Thursday, March 5, 2009

em solidariedade aos excomungados


cheguei ao Brasil hoje e já no avião do Rio para BH leio sobre o caso menina de 9 anos que engravidou ao ser estuprada pelo padrasto. E eis que no meio de toda monstruosidade a mãe da menina resolve fazer o que eu acho absolutamente correto: conseguiu autorização judicial para realizar o aborto, e assim procederam.

ora convenhamos, um aborto implica traumas físicos e de consciência, mas a última coisa que essa menina que já passou por tanto abuso precisa é de correr mais risco e a gravidez antes de estar o corpo preparado é fisiologicamente arriscada pra não falar do absurdo psicológico que é a maternidade aos 9 anos.

mas não é que o bispo de Recife decide excomungar a mãe, o juiz e os médicos que participaram do procedimento. Senhor bispo, se ainda não percebeu, o aborto no caso de incesto ou de risco de vida da mãe é legal nesse país, e nesse caso cabiam ambas as prerrogativas.

e para usar uma ótima estória bíblica, que atire a primeira pedra aquele que nunca teve um aborto na família. Ou melhor, dado o caminho da irrelevância que a igreja escolheu depois de massacrar a Teologia da Libertação, pode me excomungar também senhor bispo, não vai fazer nenhuma diferença, nem pra VSa e nem pra mim.

24 comments:

Max said...

apareceu um movimento "eu também quero ser excomungado", e eu vou acabar me filiando a ele.
É um absurdo um discurso desses do Bispo em pleno séc. XXI...

Ricardo Rossin said...

Não dá para aceitar isso de excomungar o pessoal...A menina tinha essa direito...com tudo o que sofreu!!

Isadora said...

Aderi à campanha! Tantos abusos contra a pequena que merece apenas ser uma criança de nove anos.

Pai dos trigemeos said...

tambem pedi minha excomunhao

Alberto said...

A excomunhão é um despropósito, uma aplicação exagerada e equivocada de um princípio, entretanto, correto.

A menina não precisa se preocupar com a excomunhão, anyway. Tem a vida inteira pela frente pra salvar sua alma. Nenhum padre tem autoridade acima da do próprio Deus, e Este, tem uma capacidade infinita de reconciliação.

Em matéria de religião, isso é tudo.

+ + + + +

Já em matéria de política, a pantomima de sempre: o (ab)uso do caso específica pela bandeira do aborto amplo, geral e irrestrito.

A Igreja não legisla, caso alguém não tenha percebido.

É o Estado que decide, em sintonia maior ou menor com a clientela, o que é permitido.

Ou seja, para quem não é católico, não há motivo para tanta gritaria, revolta e indignação. E claro, dispensa-se a patetice de solicitar a excomunhão de quem em nada comunga com a Igreja.

Como se fosse para a Igreja que fosse fazer falta.

Ana Guimarães said...

Ei, Fernando!
Um amigo meu escreveu um texto interessante sobre o assunto, e publiquei lá no blog: http://nomeiodemim.blogspot.com/2009/03/outro-mais.html

Beijo!

Fernando L Lara said...

aos amigos revoltados com o deproposito do bispo, saudações. Se fico tão frustrado com uma igreja cada vez mais retrógrada é por acreditar que esta mesma igreja poderia ter um papel importante na melhoria da qualidade de vida do brasileiro e não o faz por ideologia.

gosto quando o Alberto se pronuncia aqui contra o aborto e acho que a maioria dos brasileiros até concorda com ele, por isso o Estado ainda não comprou essa briga pra valer. Mas insisto no direito da mulher sobre seu próprio corpo e na hipocrosia de uma sociedade que é contra o aborto em público e o faz em particular. Por isso a posição aberta e franca do Alberto é louvável.

mas meu caro Alberto, me responda, qual o pecado dessa criança de 9 anos que faz com que ela precise do resto de sua vida para salvar sua alma?

Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

Sem falar que o aborto não só teve o amparo da Justiça mas, antes disso, da legislação brasileira.

E a menina se enquadrava em todos os requisitos legais que permitem o aborto: notadamente o estupro e o risco de vida da gestante.

E mais, até onde eu sei, o Brasil é um país laico.

Alberto said...

Vamos nós, como sempre, a princípio, começar pelo que eu NÃO escrevi.

Não escrevi que a menina precisa do resto da vida para salvar sua alma. Eu disse que ela TEM o resto da vida para salvar sua alma, o que pode acontecer, inclusive, sem que ela tome muita parte nisso. É uma questão de quem cre em Deus e na sua misericordia - que se extende a quem Ele bem entender.

Quanto ao direito da mulher de decidir "quanto ao próprio corpo", vou do mais periférico ao mais central, na ordem:

1. Se fosse uma questão realmente relativa ao corpo - não é - estariamos longe de configurar aí uma excessão na nossa cultura.

