Friday, February 13, 2009

razoes do sucesso

acabei essa semana de ler “Outliers, the story of success” de Malcolm Gladwell. O livro cumpre um papel importante ao desmontar a idéia de que apenas o talento e o esforço individual seriam capazes de alavancar alguém a posições de sucesso. O autor demonstra com vários exemplos interessantíssimos que o sucesso é quase sempre uma combinação de muitas oportunidades aproveitadas com algum talento. Gladwell não usa a expressão “capital social” ou “capital cultural” mas usa do mesmo argumento o tempo todo para mostrar que o fator que mais influencia o desempenho de crianças semelhantes é a escolaridade dos pais.

ao discorrer sobre Bill Gates e outros gênios da informática Gladwell demonstra como o acesso a computadores no inicio dos anos 70 (quando eram raros e seu uso era cobrado por hora) permitiu que esses então adolescentes acumulassem milhares de horas de prática antes mesmo de se graduarem.

várias vezes no livro Gladwell se refere a 10.000 horas como um número mágico a partir do qual o sujeito atinge um nível superior no exercício da sua profissão seja ela programar computadores, tocar violino ou jogar basquete.

o que significariam então essas 10.000 horas no caso da arquitetura. Dado que nem todo tempo passado diante da prancheta ou do computador se traduz em prática criativa, vamos dizer que um jovem arquiteto passa, na melhor das hipóteses, 3 horas por dia efetivamente projetando. Com isso seria preciso 3300 dias ou cerca de 10 anos de trabalho ininterrupto para se alcançar esse almejado patamar superior que um jogador de futebol alcança por volta dos 25 anos e um violinista por volta dos 30.

por isso vale insistir no rigor da prática de projeto desde a escola. Semanas atrás uma colega que conhece muito de arquitetura brasileira e latino-americana me perguntava porque a arquitetura da Argentina, do Chile ou até da Colômbia parece alcançar resultados tão melhores, na média, que nossa amada e celebrada arquitetura brasileira.

fiquei com essa pergunta ressoando por vários dias até que o livro de Gladwell me deu esse insight: o rigor das escolas de arquitetura desses países (notadamente mais intenso que das nossas) dá aos alunos mais talentosos uma grande vantagem prática, eles acumulam boa parte dessas tais 10.000 horas ainda na escola passando o dia inteiro no studio, oportunidade que infelizmente está sendo negada a grande maioria dos acadêmicos de arquitetura no Brasil.

6 comments:

Henrique said...

Gostei disso, tendo uma meta fica mais facil!
10.000 horas então né,
ok
nos vemos em 10 anos!
=D

Ana Paula said...

Como professora na faculdade de arquitetura, aqui no Rio de Janeiro, eu não poderia concordar mais.

Isadora said...

Oi Nando,
Saudade...
A escola de arquitetura aqui está sendo apedrejada pelo Estado de Minas... Ainda bem que esse jornal é pouco lido.
Beijos

Ricardo Rossin said...

Nossa 10.000 horas...Legal isso...E na verdade acontece isso mesmo, pois a parte de criação mesmo é muito pouco em relação ao trabalho "braçal". Mas será que nesse trabalho braçal não estamos também desenvolvendo algo??

Alberto said...

Muito legal. Mas acho importante que uma boa parte dessas 10.000 horas seja de leitura gráfica de outro projetos, entendendo a lógica dos projetos por dentro.

De preferência, com a oportunidade de discutir as soluções com alguém.
De fato nada pode ser criado sozinho em arquitetura.
Só uma ressalva: para as grandes obras, talento é, sempre foi. fundamental. O que não esclui todo oresto, claro.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

Interessante.

Mas ainda bem que toda regra tem exceção, pois espero ser um bom arquiteto urbanista antes do prazo(rs.). Tive que enlatar o riso, nas palavras de José Simão.

Abraços.