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Monday, April 5, 2010

lati2des, latitudes



dois dias de intensas conversas arquitetônicas advindas de todas as latitudes das Américas

two days of intense architectural conversations from all American latitudes


Tatiana Bilbao, Mexico City, Mexico
Javier Corvalan Espinola, Laboratorio de Arquitectura, Asuncion, Paraguay
Sebastian Irarrazaval, Sebastian Irarrazaval Arquitecto, Santiago, Chile
Vince James, Vincent James Associates Architects, Minneapolis, Minnesota
Jose Maria Saez Vaquero, Quito, Ecuador
Giancarlo Mazzanti Sierra, Giancarlo Mazzanti Arquitectos, Bogota, Colombia
Maryann Thompson, Maryann Thompson Architects, Cambridge, Massachusetts


plus Angelo Bucci, Carlos Jimenes and all UTSOA faculty in attendance



eu gastaria meses para cobrir tudo que foi debatido no restrito espaço deste blog, então deixo vocês com o melhor da festa: Saez Vaquero não apenas mostrou suas obras fantásticas, deu uma aula magistral sobre a gravidade e sua resposta arquitetônica: a estrutura. Meus aplausos hoje vão para ele em Quito.


I would need many months to cover everything we talked about in this restricted blog space, but let me introduce you to what I think was the very best: SaezVaquero not only showed his amazing works, he delivered a lecture about gravity and its architectural response: structure. Hats off to him today, go check it out.

Monday, March 22, 2010

diálogo de surdos / deaf dialogue

hoje é dia mundial da água mas meu post curtinho é sobre um problema ainda mais urgente: o extremismo.

ontem a noite enquanto aguardava o voto histórico dos deputados norte-americanos pela reforma do sistema de saúde, fiquei impressionado com a absoluta ausência de sentido do debate que se desenrolava. Deputados da oposição conservadora e da situação menos-conservadora-um-pouquinho alternavam falas de 1 ou 2 minutos cada. Um falava das 40.000 pessoas que morrem todos os anos nos EUA por simples falta de seguro de saúde. Vinha outro e berrava contra o socialismo. Um falava que é absurdo ter gravidez como condição pré-existente para negar pagamento. O próximo bradava a favor da “liberdade” de não ter plano nenhum. Cientes de que seu momento no microfone será editado e tirado do contexto para ser usado na próxima campanha, cada deputado fala só para a sua base. Um diálogo (ou dois monólogos) totalmente esquisofrênico.

a direita, como bem escreveu Paul Krugman hoje, insistindo no discurso do medo para não mudar nada. E o pior é que isso cola. Aqui mesmo, neste blog insignificante, tive de colocar moderação nos comentários porque pela segunda vez alguém que não concorda com as minhas idéias apela para o ataque pessoal.

triste o momento em que o debate de idéias não se sustenta, nem aqui nem no congresso da mais antiga democracia do mundo.




today is the world water day by my post is about an even more urgent problem: extremism.

yesterday night as I waited to watch the historical health care vote, I was deeply disturbed by the “debates”. A democrat would say that 40,000 people die each year for lack of health insurance. A republican would claim socialism! Another democrat would say that pregnancy could never be a pre-existing condition. A republican would defend the freedom to have no plan at all. Knowing that their moment in the microphone would be edited to be re-played in the Fall campaign, each group was speaking to its own base.

the result was a schizophrenic dialogue. Or two monologues ?

the conservatives, as Paul Krugman wrote today, have no contribution besides fear. And it works, unfortunately. Here in this very insignificant blog I installed comment moderation because for the second time someone who does not agree with my ideas decides to attack me personally.

sad is the moment in which a true exchange of ideas cannot be sustained, nor here, nor in the oldest of the democracies.

Monday, September 28, 2009

dan phillips



não é segredo para ninguém que as sustentabilidades (no plural, a sustentabilidade ambiental e a sustentabilidade social) me interessam. Difícil é conjugar as duas fazendo arquitetura. Samuel Mockbee e Teddy Cruz são exemplares na sustentabilidade social mas nem tanto na ambiental. Os avanços tecnológicos que permitem a um edifício gastar menos energia são ainda caros e proibitivos para a população de baixa renda.

mas conjugando reciclagem com mão de obra barata e auto-construção um maluco aqui no Texas está provando que a difícil equação acima descrita pode ser resolvida. Dan Phillips constrói e vende para a população de baixa renda da região de Houston casas que custam cerca de 20, 30 mil dólares (a mais barata até hoje custou 18k), preço de um bom carro novo. Esse valor num financiamento tradicional de 30 anos daria mais ou menos 200 por mês de prestação. como ele faz isso? Recebendo doações de todo tipo de material antes que sejam jogados no lixo. Sabe aquelas pontas de madeira que não tem valor comercial? Os últimos metros quadrados de azulejo de uma remessa? Amostra grátis de carpete do ano passado? Tudo isso é usado de forma criativa e segundo o próprio Dan explicou em sua palestra aqui na semana passada ele só segue duas leis: o código de obras e a lei da gravidade, o resto ele inventa como quer.

as casas todas tem essa cara de “reino da fantasia” porque não se guiam por nenhum parâmetro estético pré-estabelecido, apenas o material disponível e a inventividade dos operários. Phillips diz que só paga salário mínimo (cerca de 1200 dólares aqui no Texas) de forma a manter baixo o custo das casas e manter o ambiente de aprendizado. Os trabalhadores deveriam poder arrumar um emprego melhor depois de alguns meses com Phillips.

funciona no Texas onde a mão de obra é bem barata,

funciona na escala de 2, 3 casas por ano.


mas será que não pode funcionar em outros lugares e em numa escala maior?

ps:veja o video encontrado por A.M. de odesproposito.



it is no secret that I am interested in sustainabilities (environmental and social sustainabilities). However is quite difficult to stitch them both together in architecture. Samuel Mockbee and Teddy Cruz are exemplary in the social side but not so much on the environment. And technological advances that allow a building to save energy are still expensive and out of reach of low income population.

but conjugating recycling with cheap labor and auto-construction someone in Texas is proving that the difficult equation mentioned above can be solved.

