Tuesday, May 13, 2008

triste tradição


durou até muito, quase 1000 dias, a nossa ilusão de que ganhar um concurso de arquitetura significa a possibilidade de ver a obra construída. Como em tantos outros inúmeros casos, o concurso nacional para a sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) foi anulado depois de 3 anos de trabalhos, dezenas de reuniões com os órgãos de patrimônio, modificações, mais reuniões, orçamentos, projetos complementares, liminares na justiça, mais reuniões, mais modificações para no final todo este trabalho ser jogado no lixo e um novo projeto ser contratado com o arquiteto Gustavo Penna.

não cabe aqui discutir os méritos do Sr. Penna para este ou qualquer outro projeto, nem os meios pelos quais um projeto objeto de concurso público acaba na prancheta de outro arquiteto, quem quer que seja.

interessa sim lutar pelo fim desta triste tradição em que concursos públicos de arquitetura são rasgados sem o menor constrangimento. E os órgãos de classe, no caso o IAB-MG que promoveu o concurso, até agora manteve-se silencioso mesmo depois de interpelado por alguns de seus membros menos acomodados.

pra nós da equipe vencedora do concurso resta perguntar ao sr. governador-candidato-a-presidente: se era para contratar o projeto com um de seus favoritos, pra que dar essa volta toda e gastar 1000 dias de trabalho de tanta gente, dentro e fora do seu governo?

e ao já consagrado arquiteto Gustavo Penna vale perguntar por que se prestar a um papel horroroso desses? Será esse o único caminho para uma carreira de sucesso?

triste tradição, a arquitetura merece mais respeito



ps: domingo tem encontro de blogueiros arquitetos em São Paulo, mais informações em breve.

12 comments:

Ricardo Rossin said...

Triste notícia. Tem coisas que não da para entender.Quando tiver um tempo entra la no meu blog. fiz um post sobre o concurso do Sebrae..

ps. Se eu tivesse em São Paulo, queria ir nesse encontro...rs..

luciano l. basso said...

Bah Fernando que péssima notícia... e o pior é que esse tipo de desrespeito é tão comum no Brasil que realmente já é uma tradição.

Será que alguém sabe informar quantos projetos frutos de concursos públicos do impotente (ou seria inoperante) IAB realmente foram construídos?

armário da fla said...

Oi Fernando, tenho passado ultimamente por seu blog, mas acabo não deixando comentário nenhum. Na verdade queria te mandar um email longo, afinal este meu novo blog (armário em movimento) não se presta para este tipo de correspondencia.me manda um email para armarioemmovimento@gmail.com para eu saber o seu.
Mas desta vez fiquei tão indignada que queria dizer: "que putos!"

beijos para toda sua familia linda, (vi que bebe flor nasceu, parabéns)
Flávia

Marcus said...

O desrespeito aos vencedores é vergonhoso e indecente.A credibilidade desses concursos cada vez mais cai por terra, se é que já não caiu.
E a postura do Gustavo Penna é realmente lamentável!

Fernando L Lara said...

a todos os que comentaram e aos que nao comentaram mas se indignaram assim mesmo, o meu agradecimento pelo apoio. Que venham tempos melhores em que a arquitetura resgate a dignidade.
Fernando

Mário do Val said...

É triste mesmo. Aqui em SP tem os famosos casos do Bairro Novo e do prédio dos Correios.

Acho que isso acontece por uma falta de cultura de concursos e, portanto, falta de respeito pelos vencedores. Acontece que, como são poucos, os concursos acabam sendo renegados pela maioria dos arquitetos pois representam muito trabalho sem garantia alguma de retorno. É uma escolha arriscada, tanto para o promotor quanto para o arquiteto - em especial, o vencedor.

Ainda assim acho que concursos deveriam ser o carro chefe das obras institucionais e urbanas no Brasil, a exemplo de outros países. Eu sei que na Colômbia é feito um concurso para praticamente cada obra pública que é lançada. Acaba que os escritórios sempre se envolvem e conseguem fazer desses projetos uma fonte de renda.

Além de ser uma opção pela qualidade, outra coisa boa das competições é a possibilidade de comparação e de auto-crítica que pode ser feita quando participamos deles.

E só um detalhe: eu não crucificaria o Penna dessa forma. Não foi ele que anulou o resultado. O que poderia-se esperar é um posicionamento dele em relação ao fato de JÁ existir um projeto para o qual ele foi contratado.

Enfim, sou solidário e fico indignado com a postura do governo de MG!!!

Alberto said...

Fernando, o convite tá on-line já no architecture! E vocês, amigos, compareçam!

Sobre concursos: no fim da década de 90, não lembro o ano, participei do concurso do monumento aos Imigrantes, na rodovia homônima. Ganhou o Marcos Cartum, com um projeto que era literalmente uma chapa quadrada de aço com um vertice cravado no chão. Mais simples impossível.

Nem isso construiram. Depois desse, desanimei. Até hoje não entrei em mais nenhum.

juliana said...

Que tristeza. No Brasil não sei, mas em BH não dá mais prá acreditar em concuros, até porque nem a sede do IAB daqui, que foi concurso, chegou até o projeto executivo e tudo, não saiu da prancheta. Vergonha.

colega said...

Nando, boas notícias no Horizonte: se o Gustavo levar isso pra frente, será processado criminalmente. Será o fim da farra do Gustavo. Sua equipe pode se animar, há base jurídica para tal.

colega said...

"já consagrado arquiteto gustavo penna"...
será que dá pra tirar isso do ar?
dá náuseas...

Horizontes Arquitetura said...
This comment has been removed by the author.
Marcelo Palhares Santiago said...

Fernando, ficaram algumas dúvidas.
Os contratos de concursos garantem aos vencedores o direito de refazer o projeto para outro local? Mesmo que o proj. executivo já tenha sido feito e pago, os vencedores têm garantia legal de fazer o projeto em outro local?
Caso os concursos não garantam esse direito, o que estaria errado agora seria o fato de não haver licitação para escolha do novo arquiteto.
Ou teve interferência deste arquiteto para determinar o fim do processo? bom... várias dúvidas para um concurso que já começou errado (por interferências políticas do Sr. governador/candidato). Acho que o IAB deve ser manifestar urgentemente, e caberia também uma carta aberta dos autores! abraço e boa sorte!