Sunday, March 11, 2007

Lord Rogers

Confesso que tenho muita preguiça de quem faz questão de acrescentar duas ou três letras antes ou depois do nome. Mas ontem em Philadelphia Richard Rogers provou que faz jus ao titulo de nobreza que lhe deu a rainha. Falando para uma platéia de professores de arquitetura, Rogers conseguiu ser ao mesmo tempo delicado e brutal. Delicado na sua forma de encarar a arquitetura, sem exageros conceituais e também sem glorificar o próprio processo criativo. No projeto do novo aeroporto de Madrid por exemplo, a preocupação com a luz natural se faz presente em um programa que normalmente não deixa espaço para gentilezas. Mas ao mesmo tempo ao se referir à destruição da urbanidade já explorada em “cidades para um pequeno planeta” e ao desafio corrente de buscar um urbanismo e uma arquitetura sustentável, Rogers foi brutal como demanda a urgência do tema.
Mas o mais interessante da palestra de Richard Rogers não veio de nenhuma nova espacialidade (como no Pompidou, 1971) ou novos arranjos materiais (como no Loyds de Londres, 1989) nem tampouco do movimento inovador e corajoso de usar cores do arco íris como referencia no aeroporto de Madrid (2006). O mais poderoso dos slides mostrados por Rogers não tinha nenhuma imagem fotogênica mas sim um parágrafo retirado do estatuto do escritório Richard Rogers Partnership.
Em busca de uma relação mais equilibrada e justa com o mundo e com os próprios funcionários Rogers transformou seu escritório em uma instituição sem fins lucrativos na qual o diretor (ele mesmo) ganha no máximo 6 vezes mais do que o mais junior dos arquitetos, e não aceita trabalhos para a industria bélica ou fabricantes de armas em geral. Belo exemplo Lord Rogers, que seja seguido por muitos.

1 comment:

Leticia Marteleto said...

Belo exemplo de preocupacao com justica social e desigualdade. Ah se todos fossem assim...