Dan Phillips builds and sells for low income folks around Houston houses that cost 20 to 30 thousand dollars (the cheapest to date was 18k), which with traditional 30 year mortdgage would be around 200 a month or less then most new cars. how does he do it? Receiving donations of all kinds of materials destined to landfills. Wood pieces, the last sqft of certain tiles, carpet samples. Everything is then used very creatively and according to Dan he only follows two laws: building codes and gravity besides which he does what he and the workers want.

the houses do look like story tales because they follow absolute no preset aesthetic parameter, only the material availability and the creativity of the laborers. Phillips says he pays minimum wage to keep cost low to keep the business as an apprentice workshop. Workers are encouraged to find a better job after some months with Phillips.

it works in Texas where the labor is cheap,


it works with 2, 3 houses per year.

but why can’t it work in other places and in on a larger scale?

Monday, May 25, 2009

goodbye ann arbor


uma certa nostalgia me invade no momento em que escrevo aquele que será o ultimo post de Ann Arbor. Foram 10 anos por aqui, entre 1996 e 2000 e agora entre 2004 e 2009. No final da semana que vem vamos pra praia, depois os dois meses de sempre em BH e quando voltarmos no início de agosto estaremos de casa nova na Universidade do Texas em Austin.


tive vontade de escrever sobre o que aprendi em Michigan mas cá estou na minha sala entre pilhas de papel a serem descartados e livros a serem encaixotados. Entre tanta matéria fico pensando mesmo é no imaterial. O que vivi e aprendi em uma década aqui é difícil de traduzir em palavras, cada vez que tento terminar este parágrafo me vejo abandonando o teclado para colocar o livro X na caixa Y ou salvar um papel qualquer da sina de ser reciclado.
mas acho que existe aqui um rigor no trato da arquitetura que espero carregar comigo. Os studios funcionam 24 horas por dia, 7 dias por semana, de setembro a abril, direto. As longas horas na prancheta, no computador ou no corredor das reviews (CMYK para os íntimos) fazem com que tenhamos todos, alunos e professores, um compromisso com a arquitetura que eu nunca experimentei em outras escolas onde estudei ou dei aulas.


e ainda a crença de que a pesquisa e o projeto são duas faces da arquitetura, muitas vezes opostas como numa moeda mas basicamente inseparáveis.


mas acima de tudo levo comigo a lembrança de muita gente bacana com quem convivi nesses anos todos. Gente que veio daqui de perto ou da China, da Índia, da Rússia, da Tailândia, do Egito, do México, da Suíça, da Argentina, da Alemanha, da Nigéria. Gente que importa como diz nosso centenário Oscar.


ps: ainda sobre o muro em torno das favelas no Rio, porque não murar também aqui e aqui?



a certain nostalgia invades me at the moment at that I write my very last post from Ann Arbor. It has been 10 years total, 1996 - 2000 and now from 2004 until this week, when we will pack the house, take off to the beach, and arrive in Belo for 2 month there. At the beginning of August, back in the US, we will be in a new house at the University of the Texas at Austin.


I thought of writing about what I learned in Michigan but here I am, in my office, between stacks of papers to be discarded and books to be boxed. Among so much matter that doesn’t really matter, I am thinking about the immaterial that I carry with me. What I experienced and learned in one decade here is difficult to put in words, each time I try to finish this paragraph I see myself abandoning the keyboard to place some book in some box or to save a paper from the recycling bin.


I should then write about the rigorous way in which architecture is dealt with here, something that I hope to carry with me. The studios operate 24 / 7 from September to April. The long hours at the drawing board, at the computer or in the review corridor (a.k.a. CMYK) make us all, students and faculty, extremely committed to architecture in a way that I have never seen in any other school I taught before. On top of that there is the belief that research and design are two faces of the same architecture, often opposing one another as in a coin, but basically inseparable.
but above all I take with me the memories of so many people with whom I had the pleasure to work here: people from around the corner or from China, India, Russia, Thailand, Egypt, Mexico, Switzerland, Argentina, Germany, Nigéria….. people that really matter as our centennial Oscar would say.

Monday, May 18, 2009

zumthor e moore

este post vai sair meio estranho porque a idéia é misturar Peter Zumthor com Charles Moore mas vamos ver se eu consigo explicar tal casamento.

estive no Texas na semana passada nas bancas finais da Universidade do Texas at Austin e no avião fui lendo o livro novo de Peter Zumthor que comprei meses atrás (antes do Pritzker vale dizer) e não tive tempo de ler antes do final do semestre. O texto é interessante, não tão refinado quanto seus edifícios e às vezes cheio de “verdades” meio subjetivas demais pra mim.

mas logo no início uma frase chamou a minha atenção e ficou gravada na minha cabeça. Zumthor escreve que são muito poucos os problemas arquitetônicos que ainda não foram solucionados, e continua afirmando que infelizmente a maioria dos arquitetos insiste em re-inventar soluções a cada projeto e com isso acabam atrasando o desenvolvimento da arquitetura.

