Monday, July 6, 2009

quem sabe faz ou ensina? knowledge to do or to teach?

na semana passada o recado de Burle Marx a Niemeyer suscitou um comentário que me deixou pensando por dias a fio. O comentário foi a frase antiga de “quem faz sabe quem não faz ensina” que me fez refletir sobre várias questões arraigadas no Brasil do século XX e que ainda insistem.

a primeira remete a idéia de que aos que fazem vale tudo. Num país que precisava crescer a qualquer custo fazer era mais importante que qualquer outra coisa. Não é mais. Em tempos de crise ecológica global e economia da informação o pensar e o refletir se tornam tão ou mais importante que o fazer.

a segunda remete ao descaso para com o ensino, a idéia de que quem ensina o faz por não saber fazer. Valorizar o professor é talvez a ação mais urgente para a melhoria do ensino em todos os níveis. Tratar a docência como uma opção para os que não conseguem algo melhor implica empurrar gerações inteiras para longe do estudo e do capital intelectual como objetivo de vida. Isso nos tempos atuais é de uma burrice incorrigível.

a terceira remete a situação da arquitetura em especial. Sempre defendi que as escolas de arquitetura precisam de um equilíbrio entre projetistas e doutores. Não se faz uma boa escola apenas com PhDs. Mas tanto o ensino quanto a prática da arquitetura não se aprimoram sem a crítica. Cabe retomar um excelente texto de Paul Valery chamado “Eupalinos ou O Arquiteto” para entender porque em arquitetura o fazer e o pensar são indispensáveis.



last week the message from Burle Marx to Niemeyer brought a comment that made me think a lot. The old Brazilian say that “the ones who knows make something, the ones who don’t teach something” seems to be rooted in the last century but still surviving.

the first is the idea that making is above everything else. In a country that needed to grow at any cost, doing was indeed very important. Not anymore. In times of climate crisis and knowledge economy to think is as important (or more) than to make.

the second is the idea that people choose to teach because they are not very good on making something. To think of teaching as a fall back career implies pushing an entire generation away from knowledge as a value. This to me seems plain stupid nowadays.

the third relates to architecture. I have always said that architecture schools need a balance between designers and doctors. We cannot have a good school with phds only. But teaching (and practice) cannot improve without a critical approach. As Paul Valery wrote in Eupalinos, in architecture, thinking and doing are both essential.

20 comments:

renatamalachias said...

"De tanto construir (...) creio ter-me construído a mim mesmo."
Não liga não, é possivel ser pior: eu tenho escritório e estou fazendo doutorado. Ou seja: levo pedrada tanto dos "acadêmicos" quanto dos "praticos". :)
Fazer o que?

Ricardo Rossin said...

O comentário foi infeliz...Uma pena que tem pessoas que ainda pensam assim...

paciência...

felipe botelho said...

Fernando,

levando em conta que no Rio de Janeiro arquitetura virou sinônimo de decoração, e que os clientes que requisitam nossos serviços acham que somos realizadores de sonhos de consumo banais, prefiro considerar que nesse mercado o fazer é totalmente dispensável para um verdadeiro enriquecimento profisional.

Vejo nos concursos de projeto e no ensino acadêmico as únicas oportunidades para exercer a profissão de maneira digna e ética.

Abraços.

alex said...

o felipe disse tudo mas com visão distorcida, o fato está justamente ai... a arquitetua não existe! está presa nas discusões "intelectuais" diga-se dos arquitetos e nos famigerados e escassos concursos, pelo menos aqui no Brasil. Qdo critico a critica é pq ela se faz dentro desse mundinho de nerds, acho perda de tempo, claro q existem ótimos professoes e profissionais, mas a maioria foge do mundo real (onde praticamente não existem boas oportunidades para ganhar o pão e vão ensinar o q nunca fizeram para pessoas que povavelmente nunca vão fazer, ou seja, "a fantástica fábrica de pofessores").
A discusão devia ser muito mais voltada para as relações do ofício com a sociedade em seu todo.

Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

Bom, em artigo publicado na Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd290609.htm), Gilberto Dimenstein afirma que deve-se considerar "que o mérito não está em decorar informações, mas desenvolver uma rede de habilidades e competências; premia-se quem aprende a aprender. O mercado premia quem aprende a fazer."

Em outro trecho, afirma que "a chance de um sofisticado marceneiro, com seu diploma de ensino médio, dar aula num mestrado de arquitetura de uma USP indica que estamos metidos num interessante debate sobre méritos e talentos."

Enfim, quanto mais professores provindos de diversas áreas e de bagagens de experiência, melhor para o estudante. Nem eu nem o Dimenstein somos contra o professor.

