Wednesday, November 9, 2011
rankings?
Sunday, September 11, 2011
10 years after
much probably not, according to the Financial Times,
yes indeed, according to Lebbeus Wood
Tuesday, May 24, 2011
mudancas climaticas em formato grafico
Friday, March 25, 2011
triste Detroit
minha reflexão a respeito está aqui
Saturday, January 8, 2011
uma década de bons horizontes
lá se vão 10 anos. Em 2000 eu fiz um workshop com os alunos da PUC-Minas procurando maneiras alternativas de se pensar e desenhar o espaço público. A idéia era termos workshops de “aquecimento” todo ano, em agosto em Minas e em janeiro em Michigan, aproveitando que as ferias de uns coincidiam com o início do semestre do outro.
viramos o milênio e nenhum professor da PUC se interessou em vir a Michigan mas cinco bravos alunos enfrentaram a neve para participar do segundo workshop em Detroit. Luciana Thomaz, Pedro Doyle, Gabriel Veloso, Marcelo Palhares e Luiz Felipe de Farias enfrentaram temperaturas de 10 graus negativos (e também se divertiram na neve) para redesenhar a praça central da Lawrence Tech University, diante de um edifício novo projetado por Charles Gwathmey, o menos famoso dos New York Five.
até ai nada de mais, se não fosse o fato de que Marcelo, Gabriel e Luiz Felipe abriram um escritório: Horizontes, assim que se formaram. Hoje Horizontes é líder em arquitetura pública em Minas Gerais, com vários prêmios e projetos no currículo. Eu, que nas minhas andanças tive a chance de passar várias vezes pelo caminho deles, tenho o maior orgulho de fazer parte desta história.
que venham a próxima década!
Tuesday, August 11, 2009
o jogo magnífico de volumes sob a luz - the magnificent play of volumes under the light
alguém reparou na luz dos projetos finalistas? não? então volta lá e olha.
o terreno do MIS fica numa parte de Copacabana orientada diretamente pra sul. Na latitude do Rio isso significa que o sol nunca bate diretamente na fachada principal a não ser próximo do meio-dia uns poucos dias no final de dezembro (solstício de verão).
reparando nos projetos finalistas, todos mostram a fachada sombreada, o que corresponde a realidade mas não ajuda nem um pouco a vender a idéia, exceto o projeto vencedor de Diller, Scofidio e Renfro.
fica difícil saber até que ponto essa esperteza influenciou o resultado mas isso sustenta horas de conversa, não acham?
in Brazil the topic of the week is the competition (by invitation only) for the Rio Museum of Image and Sound (MIS), in Copacabana, promting me to write a quick post because my life is still quite hectic in Austin.
the building site in Copacabana faces straight south, a beautiful view with absolutely no direct sunlight except around noon on a few days in December (summer solstice). All competitors show the main facade in shadow, faithful to the reality of the site but not good to sell a project where the front view is so important, except for the winning entry by Diller, Scofidio + Renfro all .
it is very hard to know to what extent such “trick” influenced the jury but surely we can talk hours about it, don’t you agree?
Thursday, March 19, 2009
detroit
vale a pena ler a critica de Witold Rybczynski sobre Detroit na Slate dessa semana,
não sei se "the wrestler" com Mickey Rourke já entrou em cartaz no Brasil mas concordo plenamente com o texto de Rybzinski, se cidades fossem como personagens de cinema Detroit seria Randy the Ram, derrubado mas não completamente acabado.
Friday, February 6, 2009
david leatherbarrow
esta semana David Leatherbarrow, diretor do programa de doutorado da U Penn esteve aqui em Michigan para uma palestra e um seminário.
a palestra foi meio hermética mas o seminário foi uma ótima oportunidade de discutir arquitetura com um dos mais importantes scholars contemporâneos.
e a conversa acabou sendo muito pessoal. Primeiro porque Leatherbarrow começou dizendo que toda pesquisa tem um quê de pessoal, uma questão íntima, algo que cada um de nós quer resolver por dentro e acaba externando nas nossas investigações.
fiquei imaginando então o que meus textos dizem sobre mim mesmo.
mas a conversa esquentou mesmo quando eu falei alguma coisa sobre o Brasil e Leatherbarrow disparou a elogiar a arquitetura brasileira e sua contribuição para a arquitetura do século XX. Numa sala com outros 20 alunos de doutorado e outros 10 professores a minha tabelinha com o ilustre convidado durou o suficiente para deixar todo mundo com inveja da experiência brasileira.
e não podia ser mais pessoal….