pensei nisso durante os 3 dias em Austin e principalmente na quinta a noite quando a escola fez sua recepção de fim de ano na casa que Charles Moore construiu quando deu aula lá. Não sei se foi pelo ambiente descontraído e divertido da festa, pelo número elevado de colegas falando meu português ou pela casa em si mas o espaço parecia perfeito para uma festa. Dois pavilhões dispostos em L em volta de uma pequena piscina e com a articulação entre eles coberta do sol que ainda brilhava as 7 da noite mas aberta e ventilada. Dentro dos pavilhões o pé-direito varia de acordo com o programa e as cores, sempre muito fortes, dão o tom descontraído da casa.
em resumo, eu acho que os pós-modernos erraram na dose e acabaram jogando fora algumas das melhores características do modernismo. Mas quase sempre acertaram em serem modestos usando soluções consagradas para vários dos problemas arquitetônicos deixando de lado a obsessão vanguardista de reinvenção constante




this post will be a bit strange because the idea is to mix Peter Zumthor with Charles Moore but let me try to explain such weird marriage.

I was in Austin last week for the final reviews at the University of the Texas and used the airplane time to read Peter Zumthor’s new book which I bought months ago (before the Pritzker I should to say) and did not have time to read before the end of the academic term. The text is interesting, not as refined as his buildings and often times full of “subjective truths”.

but at the very beginning a phrase caught my attention and was stuck in my head. Zumthor writes that there are very few architectural problems that have not yet been solved, and continues explaining that unfortunately the majority of architects insists on re-inventing solutions to each project and the result is a delay in architecture’s collective development.

I thought about this during the 3 days in Austin and mainly on Thursday night when the school hold its end of year reception in the house that Charles Moore built when he taught there. I don’t know if it was for the relaxed environment, for the high number of colleagues speaking my Portuguese, or for the house in itself but the space seemed perfect for a party. Two pavilions in L around a small swimming pool connected by a covered open porch. Inside the pavilions the ceiling height varies in accordance with the program and the colors, always very strong, dictate the exciting tone of the house.

in summary, the post-modernists might have been wrong on the dosage and discarded many of the best modernist features. But they were almost always right in being modest and using consecrated solutions for several architectural problems, leaving behind the avant-garde obsession with constant re-invention.

Monday, May 11, 2009

buckminster fuller



no inicio de abril estive em Chicago e fui ver a exposição sobre a obra de Buckminster Fuller montada pelo Museum of Contemporary Arts. Nascido em 1895 Fuller foi o mais visionário dos arquitetos modernos norte-americanos. Expulso de Harvard (por ser pego com pornografia, imagine!) Fuller trabalhou na marinha durante a primeira guerra mundial e tentou tocar alguns negócios da família (sem sucesso) antes de resolver que ia ser inventor. Os protótipos Dymaxion dos anos 30 (um carro super aerodinâmico e uma casa a ser produzida em escala industrial) foram notados e Fuller começou sua carreira de professor errático, mudando de escola em escola enquanto trabalhava em projetos que juntavam industrialização e performance através de geometrias elaboradas.

sua obra mais conhecida é o pavilhão dos EUA na feira de Montreal de 1967 (a mesma para a qual Moshe Safdie construiu o Habitat), uma esfera geodésica de aço e acrílico com 62 metros de altura e 76 metros de diâmetro equatorial.

o que vale a pena discutir a partir da obra de Fuller é até que ponto pode-se classificar sua obra de “sustentável”? O catálogo e os textos da exposição insistiam e promover as invenções de Bucky Fuller como pioneiros da sustentabilidade já que ele inegavelmente buscava a eficiência na forma de construir mais com menos recursos.

me incomoda esta apropriação contemporânea de sua obra porque de certa maneira Fuller esteve a vida toda absolutamente imerso no paradigma mecânico-industrialista do século XX segundo o qual existe uma resposta eficiente para todos os problemas da humanidade. Pois foi esta crença no progresso tecnológico como panacéia que nos colocou neste buraco ecológico. Ao mesmo tempo em que a evolução tecnológica pode (e deve) resolver alguns dos problemas atuais, seguramente não resolve a todos.
Fuller projetou por exemplo uma cidade flutuante que poderia ser usada em caso de crise como um tsunami ou uma pandemia (só pra citar dois problemas recentes). Mas será esse o destino da humanidade, viver em casas provisórias e flutuantes fugindo da elevação dos oceanos ou da vaca-louca, aqui citados por serem tragédias causadas pelo próprio modelo industrial de produção produção produção.

será que a eficiência que Fuller tanto buscou não pode ser vista como uma forma melhor de aproveitar nosso tempo na terra, consumindo menos e conversando mais ao invés de querermos maximizar tudo?

como o mineirinho da piada, se é pra ter uma vida melhor e mais confortável pra que essa volta toda?



at the beginning of April I was in Chicago and went to see the exhibition on Buckminster Fuller mounted by the Museum of Contemporary Arts. Born in 1895, Fuller he was most visionary of all North American modern architects. Expelled from Harvard (for being caught with pornography, can you imagine!) Fuller worked in the Navy during the World War I and tried to run some of the family businesses (without success) before deciding that would be inventor. The Dymaxion prototypes of the 1930s(an super aerodynamic car and a house to be produced in industrial scale) got some notoriety and Fuller started his career of an erratic professor, moving from school to school while working in a variety of projects that joined industrialization and performance through elaborated geometries.

his most visible work was the U.S. pavilion in Montreal's 1967 WorldFair (the same one for which Moshe Safdie constructed the Habitat), a geodesic sphere of steel and acrylic with 62 meters of height and 76 meters of equatorial diameter.