Desqualificar a profissão de professor com a famigerada frase "quem faz sabe quem não faz ensina", da maneira como foi posta, além de ofensiva, é perigosa. Pois quem diz isso não acredita que um país melhora pela educação ou desejar que isso aconteça.

Os países que mais cresceram em diversos aspectos, sociais, econômicos, investem pesado em educação, valorizam, portanto, o professor.

Claro que têm professores e professores, como em toda profissão. Mas para melhorar o ensino, em qualquer nível, não é desqualificanto o profissional genericamente.

felipe botelho said...

Alex,

desintortando a sua visão:

Arquitetura existe e não vou perder tempo citanto centenas de exemplos disso. Convenhamos, talvez esteja difícil de voce ver que exista no Brasil, mas pega um avião pra ver que existe. Nem precisa ir muito longe, vai pro Chile.

Quando citei a cidade do Rio de Janeiro, falo com conhecimento de causa pois trabalho nela e tiro o meu sustento desse mercado ruim que descrevi. Pode apostar, é melhor ter noção da porcaria que se faz do que ficar achando que tá tudo indo bem. Se nos resta a crítica, então vamos criticar, mas com argumentos bem fundamentados.

Me explica: que lugar voce sugere para se criticar ao invés desse "mundinho de nerds" como voce mencionou? A internet não seria um meio democrático e de fácil acesso, ideal para tais debates?

Se voce critica quem critica, seria gentil e educado de sua parte dizer-nos o que voce faz e quem voce é.
É estudante? É arquiteto? Decorador? Construtor? Estagiário?

Talvez possamos te ajudar.

Fernando L Lara said...

prezados,

estou gostando bastante dessa conversa, acho que toca num ponto fundamental da identidade da nossa profissão. A ideia do arquiteto como intelectual não é nova, vem de Alberti. Anets dele, Vitruvius foi basicamente um fazedor e seus livros um catálogo de modelos. No intervalo entre as duas propostas me pareec estar a chance ed uma arquitetuar melhor. Pra isso precisariamos de profissionais (no plural) que transitassem desde a filosofia ate a mecanica de solos. Se é claro que esse profissional não existe a resposta passa a ser uma arquitetura com espírito coletivo, não criação ed um gênio e seu pincel atômico. Os melhores escritórios contemporâneos são equipes (Mecanoo, MVRDV. UN Studio, MMBB) ou mesmo quando ancorados em um indivíduo (Piano, Libeskind, Toyo Ito, Koolhaas) é uma equipe multidisciplinar que segura o batido. Veja-se a arquitetura como uma atuação de equipes multidisciplinares (e o ensino também) e essa tensão entre o fazer e o pensar se dissipa. Ou não?

alex said...

Fernando, vejo arquitetura como forma de expressão artística e qdo feita neste sentido pode ser obra individual sim. Claro que equipes de desenvolvimento são necessárias. Mas não vejo problema do conceito ser individual, gosto de arquitetos com traço e personalidade própria; Niemeyer, Siza, Corbu.... e mais recentemente o Zumthor que trabalha com poucos colaboradores e possui um trabalho super personalista e exclusivo. Os escritórios que vc citou tem outra visão da coisa, mais de mercado mas tb de inegável qualidade em outros aspectos arquitetonicos.
O assunto é longo e vai longe, um blog é uma ferramenta legal de debate, mas qdo disse q a discusão tem que sair do círculo dos arquitetos, acho que devíamos recorrer mais aos aspectos legais, o novo CAU, a reestruturação dos cursos, a consolidadação das bienais e mostras regionais, et etc etc... ha muito o que fazer, basta andar por qualquer cidade brasileira para constatar.

Fernando L Lara said...

Concordo com voce Alex, o aprimoramento da profissao e do ensino passa necessariamente pela redefinicao do nosso papel social a ser estruturado para fora da nossa disciplina. Mas acho que so alcancaremos isso quando tivermos mais consciencia dos nossos proprios valores e competencias, uma logica interna melhor.

henrique.arq said...