Sunday, October 26, 2008
digital fabrication feita à mão.

acabei de voltar de Urbana-Champaign, onde fica a universidade de Illinois. Chegando lá eu juro que achei, pela minha posição atrás da asa, que o avião estava descendo no milharal.
é que bem no meio do milharal existem duas cidades gêmeas, Champaign e Urbana, sede de uma excelente universidade com quase 40.000 alunos. A escola de arquitetura que sediou esta conferência sobre digital fabrication tem sozinha mais de 800 alunos, sendo 200 no mestrado.
sobre a conferência em si muita conversa e pouca coisa nova, gente usando CNC Router e Laser Cutter para todo tipo de experimentação. o melhor (tirando as conversas de corredor), foi a palestra de Bill Massie. Massie coordena o programa de mestrado em Cranbrook, a famosa escola de Arts & Crafts fundada por Eliel Saarinen nos anos 20.
num outro post prometo escrever sobre Cranbrook e seus programas não-certificados de mestrado. o que eu quero escrever hoje é sobre esta linda e paradoxal casa que Massie construiu com 3 alunos dentro do seu estúdio e pôs em exposição pública no gramado da escola. A casa foi toda construída com materiais comprados no Lowes ou Home Depot (as telha nortes daqui).
e o que a casa tem de mais lindo tem também de mais contraditório. A curva do telhado e a oval do banheiro foram cortados a lazer e deveriam celebrar o potencial das ferramentas digitais. Mas enquanto Massie mostrava centenas de fotos da casa sendo construída dentro do estúdio eu não pude deixar de reparar que tudo foi montado à mão, lixado à mão, emassado à mão, pintado à mão.
me lembrei das maçanetas de Warchavchik, fundidas uma a uma a partir de um molde para serem idênticas ao original que era um pedaço de tubo dobrado à máquina.
Monday, September 15, 2008
tantas oportunidades para tão pouca arquitetura

o blog esteve tão quente na semana passada (ver comentários) que os assuntos foram se acumulando.
as grandes oportunidades parecem perdidas, New Orleans e Ground Zero continuam como dois grandes buracos na alma de um país traumatizado e agora também quebrado financeiramente (muito por conta de erros decorrentes do trauma de 9/11)
enquanto isso uma nova geração de arquitetos se agarra com vontade às pequenas oportunidades e vão aos poucos renovando o ar carregado que paira por aqui.
Tuesday, April 8, 2008
ply

o nome PLY vem de plywood, nosso conhecido compensado, aquele sanduíche de madeira vagabunda que por ter cada camada com as fibras orientadas em um sentido, adquire uma resistência incomum para uma madeira tão macia como o pinus ou o similar.
Karl e Craig derivam do compensado toda uma gama de qualidades cuja inventividade é invejável. Corta-se, cola-se, fura-se, com cortadora laser ou com CNC router. Junta-se ao compensado chapas de metal perfuradas e cortadas das mais diversas maneiras, sempre desenhadas digitalmente e montadas de forma a se minimizar a perda do material. Ver Karl e Craig explicando seu trabalho provoca uma série de “ahh, como não pensei nisso antes”...
mas vale a pena mesmo é vê-los fazendo a arquitetura. Com um escritório pequeno e a ajuda de alunos estagiários, Karl e Craig põem literalmente a mão na massa, na serra e no martelo para realizar seus projetos. Tudo isso que você vê no site deles
junte-se a isso um discurso elaborado e uma postura crítica digna da Universidade de Michigan e tem-se um pequeno escritório citado pela Wallpaper como dos mais promissores do momento.
e tudo isso baseado na flexibilidade e na versatilidade do compensado, esse mesmo que a gente tanto despreza como material menor.