Vivemos em um mundo no qual é obrigatório usar cinto de segurança, é proibido o uso de drogas, e o suicídio. Não proibido, mas claramente condenado pela sociedade, o uso do corpo como mercadoria sexual, e o emagrecimento a ponto de se tornar um risco para a saude.

Então, calma lá:em uma sociedade civilizada, ou para ser mais claro, quando um grupo de pessoas decidem conviver em sociedades, é comum a criação de regras e limitações em função de suas crenças e valores - E SEMPRE MUITAS DELAS DIZEM RESPEITO AO USO DO CORPO. E ninguém vê nada de mau nisso.

Mas vamos ao que interessa:

2. Um bebê em gestação não É o corpo de uma mulher, ESTÁ no corpo de uma mulher. Caso contrário, o parto seria uma mutilação, não? E como não somos lagartixas ou planárias, não poderiamos viver separados dele, não, caso fossemos um orgão ou um membro extirpado?

De volta ao básico, portanto, a respeito do feto:

I. Ninguém tem duvidas a respeito de se está vivo ou morto certo? Ninguém discute a condição de fetos mortos. A princípio, portanto, a questão se refere a fetos vivos e saudáveis.

II. Estando vivos, o que é um adjetivo, qual é o substantivo?

Essa retórica pervertida de transformar fetos em alienígenas, em elementos de outra raça que não humana (lembrem-se, se estão vivos e não são humanos, são o que mesmo?!?) parece piada de tão pueril, mas se é o que se discute por aí, vá lá, eu retomo o ponto.

O corolário é obvio: aborto trata-se do assassinato de seres humanos.

A Igreja tem esse hábito arcaico de defender a vida humana como algo sagrado - e se a acreditam sagrada, vocês hão de convir que excessões não são possiveis - então desse mato não esperem coelhos homicidas.

Mas mesmo boa parte do Humanismo laico reconhece a ameaça à civilização da relativização do valor da vida humana - da cogitação, em tempos de paz, em torno de qual vida merece ser vivida ou não. Este ideário teve representantes no século XX, não se esqueçam. Foram julgados em Nuremberg.

Pra ficar claro, que é sempre preciso: fui a favor desse aborto, pelos agravantes específicos do caso. É o tipo de tragédia - o estupro e a gravidez - que nos impõe a difícil escolha entre dois males.

Mas não se pode celebrar como uma vitória da razão o assassinato de dois bebês inocentes que nada tem a ver coma história. Aliás, nem a conhecerão.

Pode não ser um crime perante a lei, mas nos diminui a todos enquanto homens, enquanto civilização. O que é muito, muito pior.

Fernando L Lara said...

Alberto meu caro,

nao quero alongar muito esse assunto mas seu argumento tem dois problemas graves. A ideia da mulher como apenas um veiculo transitorio eh um deles. Maternidade (e paternidade) eh muito mais que simplesmente gerar um novo corpo e quando despreparados as consequencias sao terriveis para todos os lados. E a segunda questao eh que quem defende o aborto nao defende que todo mundo aborte. Quem for contra que nao aborte, o que eu defendo eh o direito ao aborto e que a escolha seja de cada mulher e nao do bispo, que alias eh quem menos deveria entender de questoes ligadas a procriacao da especie humana.

Horizontes Arquitetura said...

Caros,

Minha única forma de expressar opinião sobre este bispo é o desprezo. Em nosso mundo prático, excomungados ou não vamos continuar trabalhando e se tudo correr bem, sempre que nos defrontarmos com o problema parecido com o da menina de 09 anos a razão triunfará. Que o bispo excomungue o mundo inteiro, os o que não são cristãos já não se importam e pelo visto os cristãos com a cabeça no lugar também não.

Abraços,

Horizontes Arquitetura said...

O comentário acima é meu. Gabriel Velloso da Rocha Pereira.

Alberto said...

Fernando

Quanta contradição para uma resposta tão curta. E apontá-las é uma questão, nesse caso, literalmente "vital".

Sou o primeiro a reconhecer que uma gravidez "eh muito mais que simplesmente gerar um novo corpo". Ou seja, PIOR AINDA!! Você mesmo disse aqui, quando calhou à sua retórica, que "um aborto implica traumas físicos e de consciência". CONCORDO INFINITAMENTE!!!

Mas o que isso quer dizer afinal?

Se

1. Uma gravidez é MUITO MAIS que carregar um corpo (obrigado por concordar que É carregar um corpo, aliás)

2. Um aborto causa sem dúvida traumas físicos e mentais praticamente insanáveis

3. E claro, de quebra, GARANTE o destino terrível de que você aparente tem medo para todos - MORTE para um lado, TRAUMA PARA O OUTRO.

Então que humanismo é esse? Que vitória da "razão" é essa?