Alex, concordo com o que você diz de estourar a bolha da arquitetura, mas ao mesmo tempo penso: "não é isso que os escritórios citados pelo Fernando fazem?"
O arquiteto é, sim, o link final de diversas linhas de raciocínio, tanto técnicas(como estrutura, elétrica, hidráulica) como teóricas (como razões estéticas, éticas, sociais), e é um extremo ato de sabedoria e humildade reconhecer que não se tem o conhecimento absoluto de cada pormenor desses. O arquiteto projetista é um profissional GENERALISTA e penso que é sábio quando este se cerca de ESPECIALISTAS para que o produto final seja o melhor possível.
E como estudante, e futuro profissional da área, me atenho a exemplos de grandes equipes, por não acreditar mais na figura do "Arquiteto gênio", firmada nos tempos do modernismo, onde um traço era uma certeza.
Acredito que se é para estourar a bolha, que seja estourada realmente, e não só criando mais encontros como Bienais, mostras, etc. para o mesmo clubinho de antes.

Penso que antes da questão ecológica, nossa geração deveria se comprometer com a divulgação da nossa área e de quais vantagens ela poderia trazer para a sociedade. Vivemos em uma era onde a informação é gratuita, Le Corbusier nunca teve internet e foi um divulgador muito melhor do que todos nós.
Deveriamos acordar para os instrumentos que temos para sensibilizar os leigos, colocar a arquitetura na ordem do dia, para aí sim expor o que pensamos.

felipe botelho said...

amigos,

na minha concepção, fazer arquitetura, como forma de expressão, é - antes de qualquer coisa - uma ação política, e portanto crítica.

E acho que é aí, em torno da palavra "política", que se amarra o fio gerador de qualquer debate acerca da profissão.

Como o Alex disse, e concordo claro, deveríamos levar nossos debates para aspectos legais, lutar pelo CAU, lutar pela melhor organização de mostras, exposições. Todas essas lutas que teriam essencialmente a finalidade de regular, melhorar, e apresentar arquitetura para a sociedade, e como de fato ela pode servir a todos. O Sindicato dos arquitetos lembra de cobrar imposto sindical no ínicio do ano, o CREA idem, mas o que eles fazem para fiscalizar a forma exploradora de contratação dos arquitetos que trabalham para outros arquitetos? Arquitetos recém formados que trabalham para outros arquitetos sem qualquer vínculo empregatício, ganhando um valor "X" por hora é a triste realidade da maioria. Carteira Assinada? FGTS? Férias? Tenho vários amigos que estão nessa, sem digna remuneração, ficando o profissional sujeito a aceitar o que vier de trabalho.

Entrando no assunto que o Fernando puxou, a respeito da coletividade dentro da profissão, meu ponto de vista é de que na prática, para a arquitetura, arquitetos jovens são como enfermeiros para os médicos. Na maioria dos escritórios não existe muito espírito de coletividade. Os donos projetam, e a equipe de CADistas desenvolve -uma produção fordista de plantas e desenhos. Minha experiência enquanto trabalhei para terceiros foi essa. O trabalho coletivo entre arquitetos só funciona através de parcerias em que haja igualdade na participação dos lucros e uma democrática divisão do trabalho - raros os casos.

As secretarias municipais - escritórios públicos de arquitetura e urbanismo - poderiam na minha visão ajudar muito mais, ganharem força, independência e serem muito mais abertos a população, mas operam exclusivamente subordinadas as vontades políticas do executivo.

Enquanto as secretarias de urbanismo e secretarias de habitação ficarem com as pífias verbas que tem, a arquitetura de qualidade será exclusivamente de acesso da classe mais favorecida - distanciando a nossa profissão do cotidiano da sociedade.

Sei que faltam muitas mudanças estruturais, de "lógica interna", mas penso que o nosso primeiro passo deve ser nos unir, como classe, para depois nos manifestarmos.

Ou seria muita falta de realismo esperar que um país que mal consegue dar acesso à saúde, educação e segurança, consiga dar acesso a habitação e arquitetura de qualidade para todos??

Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

Caros,

Com relação ao ensino de arquitetura, convido para lerem http://revistacrise.blogspot.com/2009/07/desregulamentacao-das-profissoes-um.html.

E Felipe, quanto a sua pergunta, acho que não é falta de realismo.

Se você acredita que um dia isso mude, não vejo porque não tentar mudar. Acomodar é que não dá.

Por exemplo, gosto da Campanha Ficha Limpa. Ela foi lançada em abril de 2008 com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de iniciativa popular sobre a vida pregressa dos candidatos que pretende tornar mais rígidos os critérios de inelegibilidades, ou seja, de quem não pode se candidatar.

Atuam nesta campanha cerca de 40 entidades de respeito e credibilidade, que constituem o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), entre as quais a Associação Brasileira das ONGs, Ordem dos Advogados do Brasil, Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Instituto Ethos, o Ibase e centrais sindicais.

Mais informações http://revistacrise.blogspot.com/2009/07/campanha-ficha-limpa-contra-candidatura.html.