what seems worth to debate about Fuller’s work is to what extent it can be classified as “sustainable”? The catalogue and the texts of the exhibition insistently promote the inventions of Bucky Fuller as pioneers of sustainability since it undeniably searched for efficiencies in form in order to build more with less resources.
but this contemporary appropriation of Fuller as “sustainable” bothers me because it is also evident that he was absolutely immersed in the mechanic-industrial paradigm of the 20th century, according to which there would be a technological response to all the problems of humanity. Besides, it was precisely this belief in technological progress as panacea that brought us such ecological mess. While technological evolution can (and must) resolve some problems, it surely cannot solve all. Fuller designed for instance a floating city that could be used in times of crisis such as a tsunami or a pandemic (to quote only two recent problems). But is that humanities future? To life in provisory cities escaping from the oceans rise of mad-cow disease, quoted here for being tragedies caused by the very same industrial model of production production production.

why couldn’t the efficiency that Fuller so decisively searched be seen as a better way to use our time in this life, consuming less and having more time for each other more instead of maximizing everything?

in Minas Gerais there’s a story of a man who was selling produce by the side of the road. Somebody stopped by trying to convince him to expand his business and he kept asking why? why a bigger stall? why a store? why a supermarket? why a franchise? until the visitor said that he would be able to leave comfortably and enjoy a peaceful life.

to which he then asked: why all the effort?

Monday, April 27, 2009

o bolo / the cake


no inicio dos anos 90 quando eu estava na escola, quer dizer, quando eu era aluno porque de certa forma nunca saí da escola, tínhamos uma metáfora instigante e irônica para se referir aos edifícios pós-modernos da década de 80. Chamávamos de BOLO e a idéia era que os prédios de Graves, Stern e Moore eram formados por simples “camadas” de programas ricamente decorados por fora.


de certa maneira me assusta o fascínio atual pela fabricação digital de superfícies ricamente elaboradas que passam a resolver vários dos dilemas arquitetônicos: industrialização versus individualização, envelope versus performance, transparência versus privacidade e por aí vai.


esta semana numa das bancas de graduação aqui em Michigan o assunto voltou com força porque vários dos projetos usavam e abusavam da cortadora laser e do CNC router para criar tais superfícies rendilhadas enquanto por dentro o edifício nada mais era do que camadas de programas ligados por escadas e elevadores.


e pra completar, um dos intrépidos alunos fez a volumetria do seu projeto na forma de um bolo cuja foto não me deixa mentir.
o resultado foi que a metáfora do bolo roubou a cena.

ps: hoje, segunda-feira, teremos a final review do favela studio com a presença de Edesio Fernandes e Raul Smith entre outros. Mais detalhes na próxima segunda-feira.


at the beginning 1990s when I was in the school, I mean, when I was a student because the truth is I never left school, we had a instigating and ironic metaphor to refer to the 1980s post-modernism. We called them CAKE and the idea was that the buildings of Graves, Stern and Moore were the result of just “layering” program while richly decorating the exteriors


in a certain way it scares me to perceive a similar approach in the current fascination with digital fabrication: richly elaborated surfaces that promise to resolve several architectural paradoxes: industrialization versus individualization, envelope versus performance, transparency versus privacy and so on and so forth.


this week, in one of the undergraduate reviews here in Michigan, the issue resurfaced because many of the projects abused the laser cutter and the CNC router to create intricate screens while inside the building there was nothing more than layers of programs connected by stairs and elevators.


to my surprise one of the students built a CAKE-model of his project (see photo)and the result was that the cake metaphor took over the conversation.

Monday, April 20, 2009

ruas no lugar de muros / streets not walls

de toda essa discussão sobre o desastrado muro em torno das favelas do Rio uma das melhores colocações foi a da Ana Paula Medeiros do Urbanamente e o que ela chamou de “mania de cercadinho”ou nas palavras dela mesma:“tendência à fragmentação, a criar grupos estanques de pessoas, de coisas. Tendência a reforçar a cisão entre grupos sociais distintos, a criar barreiras, a excluir. Seja com o intuito de enfatizar a exclusividade e o privilégio, como os currais vip dos shows, seja disfarçando com o argumento da preservação ambiental, como é o caso da atual discussão envolvendo as favelas do Rio.”

pois isso me parece um dos mais tristes fenômenos deste início de século. Quanto mais criamos comunidades virtuais ou laços com pessoas do outro lado do planeta, mais dificuldade temos em estabelecer qualquer troca com aquele que vive ali pertinho mas que se mostra muito diferente de mim.

ano passado me chamou a atenção o livro The Big Sort, de Bill Bishop e Robert Cushing. Os autores, um jornalista e um professor de sociologia da Universidade do Texas, partiram de dados eleitorais para mostrar que a população norte-americana esta se fragmentando em territórios ideológicos. Na eleição de Carter em 76 a grande maioria do país teve disputas acirradas a nível dos condados. Já na eleição de Bush em 2004 (e muito provavelmente também na eleição de Obama ano passado) a maioria do país foi de “lavadas” onde um ou outro candidato ganhou com mais de 20% de frente.

nas palavras de Bishop e Cushing“os EUA são hoje mais diversos do que nunca mas os lugares onde vivemos estão se tornando cada vez mais cheios de pessoas que vivem como nós, pensam como nós e votam como votamos. Esta transformação social não aconteceu por acidente, nós construímos um país onde podemos todos escolher qual vizinhança morar como quais notícias assistir. E estamos vivendo com as conseqüências desta segregação.Nosso país se tornou tão polarizado, tão ideologicamente incestuoso, que as pessoas não sabem e não conseguem compreender os outros.”

