Tuesday, November 18, 2008

depois da crise


a cena é mais ou menos a seguinte: uma crise severa tem origem nos EUA e se espalha pela Europa e depois pelo mundo todo. Países exportadores de commodities perdem receita num primeiro momento mas se recuperam mais rapidamente com ajuda de seus mercados internos menos endividados e portanto menos deprimidos que os dos países mais desenvolvidos. Mas a crise é suficiente para deixar os arquitetos do mundo desenvolvido sem trabalho e eles aos poucos vão se abrindo para oportunidades d’além mar.


parece 2009 mas pode também ser 1929, tão parecidos são os cenários de agora e os de 80 anos atrás.

entre 1929 e 1936 apareceram no Rio de Janeiro Le Corbusier, Marcelo Piacentini, Frank Lloyd Wright e Eliel Saarinem. Quem acha que Corbusier foi só dar umas palestras ou FLW foi só julgar um concurso não sabe da ferocidade com que arquitetos deste porte se dedicam a conseguir grandes projetos. Dão até murro nos outros e talvez por isso sejam tão bem sucedidos na nossa charmosa mas carnívora profissão.

coincidentemente, Libeskind e Sejima só foram dar uma palestra depois de ter visto as imagens do novo prédio do Siza que, ao contrário de Bernard Tschumi e Jean Nouvel, provou ser possível realizar um projeto de altíssimo nível no Brasil. Que eu me lembre o primeiro deste porte desde que Corbusier percebeu que não podia mais chamar de seu o prédio do MEC.

então acho que cabe celebrar o fim desses 70 anos de auto-isolamento buscando perceber que a boa arquitetura tem um poder enorme de disseminação e tanto Siza quanto futuros H+dMs ou Koolhaases ou Pianos ou Saanaas podem contribuir enormemente para ventilar a arquitetura brasileira. Da mesma forma nossos arquitetos tem tido uma presença muito maior no cenário internacional que acabam gerando obras pelo mundo a fora.

usando de todo o meu otimismo disponível eu diria que a novíssima geração brasileira tem tudo para se libertar de antigos dogmas e pensamentos mofados de forma a juntar o melhor da brasilidade com o melhor da universalidade,

como fizeram de maneira tão eficiente os moços de mil e novecentos e trinta e poucos

7 comments:

Ricardo Rossin said...

Concordo contigo Fernando...

juliana m. said...

Nossa, Fernando, sem palavras pra dizer como gostei desse texto. Nunca havia me ocorrido essa relação da depressão com o modernismo no Brasil. Achei incrível.

abraços

Max said...

inch'allah!!

Fernando L Lara said...

pois eh Juliana, eu achei muita coincidencia todas essas estrelas indo "passear" no Brasil logo no inicio de uma longa recessao nos EUA e na Europa e me ocorreu a ligacao direta com 1929/30 porque Frank Lloyd Wright por exemplo era um dos que nem dava bom-dia a quem fosse lhe conseguir um projeto

Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

Mas o Brasil tinha que ter aproveitado o dólar baixo e o "boom" da construção civil e ter proporcionado esses "passeios" há mais tempo. Antes agora do que nunca.

Dois exemplos de como esse intercambio arquitetônico poderia ser empregado: na revitalização, reforma, requalificação dos Mercados Distritais de Belo Horizonte e pelo Poder Judiciário Mineiro.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais tem mais ou menos 400 milhões de Reais que seriam empregados na construção da nova sede do Tribunal mineiro. A obra está suspensa devido a crise, ao pagamento de salários atrasados aos funcionários do Judiciário, à necessidade de investir nas comarcas do interior... Enfim, o TJMG está avaliando melhor a utilização desse dinheiro: como, onde e quando. Atitude louvável.

Mas caso o TJMG justificadamente decida empregar esse dinheiro na construção civil, parcerias como a ocorrida no MEC (RJ) poderiam ser incentivadas e espalhadas por toda Minas Gerais, nas sedes de comarcas e na própria sede do TJ.

Em relação aos mercados distritais, praticamente todos estão abandonados e depredados. Uma iniciativa de re-utilizar esses espaços através de bons projetos arquitetônicos seria bem vinda.

Então, que venham mais e mais bons arquitetos etrangeiros. Não só em tempos de crise, mas com frequência.

Como a Juliana, também gostei do texto.

Anonymous said...

oi fernando...
sobre os herzog: http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/176/joao-sayad-cogitou-chamar-jovens-arquitetos-para-o-projeto-da-117258-1.asp
e aqui dá pra ver a opinião de alguns brasucas...

quanto ao seu texto, parabéns. é isso aí.

Anonymous said...

bom mesmo o texto!
enfim descobri seu blog. Dona Eliana me falou dele, mas só agora, quando recebi o convite para a palestra do Charles Correa, vi o link do projeto toró, entrei e encontrei os outros!
abraço,
robin