Monday, September 7, 2009

ainda sobre elas - still about women

na semana passada escrevi sobre um tema que me parece atualíssimo e importantíssimo: o fato da arquitetura formar uma maioria absoluta de mulheres e ter entre seus profissionais mais reconhecidos quase que apenas homens.

apenas dois leitores se manifestaram, ambos homens por incrível que pareça.

então aqui vai a guisa de provocação uma lista de mulheres arquitetas excepcionais para que ninguém nunca mais engasgue e fique contando nos dedos quando perguntado sobre as arquitetas de destaque.


ou será que as leitoras desse blog vão ficar quietas diante dessa resposta infame do Robert Stern (diretor da escola de Yale, imagine!!!) sobre o assunto:


Annabelle Selldorf
Denise Scott Brown
Elizabeth Diller
Eileen Gray
Gae Aulenti
Kazuyo Sejima
Julia Morgan
Lina Bo Bardi
Lindy Roy
Monica Ponce de Leon

Patricia Patkau
Winka Dubbeldam


e como bem lembrado pelos leitores:
as reminded by the readers:

Zaha Hadid
Carme Pinos
Ray Eames
Tatiana Bilbao
Tina Manis


last week I wrote about what I consider to be a very contemporary and important problem: the fact that in archietcture we now graduate a mojority of women but there are so few of them among the most famous architects.

only two readers commented anything, both male. So here goes a list as provocation: exceptional women architects links provided so that nobody gasps the next times he or she is asked about the best female architects.

or will the female readers of this blog agree with this infamous answer by Robert Stern when asked about this issue?

29 comments:

Ana Paula Medeiros said...

Fernando, eu li o último post, fiquei cozinhando coisas pra dizer na cabeça, mas entre as correrias todas, não deu tempo. Nessa sua lista aí, assim só de uma olhada rápida, faltou o nome da Zara Hadid.
Confesso que não conheço algumas das que você listou, vou aproveitar e olhar. Quanto ao Robert Stern, também não li (ainda). Conforme for, depois eu volto. Beijo grande.

Fernando L Lara said...

aha!!! sabia que você comentar mais dia menos dia.

Então Ana, na sua opinião, porque a arquitetura não tem ainda uma participação feminina mais condizente com o século XXI?

ps: ok, faltou a Zaha, vou corrigir.
F.

Marcelo Palhares Santiago said...

O pior é que desta lista de consagradas grande parte é desconhecida para a maioria dos arquitetos. Eu, por exemplo, só conheço 4 da lista, e uma delas eu pensava que era homem...

felipe botelho said...

Oi fernando!

Só conheço 4 da lista também (incluindo a Zaha).

Acrescentaria à lista a mexicana Tatiana Bilbao e Tina Manis (que trabalhou com Koolhaas).

http://www.tatianabilbao.com/
http://www.tinamanis.com/

Felipe.

felipe botelho said...

ps. eu achava que a Eileen Gray era designer!

Marcelo Palhares Santiago said...

Uma breve busca no Wiki (http://en.wikipedia.org/wiki/Category:Women_architects) mostra uma grande lista de ilustres desconhecidas, mas lembra outros nomes importantes:

Carmen Pinós
Ray Eames

Detalhe, ambas consagradas pela parceria que tiveram com seus maridos...

Fernando L Lara said...

Como é que eu esqueci da Carme Pinos e da Ray Eames?!!! Vou update a lista hoje a noite.
F.

KSH said...

Excellent discussion, Fernando.

I have always grappled with this question of "women in architecture?," not so much in terms of where or who are they, but more so in the context of patriarchy and its practice of assigning "softer portfolios" (interior design, landscape design, architectural conservation) to women and "harder counterparts" (urban design, architecture, architectural engineering, construction) to men.

Because the latter practices have come to define the mythical "mainstream" in architecture, men too have traditionally enjoyed greater visibility. If indeed it is visibility or the lack thereof that is at the core of the question of "women in architecture," then we might benefit by redefining what we mean by visibility.

I would argue that visibility is not about presence alone. It is also about the presence of absence where, absence is not what is not visible but what is not given thought. As Marvin Malecha once commented, it is time we re-termed architecture as architectureS (plural): meaning there are practiceS in architecture.

