Wednesday, March 5, 2008

otimismo ou cinismo do inevitável?



há mais ou menos 10 anos um grupo de ex-alunos da Architectural Association (AA) chegou ao topo das paradas de sucessos da arquitetura com propostas arrojadas que pareciam quebrar a hegemonia da elaboração formal de Eisenman e cia, o grupo hegemônico na primeira metade dos 90.

tudo bem que Zaha Hadid e Daniel Libeskind sempre foram bastante formalistas (e continuam sendo), mas Bernard Tschumi e Rem Koolhas eram respeitados pela elegância intelectual de suas propostas, pelo arrojo de suas composições, e por uma crítica mais ponderada ao modernismo, sem a radicalidade dos pós-modernos mas com ainda uma pontinha de promessa de transformação do mundo para melhor.

agora salvo Tschumi que depois de deixar a direção de Columbia anda meio sumido, esta pontinha de utopia já não cabe nos projetos de ninguém desta geração. Libeskind continua desnhando suas formas pontudas só que agora em gigantescos complexos residenciais na Coréia; Zaha empresta o nome para condomínios de luxo em ilhas privadas no caribe e Rem, aquele que fazia livros criticando o consumo de massa e se debruçava sobre a urbanização em Lagos, Nigéria; agora desenha lojas Prada e acaba de lançar sua versão de cidade para o século XXI (foto)

uma ilha artifical em Dubai, 18 km quadrados de formas arrojadas misturadas com formas banais, bem no estilo Koolhaas, mas aqui separadas da realidade por 3 pontes. Do lado de dentro o capital globalizado e os profissionais bem pagos que o fazem funcionar. Do lado de fora migrantes vietnamitas, filipinos e indianos que fazem Dubai, um emirado sem muito petróleo, funcionar.

o NYT diz que o projeto de Koohass diz respeito a um “otimismo do inevitável”. Não cola, se algo de inevitável existe neste tipo de projeto é o cinismo.

para terminar, já que nesse caso Koolhaas não apresentou nenhum diagrama como justificativa teórica, aqui vai minha sugestão, com a vantagem de servir também para alphavilles, disneylandias ou outros urbanismos neo-medievais.

3 comments:

Alberto said...

Confesso que perdi o fio da meada com o Koolhaas. Era seu fã assumido na faculdade, e acho o Kunsthall, com seu foyer-rua que integra o parque à rua em rampa a melhor obra daquela época. Lí o Small Medium cover to cover, fiz monografia sobre ele (comprando uma briga encarniçada) e tal. Mas confesso que perdi o fio da meada. Esse outro Koolhaas me escapa completamente. Tough times.

Fernando L Lara said...

Alberto,
meu desencanto com Koolhaas eh bem por ai tambem. Se bem que desde o inicio dos anos 90 tinha gente avisando que o marketing era a melhor ideia vinda dali.
f.

Mário do Val said...

Engraçado, o primeiro trabalho do S,M,L,XL é o tfg dele na AA. É espantosamente parecido com esse projeto de Dubai: a Londres dos felizes e a dos tristes separados por muros, onde os que vivem do lado de dentro, dos felizes, são "prisioneiros voluntários". Obviamente além da crítica urbana a piada também tem um forte teor geopolítico naqueles anos 70.

Só que agora não dá pra sentir tanta ironia...