Thursday, May 10, 2007

pequenas arquiteturas de grande impacto

ontem no Seoul Art Museum vi uma peça que me causou um impacto enorme. Um artista coreano (não me perguntem o nome, estava escrito em caracteres coreanos) fez um modelo de um edifício residencial dos anos 60, “mapo” como eles chamam aqui. A maquete na escala 1:10 eu imagino, mede uns 5 metros de comprimento por 1,80 de altura, e é uma fiel representação de um edifício de 6 andares, sem elevador, com 4 ou 5 prumadas de escada e apartamentos. Fiquei pensando a noite inteira porque esta pequena arquitetura causa mais impacto que qualquer um dos edifícios de verdade que eu visitei, sejam os singelos e agora surrados “mapo” de 40 anos atrás ou as exuberantes torres contemporâneas. Acho que foi a humanidade do registro, o fato de que um artista se deu ao trabalho de pintar cada pedaço de reboco descascando, cada calça secando no varal, cada adesivo pregado na janela. De uma maneira muito sensível estavam retratadas ali várias das facetas que compõem a Coréia do Sul atual: a ênfase na construção civil como alavanca do desenvolvimento, a incrível modernização que tornou o país de hoje muito, muito mais rico do que o país de apenas 40 anos atrás, e por fim a triste desigualdade que marca todas as sociedades capitalistas neste inicio de século, condenando uns a viver em habitações caindo aos pedaços enquanto outros vivem em luxuosas torres e consomem vorazmente Prada e Armani nas lojas aqui do meu lado no aeroporto.
Alias, cada dia que passa nesta pesquisa me convenço de que a semelhança com os conjuntos habitacionais brasileiros por exemplo não são mera coincidência.
uma pena que não me deixaram fotografar, mas da pra refazer a imagem não dá?
me despeço de Seoul e vôo rumo a Tokyo daqui a uma hora.

3 comments:

Max said...

uma dica simples (se ainda der tempo): procure um centro de apoio a turistas no centro de Tokyo e peça um mapa com obras de arquitetos contemporâneos - o que, para um país como o Japão, inclui qualquer um do século XX para cá. Aí vc caminha um dia inteiro, pulando de um prédio para outro (Mario Botta, Tadao Ando, Ruy Othake) até terminar o passeio no deck de observação da prefeitura, projeto do Kenzo Tange. A vista do Monte Fuji de lá é impressionante...
E passe pela loja da GA, também.

Fernando L Lara said...

rapaz, meu amigo Satoshi me deu uma canseira, andamos 5 horas seguidas por Tokyo. Mas valeu a dica.

Cléo said...

Ei Fernando! Adorei os relatos da viagem, escreva mais e coloque mais fotos! Quanto à maquete, deve ser impressionante mesmo. Acho que esse esforço que te chamou a atenção é bem como o que a gente faz ao projetar: pensar, imaginar, desenhar, calcular, etc. etc. com tanto cuidado um espaço que não vai ser só visto, vai ser vivido por décadas e mais décadas. Nós, arquitetos, não podemos perder isso de vista. E mais, acho temos que chamar a atenção dos não arquitetos para essa nossa entrega. Beijo!