Seeing through this lens, I am certain we'll be able to make visible all women in architectural "practice." Stern will be amazed.

Cheers!

Kush

gabriel said...

um linque pertinente, do autoproclamado "world's greatest living architectural sociologist" (adoro intelectuais que, para criticar esse blaseísmo idiota dos arquitetos partem para uma abordagem assumidamente "gonzo"...):

http://www.archsoc.com/kcas/ArchWomen.html

KSH said...

To sum up my previous comment:

"Women in Architecture?" is a question not so much about: who or where are they but about: what keeps them from being visible?

What do you say, Fernando?

Kush

Fernando L Lara said...

Kush I agree with you 100%. The question is what kind of smoke is fogging our lenses and preventing women from being visible.

Now a interesting note, we have now 12 comments total on the topic, 11 men vs 1 women. Is the fog working here also?

carlos said...

Oi Fernando!
tem a Benedetta Tagliabue (tudo bem, foi esposa do Eric Miralles)...
abraços

carlos said...

eNric Miralles
ê teclado!

carlos said...

eNric Miralles
ê teclado!

Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

Ok, você venceu.

Não é arquiteta, mas foi a terceira mulher a formar em engenharia no país. A Carmen Velasco Portinho. Que, a propósito, fez misérias em parceria com o Affonso Eduardo Reidy.

E tem também a Janete Ferreira da Costa.

Da próxima vez perguntem ao Stern em que século estamos.

Abraços,

Marcão.

Mário do Val said...

Apesar de correr o risco de passar uma impressão errada, eu vou arriscar aqui uma explicação para o fato, que outro dia andei conversando com minhas colegas de faculdade: o arquiteto demora para amadurecer e se consagrar. Salvo exceções, os arquitetos geralmente começam a alavancar a carreira com seus 40, 45 anos. Isso é comum, e é por isso que os prêmios de jovens arquitetos são para aqueles até 40. É só ver toda a geração do conhecido Coletivo aqui de São Paulo, quase todos além das quatro décadas quando lançaram a exposição. Agora, por que mais homens?

Levando em conta aquela história das 10 mil horas de prática ou aproximadamente 10 anos de trabalho (lembram de um post antigo aqui do Parede?), pode-se dizer que esse tempo para transformar um estudante recém-formado em um arquiteto razoavelmente maduro leva por aí, 10, 15 ou mais anos. Ou seja, dos 25 até os 40. É justamente a idade em que a vida das mulheres sofre uma grande transformação: a maternidade. Desconfio que isso muda o foco das arquitetas e faz com que suas prioridades mudem, enquanto seus pares masculinos se envolvem muito mais com a carreira. Para as mulheres talvez o sucesso profissional seja menos importante que para os homens. E uma vez que todos tem que se esforçar muito para isso - desculpe, ser arquiteto famoso não quer dizer ser gênio - eles acabam levando vantagem.

Isso não significa que mulheres não possam ser excelentes arquitetas, nem que sejam incapazes de se tornarem evidentes. Por favor, não quero ser machista! Apenas que pela relação com a vida delas ser diferente do que a nossa, isso não só as faz impossíveis de entender, mas também as impõe outras prioridades além da arquitetura.

Pergunto: das famosas arquitetas listadas até agora, quantas são mãe?

Max Amaral said...

Fernando, deixa eu colocar um pouco de lenha na fogueira:
sabe quem foi um dos arquitetos mais produtivos nos EUA na virada do século XIX para o XX?
Uma mulher. Julia Morgan. Pois é, ninguém nunca ouviu falar nela.
Ela foi a responsável pelo megalômano projeto da casa do William Randolph Hearst (mais conhecido pela caricatura dele feita em Cidadão Kane), que demorou 25 anos para ficar pronta e custou mais de 4 milhões de dólares na época (os honorários da Morgan foram de 75 mil dólares durante esse 25 anos, somos mal pagos desde sempre).
Pois então.
Ela fez engenharia em Berkeley (não havia curso de arquitetura lá na época) e foi a primeira mulher a receber o diploma de arquiteta na École des Beaux Arts de Paris. Teve mais de 700 projetos construídos e poderia ter mudado tudo para as mulheres na profissão mas, de novo, nós mal ouvimos falar dela.
Por que?

