Tuesday, October 4, 2011

breve ensaio de futurologia

no início do ano quando foi inaugurado o Centro Niemeyer em Avilés, comentei com um colega que dada a situação da Espanha aquilo ia fechar antes do genial velhinho partir pra próxima. Imaginava claro que Niemeyer irá viver até os 110, 115, mas quis a sorte que o tal centro fosse fechado após 6 meses apenas.


custou 44 milhões de Euros (120 milhões de reais) para ser usado por 25 semanas!


a notícia me anima e navegar por outros exercícios de futurologia então apertem os cintos porque a partir de agora estamos entrando no território da ficção, por mais familiar que tudo se pareça.

começando pelos Niemeyers recentes da minha cidade natal:


o Centro Administrativo do Estado de Minas Gerais foi demolido hoje, 23 de abril de 2017, pela justiça. Desgastado de tanto bater em professoras o PSDB local se desintegrou, metade foi pro PSD do Kassab apoiar Lula em 2018 e a outra metade voltou pro DEM (agora rebatizado UDN) de onde nunca tinha mesmo saído. O governo do estado foi outra vez rifado na campanha federal de 2014 e as alterosas elegeram o governador Quintão com Jô Moraes de vice. O acordo dos dois, repetido exaustivamente durante a campanha foi de que o estado ia privatizar tudo pra pagar o piso salarial dos professores. Quintão ainda tentou se safar do piso salarial mas a vice governadora é brava e mandou pagar os 1000 reais do piso, não confundir com o salário do servente de pedreiro que ganha 1000 reais por casa 10 m2 de piso assentado. Acontece que ninguém quis comprar aquele elefante branco do Centro Administrativo, com pé direito de 2,65m e fachadas ao nascente e ao poente. Sem compradores, o prédio abandonado foi interditado pela justiça e finalmente demolido, um dia depois de o governador e o bispo darem mais uma medalha ao arquiteto pelos seus 110 anos.


o bispo ainda pensou em comprar o Centro Administrativo e transformá-lo em um enorme asilo. Isso salvaria tanto o edifício quanto a catedral construída do outro lado da estrada. Quando faltou dinheiro o bispo mandou terminar a catedral de qualquer jeito e por pouco não temos outra tragédia como a da Gameleira. Mas sendo a forma uma cúpula achatada sem janelas (ou qualquer outra forma de ventilação) as lajes resistiram quando os tratores arrancaram as estacas. Quem não resistiu foram os fieis que dada a idade media de 72 anos começaram a desmaiar um atrás do outro quando a temperatura interior chegava aos 43 graus. A princípio o bispo pensou que eram de êxtase os desmaios mas o resultado foi uma igreja cada vez mais vazia. A solução foi vender o discão (apelido da catedral sem a torre esdrúxula) para Cruzeiro e o Atlético fazerem ali o clássico mais tradicional da segundona.


esqueci de dizer que o Mineirão foi privatizado logo depois da copa e agora só serve como centro de eventos, micaretas e bênçãos milagrosas, sua infra-estrutura gigantesca absolutamente inviável para a pobreza do futebol mineiro.

2 comments:

MARCELO LORENZATI said...

Salve Prof. Fernando!
Seus comentários sempre são muito bons e ácidos (talvez por isso sejam bons) sempre que posso acompanho. Esta semana recebi em casa o último exemplar da aU e na seção F&O me deliciei com sua resposta na questão levantada pela revista especializada.
Não bastasse, impossível a comparação com os comentários dos demais consultados (lol). Concordo plenamente com sua indignação contra a inércia da classe dos arquitetos em calcular (coisa de engenheiro) a energia embutida nos materiais (o custo energético para transformar bauxita em alumínio cai por terra qualquer tentativa de selo 'LEED' para construção sustentável), o Green Council está mais preocupado em fortalecer sua presença como 'paladino verde' do que realmente levantar essa discussão. Parabéns pela sua coragem.

Anonymous said...

Enquanto isso Dilma privatiza aeroportos e o TCU manda aumentar em 1000% (mil por cento!!) o valor mínimo de um dos leilões!!

Nossos salvadores, líderes do Partido, queriam entregar o patrimonio público a preço de banana pros capitalistas selvagens..

Quem te viu, quem te vê, já diria Chiquinho

abraço!