Saturday, March 29, 2008
mit
já no primeiro dia fiquei com inveja dos meus amigos Rahul Mehotra e Nondita Correa que dão aula aqui. O MIT talvez seja a escola norte-americana mais próxima da nossa realidade brasileira, uma escola mais pragmática e menos conceitual, mais pé-no-chão sem deixar de ser visionária.
mas o que deixa a gente de queixo caído é a densidade e a qualidade da arquitetura aqui. Só no campus do MIT temos obras de Sert, Aalto, Saarinen (2), Bunshaft, Correa, Gehry, I.M.Pei (2), Holl. Isso sem falar que a poucos quarteirões de distância Harvard tem Corbusier, Safdie, Gropius.
não é atoa que tanto Harvard com sua ênfase intelectual quanto MIT com seu foco na construção e na materialidade estão sempre entre as melhores escolas de arquitetura por aqui.
Cambridge, Massachussets é deve ser a cidade de maior “densidade” arquitetônica dos EUA, e é também a única cidade onde qualquer pessoa identifica o meu sotaque como sendo brasileiro, são 150 mil patrícios por aqui. Oxalá cada um deles leve um pouco desse valor arquitetônico de volta para Governador Valadares ou Nova Iguaçu.
Thursday, March 20, 2008
texas rangers
digo isso porque escrevo estas linhas de dentro do avião, sobrevoando o Texas, voltando pra casa depois de uma curta mas intensa visita a escola de arquitetura de Austin onde fui apresentar meu trabalho.
a University of Texas at Austin é famosa pelo melhor centro de estudos latino-americanos nos EUA, e a escola de arquitetura pelos Texas Rangers, um grupo de professores que lá se juntaram nos anos 50 e revolucionaram o ensino de arquitetura da época.
junte-se a isto a tradição de estudos latino-americanos da UT e o resultado é uma receptividade inigualável da arquitetura Brasileira. Antes do final do semestre ainda estarão por lá Marcelo Ferraz e Milton Braga.
eu nunca soube disso quando estava estudando mas o processo tardo-moderno, baseado em visualização, caminhos e experiências que marcou o meu curso de graduação foi basicamente desenvolvido por eles. Depois da diáspora da Bauhaus, o método compositivo da escola alemã tomou conta dos EUA, começando por Gropius em Harvard e depois Mies no IIT, dominando a cena por décadas até que uma outra diáspora ocorresse entre 59 e 63 que foi a dispersão dos Rangers que tinham se juntado em Austin. Colin Rowe iria liderar Cornell, John Hedjuk iria revolucionar Copper Union, Bernard Hoesli e Robert Slutzke também foram extremanente influentes nos anos 60. Junto com eles se propagou a importância do contexto e dos precedentes históricos (algo que nunca foi valorizado pela Bauhaus) e pode-se dizer que nem a complexidade de Venturi nem a visualidade de Eisenman (este último aluno de Colin Rowe) existiriam sem os Texas Rangers.
e agora, com a hispanidade e a latiniidade em alta, acho que vamos ainda ouvir falar muito da arquitetura advinda da University of Texas at Austin.
Saturday, March 15, 2008
o mundo em perspectiva
Tom trabalhava para Frank Gehry em 1989 quando nasceu seu primeiro filho. Depois de 3 dias quando voltou ao escritório, Gehry queria falar com ele. Na sala do chefe, dois charutos, muitos parabéns pelo nascimento e uma conversa bem existencial.
olha Tom, diante do nascimento de uma crianca, você não acha que tudo isso aqui no escritório perde o sentido, tudo fica menos importante, tudo parece uma grande bobagem?
e no que Tom, emocionado, concordou, Gehry já emendou direto: mas vai terminar aquela apresentação porque se o cliente não pagar nem o seu filho nem os meus terão muito futuro.