Mário do Val said...

Em tempo:

>Cecilia Puga_chilena, autora com Smiljan Radic e Teodoro Fernandez da bela biblioteca da faculdade de arquitetura da PUC-Santiago. Há uma edição da ARQ só sobre ela.

>Farshid Moussavi_sócia (e esposa) do Alejandro Zaera-Polo no FOA.

Marcelo Palhares Santiago said...

Uma característica recente é a organização dos escritórios em grupos. Dificilmente vamos encontrar na atualidade uma arquiteta ou arquiteto jovem que se destaque sozinho.

No mundo:
MVRDV - Natalie de Vries
Sauerbruch & Hutton - Elizabeth Hutton
UN Studio - Carolin Bos
Future Systems - Amanda Levete
Asymptote - Lise Ann Couture
FOA - Farshid Moussavi
Njiric + Nijric - Helena Nijric

no Brasil:
UNA - Cristiane Muniz, Fernanda Barbara
TRYPTIQUE - Carolina Bueno
MMBB - Marta Moreira

Fernando L Lara said...

Mario,

eu concordo com voce que a maternidade gera um desgaste na carreira, mas medicas e advogadas tambem ficam gravidas e nem por isso tem suas carreiras ameacadas.

Pra mim o problema passa mais pela visibilidade. O Marcelo apontou corretamente que os grupos estao substituindo a autoria indiviadual e isso eh muito bom. Mas mesmo nos grupos, quais os nomes que vem a cabeca primeiro quando se pensa MMBB ou FOA ou mesmo OMA?

e continua perto de zero a participacao feminina nessa conversa.

18 a 1 pros homens, sera que estamos falando bobagem aqui?

Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

A Maria Helena Diniz, professora de Direito da USP, é uma suminada em se tratando de Direito Civil.

Não sei se é mãe, mas é surda e mesmo assim dá aulas. Não é com intérprete de LIBRAS, não. Ela fala.

Bom, acho que sendo homem ou mulher, o que importa é fazer boa arquitetura.

O mercado deve avaliar os bons profissionais. A dicotomia deve ser feita entre os bons e ruins, e não entre os sexos.

Na PUC, por exemplo, o colegiado é formado por mais mulheres e na escola, como um todo, parece haver uma hegemonia de sexos.

Não digo que não há preconceitos. Há. Mas está mudando.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

Suminada=sumidade

Alberto said...

Estudei com mais mulheres que homens na faculdade, tendo aula com uma quantidade igual de professores e professoras.

Tem muito, mas muito mais arquitetas empregadas em São Paulo do que homens. Insisto: muito mais.

Por fim, a lista de celebs do post fala por si só, por quantidade, qualidade e diversidade geográfica.

Querendo, faz carreira.

gabriel said...

já que estão citando arquitetas importantes, não posso deixar de lembrar de uma pessoa cuja trajetória é para mim uma das mais inspiradoras: mayumi watanabe de souza lima

Ana Paula Medeiros said...

Ops, só teve uma mulher até agora comentando, mas foi logo a primeira, né? E pra fazer volume, voltei. :-)

Eu concordo com várias coisas que foram ditas aqui. Minha experiência pessoal - que em nenhum momento eu proponho que seja tomada como generalização - vai de encontro ao que disse o Mário. Com um agravante. Quando eu entrei para a faculdade de Arquitetura, UFRJ, eu já tinha 30 anos, uma primeira faculdade, Comunicação Social, dois filhos muito pequenos (3 e 1 anos respectivamente) e um casamento importante pra mim, que inclusive me permitiu parar tudo pra voltar a estudar.

Quero que entendam o que vou dizer não como exibição de vaidade, mas como uma tentativa de contribuir para o debate desta questão que eu acho, sim, importante. Eu passei para a UFRJ depois de mais de 10 anos longe dos bancos da escola, tive que (re)estudar tudo sozinha: física, matemática, química. Passei em 9o. lugar. Todo mundo aqui sabe que uma faculdade de arquitetura é talvez um dos cusroso mais trabalhosos. Eu tinha dois filhos pequenos, atrasei voluntariamente algumas matérias no início do curso, abri mão de estágios porque queria SIM estar perto dos meninos, dei preferência às bolsas de iniciação em projetos de pesquisa dentro da própria universidade, porque tinham uma flexibilidade de horário maior. Mesmo assim, me formei com CR acima de 9. As melhores alunas do curso eram mulheres. A maioria das alunas eram mulheres.