Pode até não melhorar, mas só o fato de não ouvirmos mais a frase "o povo me absolveu me (re) elegendo", já tá de bom tamanho. É um bom caminho contra a impunidade.

Kush said...

Dear Fernando,

Such is the phenomenon in India as well. The government seems to be now waking up to the fact that the country needs quality researchers and educationists to usher it into a new progressive era. The educational system from high school to the University level is undergoing an overhaul. A national "Teach India" project has been launched. Teaching positions are supposedly being made more lucrative to retain quality professors/researchers.

Of course, compared to the rate of growth of making/building industry, this may be a slower development but its happening in all spheres. Yet it wouldn't be wrong to say that greater population is still more in love with after-thought than critical-thought.

Many forget that teaching is also a form of making and (re)learning: a process of making sense of everyday phenomena. And sometimes, even those that teach don't quite know this; hence, the common perception of only the not-so-successful taking up teaching careers. Somewhere, the last generation of educationists is to be blamed too.

Finally, your thoughts on architecture reminded me of Tschumi who has often said, a critique is needed but what makes critical thinking in architecture distinct from critical thinking in other disciplines is the realm of the material. The critique must engage the material, however conceptually as then even teaching becomes a form of practice.

Cheers!

Kush

alex said...

Então...
Qto a pratica profissional tem excelente artigo publicado ha um tempinho no vitruvius:
http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp186.asp

Qto a mudar as coisas fico me perguntando, d q serve o iab e o crea?? um sou obrigado a pagar e o outro nao pago pq nao vejo motivo... a classe é extremamente frágil e mau representada. pq?? todos temos q trabalhar e ganhar a vida..olhe quem esta a frente dos iabs e creas: func. públicos ou profissionais endinheirados/aposentados, que querem puxar a sardinha para seu lado ou simplesmente passar o tempo... pq não profissionalizar a coisa?? acabar c/ o "voluntariado"?? O novo CAU devia ter organização profissional no sentido mais elementar da palavra: Colocar pessoas competentes, interessadas e PAGAS para desempenhar funções, assim como uma empresa que funcione
eficientemente, sem cargos politicos e permanentes, receber cobranças e atender anseios... unir e fortalecer a classe, criar beneficios, programas, etc. Não sei como andam as discusões pois o tempo não permite, mas se houvesse uma oportunidade de trabalhar e receber para isso, seria um dos primeiros da fila a comprar a briga do novo CAU.

Fernando L Lara said...

tai Alex, eu concordo com a necessidade de profissionalizar a gestao do IAB e do futuro CAU mas eles so vao ser representativos se um numero significativo de arquitetos se dispor a participar. Nisso eu concordo com o Felipe, a politica eh parte da solucao, nao apenas do problema.

felipe botelho said...

marcão, entendo que esse história da desregulamentação não se aplica a arquitetura de jeito nenhum e nem a maioria das profissões. Jornalismo é um caso a parte.

No link que vc dispos com a matéria da AU isso ficou claro, com depoimento de vários profissionais, incluindo o Fernando.

O artigo do Danilo Matoso, no vitruvius indicado pelo Alex é bem fiel a realidade brasileira. Mas vale fazer a ressalva que a decadência da profissão é muito mais acentuada no Brasil e em outros países em desenvolvimento do que nos países de 1º mundo.

Ficaram sabendo da manifestação em madrid com 3 mil arquitetos que aconteceu em maio? Aí segue o link

http://www.youtube.com/watch?v=pvnHwgi9sWM

Depois que fiz minha humilde comparação de arquitetos jovens com enfermeiros, vou mais afundo nesse paralelo entre arquitetura e medicina.

Na medicina, o profissional se forma e faz um concurso para entrar para a residência (equivalente a um mestrado pra nós). Os médicos recém formados recebem 1.900 reais pela residência aqui no Rio.

Pergunto: o que cumpre para para a arquitetura o papel de um hospital para a medicina?

Supondo que a demanda da sociedade por saúde seja a mesma que por habitação, porque não existem
escritórios públicos de arquitetura???

Como acontece com o médico, não seria interessante que o estudante de arquitetura se formasse na faculdade e tivesse a oportunidade de fazer uma prova, para trabalhar pro governo durante um período de 2 anos e prestar serviços para a sociedade que mais precisa???

Na minha visão, para voltar a um patamar de importãncia social, a arquitetura tem que ir para perto da sociedade. Em cada região administrativa de uma grande metrópole deveria existir um escritório público de arquitetura. Esses escritórios públicos de arquitetura poderiam absorver grande número de arquitetos recém formados e prestar serviço à população, ao mesmo tempo em que se qualifica o profissional.
Isso é simples e é uma idéia perfeitamente viavel. Só precisa de um empurrão político.