Tuesday, February 19, 2008
viva teddy cruz

já está virando rotina o trabalho de Teddy Cruz aparecer no New York Times.
hoje Nicolai Ouroussoff se derrete de elogios sobre o ultimo projeto de Teddy, uma série de casas no vale do rio Hudson, contratados por uma ONG que está tentando lutar contra a gentrificação.
nas palavras de Ouroussoff, “o projeto de Mr. Cruz não necessariamente se destaca em termos formais, mas seu melhor resultado tem menos a ver com estética e muito mais com a criação de um antídoto contra o arcaico modelo “cidadezinha americana” adotado por tantos incorporadores. Ao contrário, Teddy Cruz propõe uma complexa costura entre ricos e pobres, antigo e novo, público e privado, um tecido em que cada parte proclama uma identidade distinta”. (tradução minha).
e também trata de uma questão que eu penso ser o cerne do sucesso de Teddy Cruz, o fato de trabalhar sempre juntamente com o poder público e a propor mudanças na legislação, tratando a arquitetura como política, como questão pública que é.
por mim, fico muito feliz de ver que Teddy, nascido na Guatemala, é hoje indiscutivelmente um dos mais criativos arquitetos em atividade nos EUA, e começa a colher os frutos de décadas de trabalho na fronteira entre Tijuana (sua inspiração maior) e San Diego (que ele chama de o maior condomínio fechado do mundo).
vale a pena ver o slide show.
parabéns Teddy.
Monday, February 4, 2008
o "crea" nos eua
é o seguinte: quem dá a licença profissional é o estado, e cada estado tem uma prova um pouco diferente da outra, mas no geral o candidate precisa ter um diploma de curso de arquitetura (graduação ou mestrado profissional) e acumular um número X de horas em cada tipo de atividade: projeto, detalhamento, especificação, acompanhamento de obra e etc…
só então pode se inscrever para a prova, que é muito chata e baseada nos códigos de obra.
acontece que o mestrado profissional (MArch) vale muitos pontos, o que incentiva a todos os jovens graduados a cursar o mestrado porque conseguem-se empregos melhores, mais experiência, além de contar bastante na hora de fazer a prova do licenciamento.
ah, e você pode ter graduação em biologia ou literatura, não importa, se cursou o mestrado profissional de arquitetura em uma universidade credenciada, pode se inscrever para a prova que dá direito ao exercício profissional pleno.
por isso os programas tradicionais de 5 anos de graduação estão aos poucos desaparecendo por aqui, sendo substituídos por um sistema chamado 2+2+2.
são 2 anos de formação geral humanística (tipo sociologia, física, desenho, historia da arte, etc…), + 2 anos da escola de arquitetura (studio, estrutura, construção, cad, teoria e história) + 2 anos de mestrado também com studio, teoria, estruturas, materiais….
com isso a formação básica acaba levando uns 8-10 anos sendo 2 anos de college, 2 anos de escola de arquitetura, 1 ou 2 anos de trabalho depois de terminada a graduação, 2 anos de mestrado e mais uns 2 anos até acumular todas as horas necessárias para se inscrever para a prova no seu estado.
parece muito?
ou nos nossos 5 anos com CREA automático é que parecem pouco?
Wednesday, January 30, 2008
o diabo está nos detalhes
pra fechar o mes de janeiro e a série “onde esta a arquitetura norte-americana?”, começo hoje a partir de um ótimo texto de Martin Filler na New York Review chamado “Miracle on the Bowery”.
tudo dependeria da forma como detalhes e especificações são desenhados e entendidos, daí minha crítica aos projetos recentes de nosso gênio maior, Oscar Niemeyer. Depois que o século 20 materializou em edifícios todas as formas e geometrias possíveis, a genialidade reside muito mais no detalhe que no todo.
trata-se de um edifício encrustado no meio de 3 outros prédios de propriedade de um financista bilionário, Pierpont Morgan, e seu filho J.P. Morgan. Como todo bom magnata, os Morgans foram comprando arte e manuscritos raros enquanto enriquecia, e deixou uma coleçao impressionante de Van Goghs, Degas, Matisses, bíblias originais de Guttemberg e cartas de Leonardo da Vinci, entre outros tesouros menos famosos, com ênfase na renascença italiana.
anteriormente, a coleçao se espalhava por 3 edifícios, a casa, o escritório e a casa de hóspedes. Renzo Piano foi contratado para projetar uma expansão que unificasse o conjunto e no melhor estilo tardo-moderno, desenhou um edifício que é pequeno por fora e grande por dentro. Ao respeitar os volumes originais e recuar seu anexo em relação à rua, Piano conseguiu um edifício discreto mas extremamente generoso e espaçoso, cuja presença se faz marcante depois da entrada e não antes. O auditório naturalmente enterrado abre espaço para um luminoso átrio/café logo depois da entrada, com elevadores de pistão articulando os 4 pavimentos, 2 acima e 2 abaixo do terreno natural. O uso de vidro é extenso, e serve não só para captar luz natural (aqui sim, marcante e rasgadamente presente) mas também para revelar os edifícios originais na sua integridade.
