
uma honra enorme estar aqui nesta sexta-feira abrindo o congresso da ACFA (Asociacion Colombiana de Facultades de Arquitectura) com Beatriz Colomina e Felipe Hernandez


semana passada estive em Rhode Island para uma palestra. Falei sobre as obras recentes em favelas da America Latina, projetos de Mazantti, Araveña, Fernandes, MMBB, Carlos Teixeira (e equipe), Fernando Maculan e com muito orgulho do nosso projeto do grupo Horizontes para a pedreira Prado Lopes em BH.
mas assim que acabou a minha fala começaram aquelas perguntas velhas, dos anos 70, de que a arquitetura não tem muito a contribuir para um processo em que as pessoas constroem barracos com restos de material durante a noite, etc, etc etc....
e nem é tanta culpa dos colegas estrangeiros. A literatura parou ali mesmo. A idéia de uma favela consolidada, com Geladeira, TV a cabo, celular, videogame e tênis Nike ainda não entrou no imaginário da arquitetura. Muito menos a idéia de um mercado paralelo onde se compra, se vende, se aluga e se investe em habitação dita informal.
e assim se perpetua uma idéia antiga de que a formalidade e a informalidade são diametralmente opostas, enquanto que na verdade existe tanta formalidade na favela quanto informalidade no condomínio de luxo. São diferenças de grau, não de substancia. Enquanto não entendermos isto vamos continuar tendo pouco a contribuir.
last week I lectured in Rhode Island. talking about recent developments in Latin American favelas. I discussed Mazantti, Araveña, Fernandes, MMBB, Carlos Teixeira (and team), Fernando Maculan, and proudly showed our (Horizontes) project for Prado Lopes, the most violent favela in Belo Horizonte.
but as soon as my talk ended the questions came as if from the 1970s. What should architecture contribute to a perverse poverty in which people build a shack from scavenged materials in the middle of the night, etc, etc, etc.
and I don’t blame my colleagues, the literature did stop there. The idea of a favela as a consolidated community with fridges, tvs, cell phones, videogames and Nike shoes has not yet penetrated the architectural imaginary. Much less the idea of a parallel market where one buys, sells, rents and invests in informal housing. This outdated perception reinforces the misleading idea that the formal and the informal parts of the city are diametrically opposed.
in reality, one can find many formalities in the favelas and find many informalities in gated communities. It is a matter of degree, not substance. We can’t really articulate a contribution unless we understand that.
O porquê das enchentes
Todo verão, a mesma coisa: chuva, inundações, desmoronamentos, desabrigados, mortes. Neste, que já entra no segundo mês, já foram mais de uma centena de mortos e milhares de desabrigados. Bilhões de reais, dinheiro público e privado, serão necessários para corrigir os danos materiais. Os números assustam, mas, na área chuvosa, que vai do Sul do México ao Norte da Argentina, temos o equivalente a um furacão Katrina todos os anos. Mais de mil mortos e mais de 100 mil desabrigados, todo ano. O fato é que por 500 anos lutamos contra a estação chuvosa na América Latina.
A causa? Importamos um padrão de urbanização dos nossos colonizadores ibéricos que é inviável no Brasil, onde a chuva anual varia de 1.000mm a 1.600mm. Em áreas populosas e urbanizadas, como o Sudeste brasileiro (80 milhões de habitantes), a chuva se concentra no verão, período em que chega a cair 300mm por mês e não é incomum 100mm em um único dia. Na região de Angra dos Reis, litoral fluminense, choveu mais de 400mm nos dois últimos dias de dezembro e no primeiro dia de janeiro. No entanto, nosso modelo de construção vem de lugares onde chove muito menos, e de forma regular: 400mm por ano em Madri; 500mm por ano em Lisboa. Aqueles terraços pavimentados de Sevilha ou de Lisboa são lindos e adequados para 50mm por mês, nunca para um lugar onde chove esta cota por hora.
As conversas sobre o tema sempre passam por aquilo que alguém deveria fazer. E esse alguém é sempre definido como o outro: o poder público, as autoridades, os da rua de cima. A expansão urbana desenfreada, a produção agrícola em larga escala: é importante perceber que a questão das enchentes urbanas passa tanto pelo poder público, pelas diretrizes de urbanização e gestão das águas, quanto por cada um de nós, em nossos pedacinhos de terra na cidade.
