Wednesday, July 23, 2008

the oxford debate

o debate que abriu a conferência de Oxford foi curioso, talvez até inusitado eu diria.

a provocação inicial (a pratica da arquitetura estaria melhor com ou sem escolas?) foi apresentada por Peter Buchanan com argumentos interessantes: excesso de teorização pós-estruturalista, deficiência da capacidade de desenho, pouco conhecimento tecnológico e por aí vai, nós sabamos de cor os defeitos do ensino contemporâneo.

mas a resposta de Peter Cook em defesa das escolas foi muito mais sofisticada: a começar pela criação das instituições de ensino no final da idade média passando pelos avanços que a sistematização do conhecimento trouxe para a humanidade.

e Jeremy Till deu o golpe de misericórdia ao perguntar: se não tivermos escolas de arquitetura teremos o quê? Corporações de ofício formando aprendizes? Isto seria voltar ao tempo em que havia apenas treinamento, educação é outra coisa, implica questionar, pensar.

mas ao longo do dia de ontem as críticas voltaram a recair sobre o ensino atual. Christopher Alexander abriu o dia com uma apresentação péssima, mal articulada, mal pensada. De que planeta veio esse cara e como ele conseguiu ser tão influente sendo tão confuso?

Richard Lorch fez na miha sessão uma brilhante defesa da necessidade de se trazer a pesquisa pra próximo do ensino de graduação para que os arquitetos possam ter um diálogo melhor com os outros profissionais da construção.

e o dia acabou com uma recepção oferecida pelo príncipe de Gales em que foi lido um texto dele mesmo, o Charles, defendendo uma volta aos valores tradicionais como forma de enfrentar os desafios do aquecimento global.

em resumo, a velha geração está tao encastelada em suas velhas e desgastadas verdades que não consegue nem perceber a velocidade com que as coisas mudaram nos últimos anos.

6 comments:

.cleozinha. said...

E a sua apresentação? Conta pra gente! Beijo!

Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...
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Marco Antonio Borges Netto - Marcão - revistacrise@email.com said...

É mesmo. Conta aí o que você falou.
Mas acho que o ensino tá em crise também pela forma como o mercado vê o profissional arquiteto urbanista e como os formandos são preparados para o mercado.
Hoje em dia, qualquer um constrói e reforma.
Já disse isso, mas devemos convencer economicamente as pessoas de que é mais vantagem contratar um arquiteto urbanista a construir sozinho.
O bolso pesa mais que qualquer coisa. Que o diga a "Lei Seca", por exemplo.

Mário do Val said...

Levanto a bola: se as escolas de arquitetura são o berço de qualquer coisa erguida por um arquiteto nos últimos 200 anos, porque há tanta dificuldade em aplicar os pensamentos e conhecimentos construídos dentro delas na cidade de hoje? Por que há tanta dicotomia entre o que aprende-se e, principalmente, pensa-se na escola e projeta-se na prática?

Será que as escolas deveriam ser mais realistas ou a cidade mais utópica - ou acadêmica?

Ricardo Rossin said...

Não acredito no desenvolvimento correto de um profissão sem a escola como base. Isso seria utopia. Agora pensar em melhorias, isso é verdade, mas partiremos da onde? Professores? Método de ensino? Teoria e Pratica juntas? Realidade ou utopia? Se começarmos a discussão não acabará tão cedo!!!

Fernando L Lara said...

meus queridos,

acabei de chegar de volta e estou achando esta discussão otima. De certa forma é uma redução ao absurdo, imagina-se extinguir todas as escolas para depois perceber o que merece ficar e o que merece ser mudado. Agora que a dedicação exclusiva das melhores escolas não ajuda, isso não dá pra negar. Como conciliar pesquisa e prática em busca de uma escola melhor?