de certa forma a Morgan Library de Piano é a antítese do New Museum de Sejima, muito mais impressionante por dentro que por fora, apesar de que a elegância de Piano já se anuncia do outro lado da rua.
e lamento muito ter sido proibido de fotografar porque o melhor de sua arquitetura, assim como se diz do diabo, está nos detalhes.
Sunday, January 20, 2008
do excesso à falta

com bastante estadarlhaço na mídia especializada e em todos os “cadernos de cultura” dos jornais, foi inaugurado em dezembro o New Museum of Contemporary Arts, em New York, projeto de SANAA, o escritório de Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa.
Sejima é uma das minhas favoritas na atualidade, não só por ser uma das poucas mulheres nesse tremendo clube-do-bolinha da arquitetura internacional, mas por ter uma sensibilidade extraordinária. Seu edifício de apartamentos em Gifu Kitagata é uma obra-prima (já escreví isso).
no caso do New Museum, vale dizer que a insercao urbana é fantástica, uma das melhores volumetrias que eu ví nos últimos tempos. De uma simplicidade franciscana, o edifício se faz a partir de 6 caixas empilhadas, cada uma ligeiramente deslocada em relação a inferior. Nem uma diagonal, nem um grito formalista, apenas deslocamentos ortogonalmente rigorosos criando uma sensação de movimento na fachada, parece mesmo que os volumes vão se mexer a qualquer momento.
ironicamente localizado na Bowery avenue, região que congrega centenas de lojas de luminárias e equipamentos elétricos, o New Museum deveria (notar o futuro do pretérito) ser um espaço dominado pela idéia da luz.
mas de dentro o predio é no mínimo estranho e para muitos, se mostrou frustrante mesmo. Na estrada, uma curva feita da mesma tela do exterior (parece ser apenas uma versão menor do mesmo corte) envolve a livraria e empurra o visitante, suavemente, para os elevadores. Sobe-se ao último andar para que se possa visitar as salas de exposição descendo escadas.
aí começam as contradições e frustrações. As salas se expandem e contraem, ora oferecendo espaços nobres e generosos, ora espremendo e forçando a circulacao pelo que deveria ser uma escada secundaria, de incendio ou serviço. Eu até que achei as contrações espaciais bem interessantes, mas a maioria das escadas foi totalmente removida de qualquer contato visual com as salas (legislação de incêndio, talvez?) e a ruptura é inevitável. Interrompe-se a fruição e é como se estivéssimos em um prédio adaptado para o uso do museu.
a arte lá exposta também não ajuda. Isso de atravessar uma lâmpada fluoressente por um sofá velho e dizer que é uma reflexão sobre o sexo na sociedade contemporânea não em pega. No final, Deborah cronometrou a visita: levamos exatos 16 minutos para descer os 6 andares e olha que éramos 4 arquitetos e mais 2 familiares conversando animadamente sobre o edifício.
é certo que o prédio foi feito com um orçamento muito apertado, mas o piso estava já todo trincado com apenas 2 semanas de uso. Ouví depois que Sejima propositadamente não quis usar juntas de dilatação mas para quê? Que tipo de radicalidade é essa? Olhando para cima, o forro em tela branca é barata mesmo, tudo absolutamente exposto (ok) mas a imprssão deixada é que não houve nenhum investimento em detalhes.
e finalmente a luz, a grande promessa do edifício. Na primeira visita era de noite (horário em que o museu espera receber a maioria dos visitantes) e então nada de jogo de luz natural. Mas não me dei por vencido e voltei lá durante o dia. Mesmo assim a luz nao me impressionou. Talvez num dia de sol tenhamos sobras fortes nos rasgos como nos livros de Tadao Ando, mas num dia nublado do inverno novaiorquino a luz natural não me emocionou nem um pouco e todo o discurso celebratório da crítica me pareceu inflado.
ah, vale a pena falar que os banheiros sao geniais, umas pastilhas laranjas elaboradamente compostas fazendo um trabalho de superfície a-la-Herzog+DeMeuron.
seria isso uma provocacao de Sejima, as galerias apressadas e mal acabadas e um banheiro super detalhado e exuberante? Ao contrário do 40 Bond que celebra o excesso, o New Museum faz como que a apologia da falta, do crú, do osso.