O manejo da água da chuva é público, mas a absorção residencial é um problema doméstico, privado. Com todos os quintais impermeabilizados, a municipalidade passa a controlar 100% do volume de água, mas só dispõe de 25% da área da cidade para tanto. Cada vez que chove 100mm (e isso tem ocorrido frequentemente), um quarteirão médio (100m x 100m, ou 1 hectare) recebe 100 mil litros de água. Se fôssemos segurar todo esse volume num piscinão, seria necessário um lote de 12mx30m, com profundidade de três metros – isso para cada quarteirão.
Para resolvermos parte do problema das enchentes urbanas, temos que entender que a questão da permeabilidade do solo é problema de todos; que precisamos promover uma mudança cultural: 1) na forma como o poder público trata o problema; 2) na forma como as pessoas se sentem envolvidas nele.
Em São Paulo, um volume gigantesco de água corre rapidamente para os vales dos rios Tietê e Pinheiros cada vez que chove forte. Em Belo Horizonte, os fundos de vale são inundados várias vezes ao ano, como ocorreu com a Avenida Tereza Cristina na noite do réveillon de 2008. Em Uberlândia, no Triângulo, a Avenida Rondon Pacheco vira um rio toda vez que chove mais de 50mm. Se parte dessa água tivesse sido absorvida ou pelo menos retardada por canteiros e áreas com pavimento permeável, a enchente poderia ter sido evitada. Cada metro quadrado de solo permeável devolve 1,6 mil litros por ano ao subsolo. Se cada lote urbano tivesse 10 metros quadrados de canteiros rebaixados, 80% da água da chuva anual seria retida e encharcaria devagar na terra, recarregando os lençóis freáticos e ajudando a manter a cidade mais fresca no dia seguinte, com o processo de evaporação.
Em junho de 2009, a Universidade de Michigan (EUA), em parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte e a PUC Minas, realizou um estudo para analisar a permeabilidade do solo no vale da Vila Acaba Mundo, constituída na bacia do córrego homônimo na capital mineira. Os cálculos feitos revelam conclusões assustadoras. À medida que a população de baixa renda vai melhorando de vida, as áreas intersticiais vão sendo pavimentadas, como o é na cidade formal. Isso ocorrendo, o volume de água que chega ao córrego será o dobro do atual e ela vai descer na metade do tempo, exatamente como ocorre em todas as avenidas localizadas em fundos de vale. Se não mudarmos essa lógica, a tragédia do réveillon em Angra dos Reis vai ser considerada pequena no futuro.






acabei de voltar de uma semana intensa na qual viajei tanto e com tanta pressa que fiquei me sentindo um artista em turnê. Quarta-Feira em NY na Columbia University, apresentação de jovens arquitetos brasileiros, com Bruno Campos da BCMF, Celio Diniz da DDG e Eduardo Ferroni dos Cooperantes. Fantástica a energia da novíssima geração brasileira e boa a iniciativa de Columbia (Frampton estava na primeira fila e adorou ver os projetos nas favelas que fazem parte do portfolio de todos). Depois na quinta-feira visita a high line, genial parque elevado no west side, e final review do Studio Sangue-Bom de Keith Maseman e Raul Smith. No juri do estúdio estavam ainda Pedro Rivera, Washington Fajardo e Fernanda Lemos. O Rio brilhando em NY. Dai madruguei na sexta-feira para voar a Chicago e coordenar uma mesa sobre arquitetura latino americana que teve Paulo Venâncio (UFRJ), Hugo Mongragon (Catolica de Chile), Inez Zalduendo (Harvard) e Luis Castaneda (NYU), além do co-chair Luis Carranza (RWU). Assim que voltar a respirar conto aqui no parede algumas das estórias.
just got back from a intense week in which I felt like a touring artist. Wednesday in NY to watch Young Practices with BCMF, DDG and Cooperantes. Great energy from the newest Brazilian generation and great initiative from Columbia’s GSAPP. Frampton was in the first row and loved the favela projects that were showed by the three groups. Thursday visit to high-line and review of Studio Sangue-Bom by Keith Kaseman and Raul Smith. With me in the juri were Pedro Rivera, Washington Fajardo and Fernanda Lemos, Rio’s best in NY. Friday very early morning flight to Chicago to chair a session at SAH with Paulo Venâncio (UFRJ), Hugo Mongragon (Catolica de Chile), Inez Zalduendo (Harvard) e Luis Castaneda (NYU), besides my co-chair Luis Carranza (RWU). As soon as I can breathe again I will write some of the stories here.