Como eu disse antes, esses escritórios públicos de arquitetura equivalem hoje a secretaria de habitação e de urbanismo das cidades. E isso não pode ser assim, restrito a meia dúzia de engenheiros e arquitetos em cargos indicados pelo prefeito.

Enquanto a residência médica é ao mesmo tempo ensino, trabalho remunerado e serviço gratuito apra a população, os programas de mestrado em arquitetura e urbanismo no Brasil estão completamente alheios às necessidades da população. E quase não existe vagas remuneradas! É um absurdo por completo!

Ultimamente não vejo que sejam concursos de projetos o que mais precisamos, mas concursos públicos para arquitetos trabalharem para a sociedade, e um orgão que leve a arquitetura para perto de quem precisa, ao mesmo tempo que qualifique e remunere o profissional.

Da mesma forma que a classe que tem poder aquisitivo pode pagar um plano de saúde, também pode pagar um escritório de arquitetura paerticular. Similarmente, quem não tem dinheiro pra pagar plano de saúde, também não tem pra arquiteto - e enquanto Estado não coloca arquitetos à disposição da população, as cidades brasileiras ficam a bosta que estão.

Se os médicos cuidam da saúde humana, não seríamos nós que deveriamos cuidar da saúde urbana?

Marco Antonio Borges Netto - Marcão said...

Felipe,

Concordo com você. Também penso que não cabe a desregulamentação para arquitetura e urbanismo.

Mas o Gilmar Mendes afirmou que o jornalismo foi o primeiro, abrindo brecha para que se discuta outras profissões. E como estamos discutindo que a profissão deve ser valorizada, não demora o STF analisa essa questão alegando que qualquer um pode construir ou que constrói.

Conforme postei no meu blog, reitero que as faculdaes devem abrir para professores que atuem em diversas áreas, ramos e profissões. Para formar arquitetoa urbanistas mais completos e preparados para atender essa sociedade complexa. Que não se deve desregulamentar o curso, e sim melhorar a qualificação dos formandos.

Um exemplo foi o tema discutido no programa Entre Aspas de ontem: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1077783-7823-A+INVASAO+DOS+VICIADOS+EM+CRACK,00.html.

E em relação a escritórios de arquitetura públicos, o que você acha da Lei da Engenharia e Arquitetura Pública? Está no link a notícia: http://www.cidades.gov.br/secretarias-nacionais/programas-urbanos/Imprensa/plano-diretor/2009/janeiro/lei-da-engenharia-publica-10-milhoes-de-brasileiros-devem-se-beneficiar/

Abraços.

felipe botelho said...

marcão,
me pareceu boa a Lei. Não a conhecia. Ela tem algumas restrições que considerei desnecessárias e parecia ainda muito timida. Mas acho que é por aí mesmo.

No coment anterior, quando me referi a instituição "hospital", quis implicar no valor simbólico do edifício, e por isso do serviço como bem público e por isso acessível, disponível, aberto ao público.

Não pode ser "de cima pra baixo". Geralmente o governo elege uma área necessitada e escolhe quem serão os beneficiados - isso não dá certo.

O arquiteto tem que perceber que ele tem que começar a receitar projetos. Não projetos como cirurgias plásicas, mas projetos como medicamentos - instrumentos de melhoria real - não puramente estética.

E tem que ter verba pra fazer. A lei fala em beneficiar 10 milhões de pessoas. E as outras 170 milhões?



No outro assunto, questões complexas como essa do crack são cada vez mais constantes e realmente faltam profissionais mais bem capacitados para atuar nessa fronteira.

Num dos bairros vizinhos ao que moro, chamado Catete, já começa a se formar uma pequena "cracolândia". Vejo muitos cheirando cola também.

O que não entendo, é o fato dos problemas socias e urbanos serem sempre detectadas cedo. Mas as providências para que sejam resolvidos demoram uma eternidade, e chegam quando já está muito mais dificil de se eliminar o problema.


É o casso da comunidade da serra no sol, na Zona oeste do Rio.
De janeiro desse ano, multiplicou de tamanho, e a mídia já vinha denunciando desde deco o problema.

Abraços

felipe botelho said...

a todos,

achei disponível na revista vivercidades, alguns dados interessantes....de 2005, mas valem a pena!

o link é esse!!!

http://www.vivercidades.org.br/publique_222/web/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=982&sid=14

abraços

Luis Carlos Gomes said...

sem o ambiente construído a arquitetura não passa de demagogia.