Monday, January 14, 2008
ainda 40 Bond

não há como passar incólume na frente de um edifício desses, 40 Bond parece despertar reações até nos mais distraídos.
moda passageira ou tendência processual, as superfícies customizadas via computador estão na minha opinião só começando. Interessante seria observar se vão continuar sendo um revestimento luxuoso ou se vão se incorporar de vez no processo de desenho e construção.
mas hoje de manhã recebi um e-mail de uma colega em NY, Rachel Villalta que me deixou ainda mais intrigado. Duas semanas atrás nós conversávamos justamente sobre este edifício e o que ele representa, e Rachel resolveu investigar mais de perto. Com olhos de arquiteta brasileira e norte-americana ao mesmo tempo, ela descobriu esta planta no site promocional do prédio.
para surpresa de Rachel e agora minha também, esta unidade 9A (das maiores e mais caras) tem duas portas de acesso, o que é raríssimo por aqui em apartamentos. O que é ainda comum no Brasil e em outras regiões de similar desigualdade (diga-se de passagem, desaparecenco aos poucos) é tido como desperdício de área por aqui e quase sempre interpretado, corretamente, como marca de preconceito arraigado no espaço construído.
por que então duas portas? Uma para o ir e vir do dia a dia, e outra para impressionar as visitas com a grandiosa “entrance gallery”?
complexo, e para mim cada vez mais alinhado com a sociedade do excesso , da exuberância e da contradição que caracteriza tão bem este início de século XXI.
obrigado Rachel pelo achado, global apartments agradece.
Sunday, January 6, 2008
Gehry sem inspiração
dando sequência à série “cadê a arquitetura norte-americana?”, resolvi falar primeiro do novo edifício de Frank Gehry na rua 18 com 11ª avenida, bem na margem do rio Hudson.
trata-se de um edifício de 8 andares apenas, o que em Manhattan não é muito (se bem que Renzo Piano construíu uma jóia de 3 andares, assunto de um post no futuro breve). Apesar de não ser muito alto, o edifício se faz perceber de longe pela horizontalidade predominante nos piers e pela brancura que brilha de longe.
e o melhor do prédio parece estar aí, visto de longe suas curvas brancas e brilhantes de destacam do escuro padrão de tijolo dos galpões e apartamentos em volta. E as curvas, marca registrada de Gehry, são lindas de longe, ajudando a fazer do edifício uma novidade, uma relativa surpresa.
mas de perto o prédio não se relaciona bem com a rua, surgindo bruscamente do passeio já com seus vidros branqueados. As curvas que de longe pareciam tão diferente, de perto ficam meio que repetitivas. Na verdade, depois da primeira impressão, o edifício não é muito inspirador. Num exercício de “what if”, fiquei imaginando que se não fosse pelas curvas (e os vidros curvos são mesmo deslumbrantes) o prédio ficaria igualzinho àqueles predinhos de vidro recortado dos anos 70, com a fachada zigue-zaguando monótonamente de um lado pro outro.
o certo é que Gehry me parece mesmo dar ênfase exagerada à manipulação formal, em detrimento de outras questões compositivas como relação com a rua, coroamento, detalhes de caixilharia (tantas vezes se vê a massa plástica resolvendo as quinas). Seu processo de projeto incial, com bloquinhos de madeira ou papelão, fica evidente em um edifício como este de NY. O que faz falta é o Gehry dos anos 70 com suas inversões tectônicas, usando materiais menos nobres e expondo as entranhas do processo construtivo. Parece que Frank Gehry perdeu a garra, ficou tudo muito fácil com o software CATIA customizado para suas cascas curvas (casca mesmo, superfície externa de revestimento) e os orçamentos já de antemão esperando as firulas volumétricas.
um pouquinho mais de desafio não ia fazer mal a Frank Gehry não, quem sabe depois do MIT vem coisa nova por aí?


