensar sob um novo ângulo.