Uma coisa eu garanto a vocês: toda vez que apostarem na retórica "Lógica x Cristianismo", podem saber que vão perder - e estarei sempre que possível presente para cantar a vitória.

A filosofia cristã tem a mais cristalina lógica que vocês podem procurar. Mas para isso, precisam parar de dar palpites sem conhecê-la. Leiam Chesterton, que dá e sobra.

E de resto, não é o padre que fez a escomunhão. A excomunhão é automática. Ele apenas a anunciou - o que como já disse foi despropositado pelo contexto.

E só mais uma coisa, já que agora eu é que não quero me alongar:

Se aborto for facultativo, porque não assassinato? quem for a favor que mate o seu próximo é isso? O bispo nã tem nada a ver com isso não é?

Eis o novo Humanismo. Ok, é mentira. Ele é bem velho. Robespierre, Stalin e Hitler já usaram e abusaram dele.

Fernando L Lara said...

Alberto,

essa logica catolica eh a mesma que diz que a maquina de lavar fez mais pelas mulheres que qualquer outro avanco do sec XX?

http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mulher/mat/2009/03/09/maquina-de-lavar-fez-mais-pela-mulher-do-que-pilula-754754629.asp

isso mostra uma total e completa desconexao com o mundo real ou voce vai dizer que faz parte de um humanismo velho e um preconceito da midia, mesmo conservadora como O Globo?

Alberto said...

Tem gente que para se informar sobre o Cristianismo lê a Biblia.

Se não a compreende, o que é provável em primeiros contatos, pode recorrer a clássicos da teologia como a Suma Teológica, ou a Cidade de Deus, escritos por nada menos que santos.

Caso ainda não tenha entendido nada, pode inverter e começar debaixo pra cima, lendo o que grandes escritores laicos escreveram sobre o Cristianismo, como G. K. Chesterton ou C.S. Lewis.
Estes, em brilhantes ensaios, demonstram a lógica interna da filosifia cristã em relação ao mundo.

E por fim,tem gente que se informa sobre a estrutura filosófica da Igreja Católica pela Globo.com.

Claro, sequer se dá ao trabalho de ler a tal matéria no veículo em que saiu, preferindo, como sempre, o alinhamento automático com a manada anticlerical. Fazer o que né.

É tão difícil assim entender a diferença entre o que é a Lógica dentro da Filosofia Crsitã - baseada em Princípios imutáveis ao longo dos séculos - e as interpretações específicas que cada um tem dessa filosofia ao longo do tempo?

Você ao menos chegou a verificar quem escreveu o texto? É assim que você lida normalmente com os dados com que trabalha? Curiosidade.

Quanto ao conservadorismo da Globo - esse jornalismo que se refere a Fidel Castro como "presidente" e até hoje se refere ao "suposto" mensalão, para dar poucos exemplos - é melhor deixar para os diretamente envolvidos:

http://www.olavodecarvalho.org/semana/090113dc.html

E last, but not least: a máquina de lavar é obviamente um símbolo, de um mundo que começou a considerar as demandas femininas e a a atendê-las.

Basta comparar coma cultura islâmica, cujo mercado interno não fabrica 1% das coisas que hoje melhoram a vida da mulher simplesmente porque who gives a damn bout them anyway.

A lavadora não é causa, mas consequência, representa a transformação da sociedade - através do mercado -do papel da mulher na sociedade. Só não v~e quem não quer.

Agora "Qual é a maior conquista" da mulher no ´seculo XX é uma pergunta tão futil, e inútil que deve ter saido na Capricho.

Você também se informa sobre o Cristianismo na Capricho?

Fernando L Lara said...

Alberto meu caro,

O seu texto acima, cheio de ofensas, me parece apelativo demais paras er respondido. Voce e Olavo de Carvalho representam a extrema da extrema direita que eu leio de vez enquando para entender as fantasias do pensamento conservador radical. Talvez 1% da populacao mundial concorde completamente com essa perspectiva enquanto outros 1% sao stalinistas ate hoje. Desculpa mas nao da pra continuar conversando assim.

Alberto said...

Vou te dizer, também encerrando, porque que não dá pra continuar conversando assim.

Não dá, Fernando, porque você não se dá ao trabalho de discutir honestamente. Você é absolutamente impermeável ao debate.

É uma tentativa, da minha parte, incirvelmente frustrante, de encontrar um denominador comum para conceitos, sobre os quais poderimaos argumentar. Mas a gente não chega lá, nunca.

Não concordamos sobre o que é vida, sobre o que é liberdade, sobre o que é democracia. Sem um acordo mínimo sobre esses conceitos, como podemos discutir?

Ma você não quer debater nada, esse é o ponto: quer defender uma ideologia que você se alinho sem refletir sobre ela e sem se informar direito, me desculpe. Você é incapaz de responder um mísero argumento. Tem umas 50 perguntas sem respostas acima, abaixo, ao longo da nossa relação. Você a sabandona sem resposta porque não sabe responder.