no caso brasileiro esta divisão não se revela tanto espacialmente, pessoas de ideologia e modos de vida bastante diferente ainda dividem o mesmo elevador na maioria dos prédios onde vive a classe média e média-alta das grandes cidades. Mas fora a diversidade dos apartamentos esta segregação acontece com força total, nas escolas que escolhemos para nossos filhos, nos shoppings, nos clubes, nos restaurantes. A mídia já percebeu isso há muito tempo e cada radio toca para seu público, cada revista escreve para seu público e com isso cria-se um ciclo vicioso que gera polarização porque as idéias iguais vão sendo ampliadas ao reverberarem em ouvidos fiéis. A direita torna-se mais direita e a esquerda mais esquerda num processo que espelha a profunda divisão norte-americana.

inconscientemente cada vez mais escolhemos estar em espaços onde estarão também aqueles que pensam como a gente, e as cidades vão perdendo um pouco do que elas tem de melhor que é facilitar o contato com tudo que me é diferente, com a alteridade, com aquilo que me altera.

por isso insisto em criticar o muro como intervenção desastrada. Primeiro porque como bem escreveu Sergio Besserman, ex presidente do IBGE, as favelas estão crescendo horizontalmente na zona leste e verticalmente na zona sul, onde os muros então não servirão para nada. Segundo porque se o problema é preservar a mata porque o estado não consegue conter a expansão ilegal então o muro não vai durar duas semanas. Terceiro porque os 40 milhões de reais reservados para os muros poderiam ser investidos em abertura de ruas. Ruas para que possa subir a polícia mas para que também possa subir a ambulância, o caminhão de lixo, os bombeiros. Ruas para descer o esgoto devidamente encanado. Ruas para que a acessibilidade gere mais possibilidade de contato, mais oportunidade de emprego e geração de riqueza. Ruas para que nossas vidas rodeadas de iguais sejam mais permeáveis, ainda que apenas potencialmente.

vale ler também o que escreveram Roberto da Matta e Sergio Magalhães [alem do otimo texto de Luiz Fernando Janot publicado em O Globo no ultimo dia 17 que o proprio autor disponibilizou nos comentarios desse post].


of all this quarrel around the disastrous wall around the favelas of Rio one of the best posts was written by Ana Paula Medeiros at Urbanamente and what she called “fancing mania” , the contemporary trend to create groups, to strengthen the split between distinct social groups, to create barriers, to exclude. Either with intention to emphasize exclusiveness and privilege, as the vip corrals in concerts, either hidden under the argument of environmental preservation, as is the case of the current wall around Rio's favelas.”

this seems to me as one of the saddest phenomena of this new century. The more we create virtual communities or ties with people on the other side of the planet, more difficulty we have in establishing any kind of meaningful exchange with that think different but might be so close to me.

last year the book “The Big Sort”by Bill Bishop and Robert Cushing called my attention. The authors, a journalist and a professor of sociology at UT Austin departed from electoral data to show that the North American population has been breaking down into ideological territories. In their own words: “America may be more diverse than ever coast to coast, but the places where we live are becoming increasingly crowded with people who live, think, and vote like we do. This social transformation didn't happen by accident. We've built a country where we can all choose the neighborhood and church and news show — most compatible with our lifestyle and beliefs. And we are living with the consequences of this way-of-life segregation. Our country has become so polarized, so ideologically inbred, that people don't know and can't understand those who live just a few miles away.”

in the Brazilian case this division not yet so strikingly spatialized. People of diverse ideology and life-style still share the same elevator in the majority of the buildings where the middle and upper middle class lives in major cities. But outside of apartments buildings segregation happens with total force, in the schools that we choose for our children, in shopping malls we go, in clubs, in restaurants. The media already knows that for a long time and each radio station caters to its public, each magazine writes for its subscribers in a vicious cycle that generates polarization because equal ideas get louder when reverberating in faithful ears, to the point of becoming two different languages, unintelligible for another audience. The right becomes more right and the left more left in a process that mirrors the deep North American divisions.

we feed that unconsciously each time we choose to be in spaces where we can find those that think like we do, and the cities lose a little the best they can offer which is to facilitate the contact with the different, with alterity, with that which alters me.

that’s why I insist on criticizing the wall as disastrous intervention. First because as stated by Sergio Besserman, ex director of the Brazilian Census Bureau IBGE, the favelas are growing horizontally in the east periphery and vertically in the southern part of town where the walls will then be good for nothing. Second because if the problem is to preserve the forest while the state cannot contain the illegal expansion then such wall won’t last two weeks. Third because the 40 million reais reserved for the walls could be invested in opening of streets. Streets so that give access to the police but also the ambulance, the garbage truck, the firetruck. Streets such that the sewage can come down properly. Streets that increase accessibility and more chances of contact (not less), more jobs and generation of wealth. Streets that make our contemporary insulated societies more permeable, even if only potentially so.

Monday, April 6, 2009

prefeito heavy-metal




Braddock é uma pequena cidade perto de Pittisburgh, Pensylvania, encravada no chamado rust belt norte-americano, portanto basicamente heavy-metal. Braddock foi sede da primeira usina comprada pelo magnata de aço Andrew Carnegie (lembram-se do Carnegie Hall ou da Carnegie Mellow University, é tudo fruto da fortuna do Andrew) e também seda da primeira de centenas de bibliotecas construídas pela família Carnegie há mais de 100 anos atrás.