Da minha turma, maravilhosa, competente e com a qual mantenho muitas amizades, hoje eu sei de alguns jovens arquitetos que estão desenvolvendo um belo trabalho. Dois homens fizeram mestrado, 6 mulheres (incluindo eu mesma). A única já com doutorado é uma mulher, Planejamento Ambiental, fazendo pós-doc no Canadá.

Eu mesma confesso que fiz escolhas que implicaram em uma carreira mais low profile, priorizando minha família. Meu marido trabalha viajando muito, eu preferi ter mais tempo para ficar em casa, e não me arrependo. Trabalho (acabei enveredando pela seara da Teoria e História do Urbanismo, e hoje sou professora), faço o que gosto, tenho planos e vontade de fazer mais, continuar estudando, não ganho tanto quanto sei que poderia, mas estou mais feliz assim do que se tivesse acumulado prêmios e fosse top de linha, mas tivesse perdido outras coisas pelo caminho. Acho que o que eu fiz e faço tem um valor incalculável.

Essa sou eu, só eu. Admiro e prezo imensamente que haja outras mulheres, com outras escolhas, todas igualmente válidas. Creio mesmo que o caminho é o da diversidade de possibilidades, para homens e mulheres. Sem dúvida, quando isso for mais consolidado em nossa sociedade, as mulheres teremos mais visibilidade.

Fernando L Lara said...

Ana,

o que me preocupa é a questão da visibilidade de que falava o Kush aqui em cima. As minhas melhores alunas também são mulheres. Elas são mais focadas, mais dedicadas, mais preparadas mesmo na média. Acontece que os homens aparecem mais. Cinco anos depois de formados (ou seja, bem antes da maternidade para a maioria) os homens já são bem mais visíveis no mercado. Eu acho isso um reflexo de uma sociedade machista e o primeiro passo para mudar essa situação é entender como operam essas desigualdades. Da minha parte tento falar isso para as moças, deixá-las cientes do seu potencial e das dificuldades para realizá-lo. Mas confesso que os 24 a 2 registrados aqui nesta caixa de comentários talvez seja uma indicação de que as moças não estão lá muito preocupadas com isso não.

Ana Paula Medeiros said...

Eu nem cheguei a entrar nesse mérito, mas vc tem toda razão.
Depois de duas semanas parada lá no Urbanamente, já avisei hoje que vou estender essa conversa por lá. Depois te aviso.

Tomás said...

Existem 2 fatores ao meu entender primordiais...

O principal claro, é o social, é o preconceito da sociedade.

O segundo, talvez é por escolha...
talvez a mulher, não só por ser mãe, mas sim por escolha profissional prefira e talvez tenha até mais aptidão de trabalhar em carreiras dentro da profissão que não sejam tão visíveis...
Talvez escolham, muitas vezes em não trabalhar com projetos de arquitetura, e sim trabalhar em outras áreas, como por exemplo:
Urbanismo,
Paisagismo,
Decoração
Design
Teoria e Pesquisa
etc... uma série de coisas

dentro da faculdade por exemplo, tive 95% dos professores da cadeira de projeto homens,
em urbanismo e paisagismo por exemplo a proporção era quase que inversa...
Nas cadeiras de Teoria e História, as excelentes professoras que tive, eram todas mulheres...

Enfim, talvez seja uma questão de enxergar as escolhas e as diferenças entre os sexos...afinal, não somos iguais e gostamos de coisas diferentes

Agora é possivel que as barreiras da sociedade direcionem essas escolhas... será?


Talvez se tivessemos outras opiniões femininas aqui poderia ser contemplado com a resposta dessa questão...


abraço

excelente blog!!!

Barbara Prado said...

faltam,
Martha Schwartz
Barbara Kuit
Rosa Grenna Kliass
Marcia Nogueira Batista
Maria Elisa Batista....
mandarei mais em seguida