E não sabe responder porque não refletiu o suficiente, não estudou o suficiente. Odeio dizer isso, não quero posar de esnobe, mas o fato concreto é que você não consegue debater.

Diz, por exemplo que a ultima resposta está cheia de ofensas. Não está. Me mostra uma, e eu peço desculpa spublicamente, aqui e no meu blog, e não te encho nunca mais. Não tem. Nem uma. Tem perguntas.

Ácidas, sem dúvidas. Mas pertinentes ao tema.

Infelizmente, você fantasia a respeito de uma extrema direita, que até exsite, mas não é a minha nem de olavo de carvalho. É só direita. Conservadora. Mas conservadora da civilização.

Essa direita que você se recusa a ouvir, a conhecer, a debater. Infelizmente. o azar, pessoal e intransferível, é só seu.

Fernando L Lara said...

o que me entristece Alberto eh que esse seu entusiasmo so se revela nos debates direita vs esquerda, com particular enfase na questao do aborto. Eu nao vou mudar minha defesa incondicional da escolha. E comigo estao a imensa maioria das pessoas com nivel mais alto de escolaridade. No caminho natural das ideias eh uma questao de tempo ate que essa forma de pensar contamine a classe media e se torne politica de estado, a nao ser que tenhamos uma revolucao fundamentalista no Brasil como a Iraniana de 79 ou um golpe conservador como o de 64.

mas me entristesse tambem o fato de que deviamos estar discutindo arquitetura porque nao sendo teologos nem advogados nem medicos nossa contribuicao a questao do aborto eh absolutamente periferica.

carlos said...

alberto e fernando, confesso que li seus posts só por alto, mas mesmo assim, fui informado por fonte fidedigna que no caso de aborto a excomunhão é automática, não precisa ser pronunciada por ninguém. abraços, carlos

Alberto said...

Pois é Carlos, é isso mesmo. Até cheguei a comentar isso em algum lugar acima.

Deve ter escapado à "imensa maioria das pessoas com o mais alto nível de escolaridade".

Mas isso é detalhe, né. O futuro está garantido por esses iluminados - os quais obviamente não me incluo, já que não me alinho às suas preferencias, por assim dizer, morais - e nele esse debate sobre aborot estará superado. As mentes se abrirão para o assassinato útil, como um triunfo da razão. (Nossa, já não vi isso em algum lugar do século XX?)

Sou ignorante, burro, e obsoleto - se é que consegui entender nosso intelectual colega - e devereria me restringir a me manifestar sobre a arquitetura, que é onde a minha deficiência no nível escolar aparenta ser menos prejudicado, segundo os futuros líderes da humanidade.

Como se a arquitetura não fosse condicionada pela cultura. Ma quem sou eu pra questionar os Iluminados de Ann Harbour.

Fernando L Lara said...

o Alberto, voce ataca como um pitbull e depois se defende como se estivesse sendo jogado aos leoes. O meu ponto eh que a sua posicao eh extrema, a grande maioria das pessoas tem uma visao muito mais moderada da questao, e eu acho que o extremismo so gera mais extremismo.

e quanto a arquitetura (vou deixar de lado todas as alfinetadas), eu queria sim que mostrassemos todos o mesmo entusiasmo. No final, esquerda e direita sao visoes de mundo diferentes que se impoem muito mais pela eficiencia dos marqueteiros politicos do que pelo nivel do debate. Onde podemos fazer alguma diferenca eh na nossa area.

alem do mais, seus textos de arquitetura sao na minha opiniao bons de verdade, bem embasados, bem argumentados e criticos na medida certa. Nem parecem escritos pela mesma pessoa que se mostra tao radical quando o tema eh aborto ou o PT.

Ana Paula said...

Fernando,
não quero alongar a discussão, apenas me declarar inteiramente de acordo com sua posição. Não que você precise do meu apoio, claro, nós nem nos conhecemos, mas me deu vontade de me juntar claramente às estatísticas dos que pensam como você. Grande abraço.

carlos said...

além de tudo, o que tem esquerda e direita a ver com ser contra ou a favor do direito de poder recorrer ao aborto? Eu acho que aqui as pessoas fazem uma grande confusão. Do tipo, eu posso inferir, por exemplo, que as pessoas de direita aprovam a arquitetura espetacular pq ela tem tudo a ver com o capitalismo ao manifestar o poder da grana. ou que ela é de esquerda pq tem tudo a ver com esses adoradores da razão e da tecnologia (em oposião à religião - como se as grandes catedrais não tivessem demandado tecnologia para serem construídas) - e da tecnologia.

carlos said...

ooops, favor cortar o "- e da tecnologia." q ficou a mais no final do comentário.