Braddock que chegou a ter 20.000 habitantes nos anos 60 hoje tem pouco mais de 2000, todos pobres, 65% negros, com baixíssima educação formal e sonhando com um emprego qualquer. Na semana passada esteve aqui em Michigan o prefeito da cidade chamado John Fetterman. Fetterman nasceu e cresceu perto da cidade e seu visual hard-core se encaixa bem na dureza do lugar. Com 1,80m, cabeça raspada e 160kilos, o prefeito tatua no braço a data de cada assassinato em Braddock durante a sua gestão (já são cinco como mostra a foto).

acontece que Fetterman tem mestrado em Harvard e como um Obama white-trash consegue falar tanto a lingua da elite quanto o dialeto da população esquecida de sua cidade. Sua palestra foi eletrizante pra dizer o mínimo. As imagens da destruição tanto do tecido social (casas abandonadas com tudo dentro) quanto da arquitetura que o envolve (edifícios lindos caindo aos pedaços) evocam pelo avesso a importância do espaço construído na vida cotidiana de todos nós. E nas palavras de Fetterman, a única esperança da cidade é catalizar o restinho de beleza que ainda resta em tijolos e torres e fazer delas, pedacinho por pedacinho, um lugar melhor para os que lá ficaram e para os que podem ainda vir. E toma falar sobre os problemas das cidades encolhendo sem alternativa de emprego e renda. E toma falar sobre o abandono da arquitetura. E toma a falar sobre a insustentavel suburbanizacao.
e se Braddock ainda não é exatamente Portland já está atraindo todo tipo de artista e empreendedor na esteira do prefeito heavy-metal.

Braddock e Fetterman pra mim representam duas questões fundamentais: a importância do espaço construído na construção de uma sociedade melhor e a diferença que pode fazer um único ser humano dedicado.
quando penso nas feiúra das cidades pequenas de Minas Gerais por exemplo fico torcendo para que outros prefeitos e prefeitas com a emsma atitude heavy-metal tomem conta delas como Fetterman adotou a desesperada Braddock.

Monday, March 30, 2009

portland existe de verdade









sempre ouvi falar das maravilhas de Portland, Oregon e sempre achei que seria mais uma daquelas cidades norte-americanas com uma downtown cheia de lojinhas para turistas rodeada de edificios de escritórios e torres de estacionamento.


mas ao chegar lá na semana passada para apresentar na conferência anual da ACSA me surpreendi de verdade com a cidade. Já de cara o transporte do aeroporto para o centro é por trolebus e custa 2,50. Qual outra cidade de médio porte tem um transporte público descente e barato que vai até o aeroporto? No centro muita gente andando tarde da noite, depois fui de manhã correr no parque lienear que margeia o rio Columbia e me deparei com milhares de ciclistas indo pro trabalho. E o centro da cidade é cheio de famílias, crianças, idosos, enfim, gente que realmente mora lá e não só gente que alí trabalha ou turistas como são a grande maioria das cidades norte-americanas.

e não para por ai, o sistema de trolebus é gratuito na área central e por isso quando fui conhecer o Tanner Springs park peguei um vagão lotado de mendigos conversando sobre qual rua em qual horário rende mais esmola.o parque em questão é projeto do Atelier Dreiseitl, escritório especialista em paisagismo "molhado", e é uma beleza de emocionar. A nascente que existe no local foi preservada e a água corre por pequenos canais no meio de uma vegetação de pantano até um pequeno lago artificial na parte mais baixa do terreno. Pelas fotos dá pra perceber que o fato do parque estar mais baixo que a rua cria uma aconchegante sensação de proteção, de imersão na natureza ainda que só em uma quadra. O que as fotos não capturam é o delicioso barulho da água descendo pelas pedras, só indo lá pra sentir.

e pela cidade inteira existem pequenos parquinhos ou mesmo canteiros muito bem desenhados lidando inteligentemente com a água. Aliás, não poderia ser diferente dado que alí chove, não tanto quanto no sudeste brasileiro mas chove significativamente.

em resumo, fiquei encantado com Portland e no momento em que a administração Obama começa a derramar dinheiro em melhorias urbanas (ver Ourosoff no New York Times de ontem) espero que o tom seja dado pela verdade de Portland e não pela fantasia de Vegas Orlando.

Thursday, March 19, 2009

detroit




vale a pena ler a critica de
sobre Detroit na Slate dessa semana,

não sei se "the wrestler" com Mickey Rourke já entrou em cartaz no Brasil mas concordo plenamente com o texto de Rybzinski, se cidades fossem como personagens de cinema Detroit seria Randy the Ram, derrubado mas não completamente acabado.

Tuesday, March 17, 2009

student show









se eu tivesse que implementar uma única iniciativa que fizesse elevar o nível do ensino de arquitetura em qualquer escola seria a seguinte: coloque na parede os trabalhos dos alunos.

é exatamente isso que esta acontecendo aqui em Michigan esta semana, sob o título contemporariamente apropriado de “stimulus package” pois a exposição funciona exataemnte como um estímulo à melhoria da qualidade dos projetos.

funciona mais ou menos assim: cada professor de projeto escolhe os três melhores trabalhos do semestre passado e todos tem mais ou menos 1 metro de parede para expor seus desenhos. Pra arrematar um grupo de ex-alunos vai estar aqui esta semana para escolher os melhores projetos de cada ano. A escola fica inundada de bons trabalhos, a visibilidade faz com que tanto alunos como professores se esforcem mais da próxima vez e todo mundo ganha com isso.

por isso me desculpem o trocadilho com o nome do blog mas para melhorar a qualidade dos projetos da sua escola nada melhor que pendurar na parede.









Wednesday, January 21, 2009

viva a matemática





até pouco tempo atrás o discurso dominava a cena da arquitetura de vanguarda, era tudo idéia, narrativa, conceito. Em algum momento entre o final dos anos 90 e os primeiros anos do novo século a coisa mudou.