dois dias de intensas conversas arquitetônicas advindas de todas as latitudes das Américas
two days of intense architectural conversations from all American latitudes
Tatiana Bilbao, Mexico City, Mexico
Javier Corvalan Espinola, Laboratorio de Arquitectura, Asuncion, Paraguay
Sebastian Irarrazaval, Sebastian Irarrazaval Arquitecto, Santiago, Chile
Vince James, Vincent James Associates Architects, Minneapolis, Minnesota
Jose Maria Saez Vaquero, Quito, Ecuador
Giancarlo Mazzanti Sierra, Giancarlo Mazzanti Arquitectos, Bogota, Colombia
Maryann Thompson, Maryann Thompson Architects, Cambridge, Massachusetts
plus Angelo Bucci, Carlos Jimenes and all UTSOA faculty in attendance
eu gastaria meses para cobrir tudo que foi debatido no restrito espaço deste blog, então deixo vocês com o melhor da festa: Saez Vaquero não apenas mostrou suas obras fantásticas, deu uma aula magistral sobre a gravidade e sua resposta arquitetônica: a estrutura. Meus aplausos hoje vão para ele em Quito.
I would need many months to cover everything we talked about in this restricted blog space, but let me introduce you to what I think was the very best: SaezVaquero not only showed his amazing works, he delivered a lecture about gravity and its architectural response: structure. Hats off to him today, go check it out.
acabei de chegar de New Orleans onde fui falar que na America Latina temos o equivalente a um Katrina todo ano, e foi bom ver a cidade vibrante, bem melhor que a 3 anos atrás.
entender os limites da arquitetura perante a natureza é fundamental para percebemos o que podemos e o que não podemos fazer através do desenho. Mas pior que errar por prometer demais ou prometer de menos é errar por insistir num conceito ultrapassado e enterrar milhões numa obra errada em todos os sentidos.
pois foi isso que fez o popular governador das Minas Gerais. Errou feio e deixa um trambolho como legado da sua administração. Começando pela decisão de criar um campus administrativo a 15 km do centro, idéia que já foi testada antes na Bahia e no Paraná com resultados pífios. No momento em que centenas de edifícios no centro de BH tem ocupação de 20% (loja e sobre-loja valorizados, o resto vazio), o governo do estado estimula o esvaziamento ao transferir dezenas de milhares de funcionários dalí. Apesar de ser a favor da transformação da Praça da Liberdade em equipamentos culturais (não acredito que prédios com segurança controlando a entrada possam ser mais públicos que um museu ou uma sala de concertos), a decisão de mudar a administração estadual para longe do centro é um erro que vai causar muito dano a BH (deslocamento, esvaziamento, isolamento) e vai demorar muito para ser amenizado.
outro erro grosseiro foi chamar Oscar Niemeyer para o projeto. Prezados colegas oficiosos, ninguém avisou o governador que a idéia era furada? Qualquer arquiteto decente sabe que o genial velhinho não tem equipe há décadas. Mas no centro administrativo de MG ele bateu todos os recordes: fachadas envidraçadas para nascente e poente, volumes primários, pé-direito de 2,40m em algumas partes. Dois anos atrás eu tive a chance de ver os desenhos que a construtora recebeu de Niemeyer e fiquei chocado com o nível primário das plantas e a absoluta ausência de detalhes. Tenho pena de quem vai trabalhar lá.
em resumo, na ânsia de se fazer o JK do século 21, Aécio Neves conseguiu fazer a história se repetir como farsa.