Stan Allen, diretor da escola de Princeton (Meca da teorização até então) esteve aqui uns anos atrás e proclamou que esse tal discurso crítico estava morto, a novíssima arquitetura agora lidava diretamente com a prática (o que ele chamou de critical practice em oposição ao momento anterior denominado critical discourse).

ferramentas digitais de projetação e fabricação são o bicho. Mesmo que as casinhas “pré-fabricadas” de Bill Massie custem 7.500 dólares por metro quadrado e existam sejam por enquanto únicas, é isso que atrai hoje os melhores alunos.

de volta à prancheta (sim ainda temos prancheta mas nem sinal de réguas paralelas ou esquadros) estão números, scripts, geometrias, padrões. Volumes intricados repetidos ad nauseum, parametric modeling, superfícies distorcidas moldadas em concreto com forma de isopor cortado a laser.

ainda não sei direito onde vai dar esta estrada mas celebro a volta da materialidade, da matemática e da lógica nos processos de investigação espacial.

como na poesia de Arnaldo Antunes, as coisas tem peso, massa, cor, textura,

falta encontrar a paz.

Sunday, January 18, 2009

menos 25!!!!



incrível como a gente se acostuma com qualquer coisa. Depois de uns 10 invernos em Michigan (1996-2000 e 2004-2009) eu achava que o frio não me incomodava mais. Claro que o inverno é longo e quando chega Março ninguém mais agüenta por e tirar casaco, luvas, cachecol, gorro, botas....


mas essa semana foi dura, parece que o inverno resolveu bater forte pra gente não se esquecer dele. Entre quarta e sábado as temperaturas máximas (às duas, três da tarde) ficaram abaixo de -10 graus centígrados e com as madrugadas batendo em -25. Na sexta as escolas públicas fecharam porque seria perigoso para as crianças pequenas ficarem esperando o ônibus na calçada, mesmo encapotados da cabeça aos pés.

e quando eu saí para trabalhar aconteceu uma coisa que eu nunca tinha experimentado, meu carro não virava o volante. Acontece que quando se anda nas ruas com resto de neve vai se formando um bolo atrás das rodas, igual quando se anda na lama. Este bolo entre a lataria e o pneu normalmente é macio como a neve (e sujo como o asfalto) mas na sexta-feira de manhã este bolo estava duro como pedra. Depois de limpar a calçada e a rampa da garagem, eu entrei no carro, dei ré até a rua e não consegui virar, o pneu estava travado por essa pedra de gelo e ainda bem que funcionou como um freio senão eu teria ido reto La no meio da rua. Voltei pra minha rampinha, peguei um pedaço de pau e quebrei o gelo atrás das rodas dianteiras pra poder dirigir normalmente.

meus amigos se derretendo nas praias em pleno janeirão, não reclamem do calor, por favor.
ps: o amiguinho da foto foi feito quando a temperatura ainda estava so' dois graus abaixo de zero.

Tuesday, January 13, 2009

a que ponto chegamos!

esta semana está acontecendo o Detroit Auto Show e apesar de todos os problemas com as montadoras americanas o show daqui continua sendo importante para medir o pulso da industria. Esse ano a conversa é toda sobre carros elétricos, baterias e etc…

mas quem roubou a cena mesmo foi o chefào da GM, Rick Wagoner. Perguntado sobre como anda a vida depois do socorro governamental, Wagoner disse que a vida anda bem difícil, ele não pode mais ficar em bons hotéis, não recebeu nada de bônus no ano passado e nem pode mais usar o jato da empresa, tendo de enfrentar até fila no aeroporto…

assim fica até fácil para a concorrência alemã e japonesa fabricar carros melhores.

Saturday, November 15, 2008

que pena que não foi o Piano.....




saiu hoje na Slate a segunda parte da crítica de Witold Rybczynski sobre os dois novos prédios de Renzo Piano na California, agora enfatisando a academia de ciencias em San Francisco. O edifício é lindo e elegante, como alias tudo que conheço de Renzo Piano, e o texto de Rybczynski é excelente.


mas o melhor do texto (e eu nem vou falar aqui da cobertura com plantas nativas e do aproveitamento da água de chuva) é o ultimo parágrafo que trata da relação entre o projeto de Piano e seus vizinhos Herzog e De Meuron:

“The California Academy of Sciences sits across from the new de Young museum of art, which likewise replaced a building damaged in the 1989 earthquake. Two different types of museums, two different architects (the de Young was designed by Swiss Pritzker Prize winners Herzog and de Meuron)—and although both buildings could be described as big boxes, they represent two different visions of the role of the contemporary architect: problem-solving vs. art-making. Of course, all buildings do both, but Piano seems to be more directly concerned with the former, while Herzog & de Meuron's self-absorbed architecture is a result of the latter. Whether you prefer one or the other may be a matter of taste, but standing on the roof of the Academy looking at the de Young, I was struck by its slightly ominous appearance—and how intrusive the 144-foot canted tower is in Golden Gate Park. The California Academy feels much more at home.”

Sunday, November 9, 2008

Eisenmann por escrito

acabei de ler este final de semana a tese de doutorado de Peter Eisenmann: The Formal Basis of Modern Archietcture.

um primor de análise formal, Eisenmann é excelente quando analisa Corbusier, Aalto, Wright e seu favorito Guiseppe Terragni. Como arquiteto são muitas as criticas a sua obra. Eu arrepio por exemplo toda vez que ele fala que faz arquitetura para si mesmo e não se importa com mais ninguém, nem com o cliente que está pagando a conta.

mas como estudioso da arquitetura Peter Eisenmann é fantástico, ler sua tese é entender em detalhes a gênese formal do que de melhor construímos no século passado.

só que tem um detalhe importante, a tese de Eisenman foi publicada em 2006 por uma pequena editora Suíça, 43 anos depois de ter sido defendida em Cambridge. Isso mesmo, entre 1963 e 2006 a tese ficou juntando poeira em prateleiras inglesas. Eisenmann publicou alguns artigos a respeito mas juntando tudo tenho absoluta certeza que pouco mais de algumas centena de pessoas leram a respeito.

no entanto, não conheço nenhum arquiteto digo do titulo profissional que carrega que não diga conhecer a obra de Eisenmann. Mas ao invés de ler sua obra nós consumimos imagens dela apenas. Não estou aqui negando o fato de que a visualidade tem um papel central na nossa profissão e serei o primeiro a defender que uma imagem vale mais que mil palavras.

mas existe algo em uma tese, uma organização lógica e sistematização do conhecimento que não se transmite apenas graficamente.

agora se a tese de doutorado de um dos mais celebrados arquitetos do final do século 20 demora 43 anos para ser publicada, tem algo muito errado acontecendo (ou não acontecendo) entre a produção do conhecimento na academia e a divulgação deste.

Wednesday, November 5, 2008

mais Obama




a fila da foto não é de eleitores esperando a vez de votar ontem mas sim de gente fazendo fila para comprar um jornal hoje de manhã (no caso o NY Times). Jornais do país inteiro esgotaram a tiragem de 50% a mais que o normal por volta das 9 da manhã.


este é o clima hoje nos EUA. A sensação de que o país finalmente acordou e oito anos de Bush-Cheney foram um longo e tenebroso pesadelo.

dava pra ver na cara das pessoas hoje de manhã, o dia bonito de novembro ajudou mas a energia coletiva liberada pela vitória expressiva de Obama é impressionante.

Tuesday, November 4, 2008

Obama




hoje fomos dormir felizes da vida. O reinado do medo e da ignorância explorado pelos conservadores aqui nos Estados Unidos acabou. Se fini. It is over. Vale aqui o slogan de Lula em 2002: a esperança venceu o medo!

e não só isso, o país acaba de eleger um negro ,com nome árabe, nascido no Hawaii, que morou na Indonésia quando criança. A carga simbólica disso é gigantesca, um passo significativo na direção de uma desejável igualdade independente de sexo, cor da pele, religião ou etnia.

aqui em Ann Arbor, o clima é de festa. Os posters de jardim como os da foto acima são tantos que OBAMA foi a primeira palavra que minha filha de 5 anos leu sozinha na rua.

Obama trás uma carga de otimismo e esperança que tem sim um enorme poder de transformação. Só a mensagem de diálogo e diplomacia já seria suficiente para colocar os EUA alinhados com o resto do mundo depois que Bush usou 9/11 para seqüestrar o discurso político.

e assim como Lula em 2002, Obama deve desapontar muita gente porque governar é muito mais difícil do que fazer campanha, mas minha expectativa é de que assim como Lula, Obama deixe um país melhor depois dos oito anos que deve governar.

de qualquer forma, eu deixo de dizer que gosto de 49% dos EUA e passo a dizer que gosto de mais ou menos 52%. A diferença de 3 ou 4% é enorme.

bom dia 5 de novembro pra todo mundo.

Thursday, October 30, 2008

a GM vendendo geladeiras


muito tem se falado aqui em Michigan sobre a situação pre-falimentar das montadoras de automóveis. A cidade de Detroit há muito já foi pro buraco mas mas três grandes (Ford Chrysler e GM) ainda são extremamente influentes e importantes por aqui. Esta semana a conversa era sobre a necessidade do governo americano ajudar a GM a comprar a Chrysler para evitar a falência das duas!!

ao mesmo tempo, no vôo para Illinois semana passada eu folheava a revista de bordo da cia aérea que mostrava os “lançamentos de Detroit para recuperar o mercado”. Entre as atrações se destacava uma câmera instalada no para-choque traseiro para evitar passar por cima das bicicletas na garagem e uma geladeira embutida entre os bancos dianteiro e traseiro.

enquanto Honda, VW, Subuaru e Toyota desenvolvem carros melhores, mais seguros, mais econômicos e mais bonitos, GM, Chrysler e Ford colocam geladeira e câmeras pra ver se ainda enganam por mais algum tempo. Pois é justamente enganação que eles andam vendendo.

nos anos 90, resolveram acabar com os modelos perua ou “station wagon” que sempre foram o tipico carro de familia, para construir carros com o dobro do peso (e consequentemente o dobro do consumo) chamados de mini-van ou SUV. E na promessa de que gasolina ia ser barata pra sempre eles venderam milhões desses monstrengos enquanto tiravam de linha os similares da velha Belina e da confortavel Caravan.

pois mesmo no Brasil onde os carros são menores e mais econômicos você só acha uma boa perua na VW Parati ou na Fiat Palio Weekend.

sacou a jogada das “big three”? Obrigar as famílias a comprar o dobro de lata pelo dobro do preço e ter o dobro do lucro.

pois acontece que com gasolina perto de U$ 4.00 ninguem quer SUV nem de graça. Essa semana o preço da gasolina voltou pra 2,90 mas porque o crédito está congelado. Quandoa situação se normalizar a expectativa é que o preço fique em torno de 3,50.

enquanto isso, surprise surprise, Honda, Subaru, Toyota e VW estão abocanhando o mercado que agora percebeu que não precisa de tanta lata, nem de geladeira, nem de câmera no para-choque.

como os republicanos estão descobrindo, não dá para enganar todo mundo o tempo todo.