I Just got back from New Orleans where I spoke about the tragedy of having the equivalent of one Katrina every year in Latin America. It was good to see the city vibrant again, very different from the last time I was there 3 years ago.
to understand the limits of architecture is fundamental for us, to know what we can and what we cannot achieve from drawings. But much worse than promising too much or too little is to insist on a antique idea and bury millions on a project that is wrong in every count.
unfortunately that’s what the governor of my beloved Minas Gerais just did. His decision of creating an administrative campus 10 miles from downtown, something already deemed as a failure, was bad at the root and bad all the way. In times in which hundreds of downtown buildings are only 20% occupied (storefronts only mostly), the state government makes it worse by transferring 12.000 employees to this campus: that means more congestion, more abandonment, more isolation.
the second big mistake was to invite Oscar Niemeyer. I wonder why nobody in the governor’s circle told him what we all know: that the genial centennial has no team in the last 2 decades. And in this project he might have done the worse job of his long and productive life. Glass facades facing east and west??!!! Ceiling heights of 8ft in many rooms??!!! Two years ago I had the chance to see the drawings he delivered and I was chocked with how poorly detailed and undeveloped the plans were. I have pity on those who will work there.
in summary, anxious to become the Kubitcheck of the 21st century, Aécio Neves made history repeated as a farce.
esta semana a conversa sobre o uso do termo América Latina esquentou na ReCUA. Dados todos os argumentos a favor e contra o uso do termo, eu acho que o termo já está arraigado no uso corrente, mas me interessa muito mais examinar a arquitetura existente para entender se existe ou não traços comuns a alguns ou a todos os países.
por exemplo, seria o ensino de arquitetura diferente a norte, sul, leste ou oeste do golfo do México? Parafraseando Marcos Barinas, coordenador da ReCUA, nosso ensino é Bauhaus na teoria e Beaux-Arts na prática. O que pra mim se aplica às Américas como um todo e quiça o resto do planeta também.
o que me serve de identidade latino-americana (ou qualquer outro nome que se queira usar) é a materialidade do cimento e do tijolo, absolutamente hegemônica na periferia de todas as cidades ao sul do Texas, enquanto a estrutura em gaiola de madeira (balloon frame) domina todas as áreas residenciais do Rio Grande pra cima.
então é isso, se o termo America Latina tem esqueletos demais no armário, eu sugiro o uso para efeitos arquitetônicos do termo America Cimenteira
this week the debate about the term “Latin America” was intense at ReCUA. I do believe that the term is already rooted in our consciousness but I propose we look at the existing architecture (with minor A on purpose) to look for the existence (or absence) of common threads.
for instance, would architectural education be different whether north, south, east of west of the Gulf of Mexico? Quoting ReCUA’s coordinator Marcos Barinas, our education is Bauhaus in theory and Beax-Art in practice. And that for me applies not only to the Americas but to the whole world.
what does work as common identity to the peripheral areas of all cities south of Texas is the materiality of cement and brick, as opposed to the wooden balloon frame of residential neighborhoods north of Rio Grande.
so if you think that the term Latin America has too many skeletons in the closet (thanks Robert) I propose that in architecture we use the term Cement America.
a semana foi intensa aqui na UTSOA, com as palestras de James Holston na segunda e Jorge Otero Pailos na quarta. Entre tantas questões interessantes abordadas destaco o tema da preservação que de certa forma foi o tema central de ambas.
Holston falou bastante sobre Oscar Niemeyer, fazendo uma leitura antropológica que celebra o Copam e destrói o Memorial da América Latina, crítica justa na minha opinião. Eu mesmo já escrevi várias vezes aqui no Parede que Niemeyer vem destruindo sua própria obra desde os anos 80 com uma sucessão de projetos horríveis cujo ponto de partida foi o triste Memorial do Quercia. Mas foi ao falar do tombamento de Brasília que Holston se destacou. A idéia de congelar uma cidade inteira (ou a parte nobre dela) trai o espírito original de Brasília, Segundo Holston, de um experimento urbano radical e projetado para o futuro. O Iphan, criado pelo mesmo Lucio Costa, teve como missão original preservar a qualquer custo um patrimônio colonial que estava caindo aos pedaços. O erro foi não deixar esta teoria de preservação evoluir. Tombou-se o conceito de preservação histérica.
e é aqui que entra o mais criativo e provocador estudioso contemporâneo da preservação: o espanhol Jorge Otero Pailos, professor em Columbia, NY e vice presidente do DOCOMOMO US. Jorge já começa criticando o “desejo de invisibilidade” dos preservacionistas, sugerindo que cada edifício merece uma intervenção criativa que se torna parte da evolução natural das estruturas. Sua provocante “ética da poeira” lembra que nem as pedras estão paradas no tempo, constantemente absorvendo e expelindo matéria.
na minha opinião este é o mais importante debate a respeito da nossa herança moderna. Ouro Preto já está perdida para um conceito arcaico de preservação pastiche. A mesma Ouro Preto onde Lucio Costa “colonizou” dezenas de edifícios neo-classicos. Resta lutar por uma preservação mais inteligente dos edifícios modernos, a verdadeira jóia da coroa do ambiente construído brasileiro.
the week was intense here at UTSOA with lectures by James Holston on Monday and Jorge Otero Pailos on Wednesday. Among many interesting questions raised I would highlight the issue of preservation that was to some extent the focus of both.
Holston talked a lot about Oscar Niemeyer, threading an anthropological critique that celebrates Copam and ridicules the Memorial of Latin America. Fair game in my opinion for I already wrote many times here that Niemeyer is destroying his own legacy since the 1980s with a succession of awful projects that started with the Memorial. But it was talking about the preservation of Brasilia that Holston hit the bull’s eye. The idea to freeze an entire city (or the best part of it) betrays the original spirit of Brasilia: a radical and audacious urban experiment launched towards the future according to Holston. The Iphan (Brazilian Institute of Conservation), created by the very same Lucio Costa back in 1937, had as original mission to preserve at any cost a colonial heritage that was falling to pieces. The mistake was to not allow this theory of preservation to evolve during the 20th century. The idea of histerical preservation preserved itself.
and it is here that the most creative and provoking contemporary scholar of preservation enters the scene: the Spaniard Jorge Otero Pailos, professor at Columbia, NY and vice president of DOCOMOMO US. Jorge starts by criticizing the “desire for invisibility” of most preservationists, arguing that each building deserves a creative intervention that will becomes part of the structure’s natural evolution. Its provocative “ethics of dust” reminds us that nor even stones are frozen in the time, constantly absorbing and expelling matter.
in my opinion this is the most important debate regarding our modern heritage. Ouro Preto (Brazilian 18th century larger city) is already lost to archaic pastiche preservation. The same Ouro Preto where Lucio Coast “colonized” dozens of neo-classic buildings. If there's any hope left it implies fighting for a more intelligent preservation of the Modern Movement buildings, the true jewel in the crown of the Brazilian built environment.
este é o primeiro post do que pretende ser uma série mensal sobre arquitetura Latinoamericana, parte dos trabalhos do grupo LAMA aqui na Escola de Arquitetura da Universidade do Texas em Austin. E já começo questionando a própria idéia de América Latina.
o termo tem uma origem complicada e nenhuma precisão. Define o quê essa tal América Latina? Uma identidade linguística em torno das línguas latinas? Se assim fosse deveríamos incluir Quebec e excluir a Jamaica, por exemplo? Ou se trata de uma questão de herança cultural ibérica, o que incluiria a Florida, o Texas e a Califórnia, três dos quatro estados mais populosos dos EUA. Usado pela primeira vez por escritores da hispano-américa em meados do sec. XIX, o termo América Latina foi popularizado pela intelectualidade francesa no final do mesmo XIX, como que para afirmar a supremacia do pensamento francês vis-a-vis o expansionismo norte-americano.
mais recentemente, Walter Mignolo e Enrique Dussel seguiram o caminho aberto por Edmundo O’Gorman e questionaram a fundo esta “construção” de uma América Latina que as vezes ocorre de dentro para fora (MERCOSUL por exemplo) e as vezes se faz de fora para dentro (pensando aqui nos departamentos de estudos latinoamericanos espalhados pelas universidades da Europa e dos EUA).
acontece que apesar de artificial, o fato é que estas identidades se impõem e o Brasil é inclusive um exemplo interessante. Apesar de séculos de aproximações e/ou afastamentos, acredito que os Brasileiros hoje se identificam muito mais com seus vizinhos dentro do guarda-chuva da latinoamericanidade que com seus primos portugueses. É como se a potencialidade de uma identidade futura fosse mais forte que a pesada realidade do passado.
de qualquer forma, cabe concluir que para efeito do grupo LAMA interessa muito mais esta definição fluida e aberta de identidade como visão de futuro, onde cabem arquiteturas brasileiras, argentinas, peruanas, jamaicanas, quebecois, tejanas, ibéricas.... em resumo, uma identidade plural, latina & americana.
this is the first post of what I hope will be a monthly series on Latin American architecture, part of our LAMA group here at UT Austin School of Architecture. That said I will start by questioning the very idea of Latin America. What does it mean? What does it represent?
the term has a complicated origin and carries no precision. What defines Latin America? A linguistic identity? If thus we would have to include Quebec and exclude Jamaica, for instance. Or if it is a question of Iberian cultural inheritance, should we include Florida, Texas and California, three of the four more populated states of the US? Used for the first time by writers of Hispanic-America in the 1850s, the term Latin America was popularized by the French intellectuals in the end of the same 19th century as way to affirm the supremacy of French thought in face of North American expansionism.
more recently, Walter Mignolo and Enrique Dussel have followed the steps of Edmundo O'Gorman and questioned the “construction” of a Latin America that sometimes times happens from inside out (MERCOSUL for example) and other times is imposed from the outside (thinking here of the departments of Latin American studies so common in European and North American universities).
despite being an artificial construction those identities take hold and Brazil can be an interesting example. Discarding centuries of connections and disconnections, I believe that Brazilians today identify themselves much more with their neighbors under the umbrella of latinamericanidade then with its Portuguese cousins. It is as if the potentiality of a future identity is stronger than the weighed reality of the past.
in any case, I would like to conclude that regarding the LAMA group it is more fruitful to adopt the fluid and open definition of identity as a future vision, where we can fit architectures from Brazils, Argentinas, Perus, Jamaicas, Quebecs, Tejas, Iberias…. in summary, a plural, Latin & American identity.
ps: hoje é a abertura da Brasilia Lecture Series com James Holston

em tempos de extensa virtualidade a arquitetura é mais presente quando não funciona, quando as luzes se apagam, ou descem as encostas, ou a terra treme.
na verdade a fragilidade da vida nem precisa do colapso da arquitetura para se revelar, basta um único tijolo caindo do andar de cima. De repente a arquitetura se faz fragilíssima diante da natureza, levando consigo várias vidas e deixando pra trás a insuportável consciência de seu peso, sua matéria, sua gravidade.
um dos artigos meus de que mais me orgulho trata disso e pode ser lido aqui ou aqui: a arquitetura é mais visível quando falha.
mas para não ficar só lamentando a fragilidade e a irrelevância da arquitetura deixo aqui dois argumentos em contrário.
Martha Skinner e Doug Hecker deixaram de ficar apenas desenhando containers servindo de habitação popular e puseram a mão na massa (ou na lata), cortando, pintando e remendando um container pra provar que a idéia é viável. E sabe onde está um dos maiores depósitos de containers aposentados nas Américas? No Haiti que importa mais do que exporta e por isso tem um superávit de containers.
do outro lado do mundo John Scott-Railton (quem eu tive a honra de ter como orientando) levou alguns GPSs para o Cambodja e junto com uma ONG local mapeou uma comunidade que o governo queria expulsar. De posse do mapa (desenho é poder sim, não nos esqueçamos) o grupo tem conseguido uma posição muito melhor na negociação.
a arquitetura é sim quase sempre invisível até o ponto de rompimento, quando se torna pesada e dura,
mas não irrelevante.
in times of intense virtuality architecture is more present when it doesn’t work, when the lights are off, when the mudslides come down or when the earth shakes.
in fact, life’s fragility doesn’t even requires architecture’s collapse to reveal itself, all it needs is a loose brick from the floor above. Suddenly architecture becomes extremely fragile in face of natural forces, carrying with it’s failure several lives and leaving behind the unbearable awareness of its weight, its materiality, its gravity.
one of my favorite pieces talks about the fact that architecture is more visible when it fails (it can be read here or here)
but instead of lamenting the frailty and the irrelevance of architecture I leave here two arguments for the contrary.
Martha Skinner and Doug Hecker decided that architects should stop drawing emergency houses made out of shipping containers and went one step ahead: cutting, painting and patching an old container to prove it can be used as affordable, durable and ready-made houses. And guess where are the largest number of retired containers in the Americas: in Haity, a country that imports more than exports and therefore has a surplus of shipping containers.
and in the other side of the world John Scott-Railton (whom I once had the honor of advising) took a few GPS units to Cambodia and helped a local NGO produce a map of a shanty town that was under the threat of being evicted. The threat is still there but armed with only a map (yes, drawing is power, we should never forget that) is now in a much better position to negotiate.
architecture is very much invisible until it fails and becomes hard and heavy,
but it is not irrelevant