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Saturday, March 17, 2012

paradigma do asfalto

meu texto que saiu na Revista Forum de janeiro, agora disponível online

Sunday, February 5, 2012

A direita ecológica

num texto publicado pela Revista Forum no mes passado eu dizia que a esquerda está correndo um enorme risco por não levar a sério a questão ecológica, investindo tudo no desenvolvimento a qualquer preço e podendo jogar a questão ambiental no colo dos conservadores.

pois já começou, ver O Globo de hoje

Friday, January 27, 2012

Tafuri ajuda a derrubar Bank of America

Molly Katchpole tinha acabado de se formar em arquitetura e estava procurando emprego (que ainda não achou) quando o Bank of America resolveu cobrar 5 dolares por mes de seus correntistas pelo uso do cartão de débito. Ao invés de apenas mudar de banco (o que ela acabou fazendo) Molly organizou um abaixo assinado pela internet que juntou 300.000 assinaturas e forçou o maior banco dos EUA a mudar de idéia e cancelar a taxa. O que não apareceu na mídia é que Molly foi uma excelente aluna do meu amigo Luis Carranza, que jura que ela aprendeu tudo isso num curso sobre Manfredo Tafuri. Viva o barbudo!

Monday, January 16, 2012

nice try

fui assistir a "dama de ferro" ontem e sai do cinema aliviado.


não tem jeito de transformar Margareth Thatcher em um personagem minimamente interessante.


tudo bem, ela foi a primeira mulher no clube do bolinha do parlamento inglês e isto tem seus méritos mas como o filme bem mostra ela era tão FDP com todos, principalmente com os trabalhadores, que nem como uma velhinha com princípio de alzheimer’s ela merece simpatia.


é Maryl Streep, nem você salva a Thatcher, nice try!

Saturday, October 15, 2011

Rochelle Martin, 1936 - 2011




no dia do professor este blog homenageia Rochelle Martin. Rochelle foi acima de tudo uma entusiasmada professora. Sua maior alegria era ter uma conversa de alto nivel sobre teoria da arquitetura. Como dedicada que era, Rochelle Martin deu aulas ate uma semana antes de morrer na semana passada, aos 75 anos, com uma energia de fazer inveja aos colegas 35 anos mais novos como este que aqui escreve.

saudades,

F.

Tuesday, September 20, 2011

ideias soltas na websfera

passeando ao léu pela internet não é que eu encontrei um texto meu do qual eu nem sabia que tinha sido publicado aqui.

Friday, March 25, 2011

triste Detroit

todo mundo sabe que Detroit é uma cidade decadente mas a escala da destruição naquela que ainda é a cidade sede da Ford e da GM é de assustar. Na última década a cidade perdeu 25% da população e agora voltou a níveis da década de 1910, exatamente um século atrás

minha reflexão a respeito está aqui

Tuesday, March 15, 2011

a crueza do óleo

publicado semana passada, minhas preocupações sobre o futuro do Brasil banhado em petróleo, aqui

Tuesday, January 18, 2011

a tragédia e algumas questões que não queremos responder




na semana passada eu estava do outro lado do mundo enquanto o céu desabava na região serrana do Rio de Janeiro, trazendo morro abaixo uma infinidade de água e lama e levando de volta pra cima centenas de almas. Mas obviamente esta explicação fatalista e quasi-religiosa não me satisfaz. Como entrar numa sala de aula ou sentar-se diante de um cliente e não pensar nas consequencias de cada talude mal drenado, de cada quintal impermeabilizado, de cada entulho jogado no lote do fundo que no próximo verão vai descer com a chuva para entupir as bocas-de-lobo, entupir de tragédia as páginas dos jornais, entupir de números as estatísticas e entupir de dor a vida dos que ficaram pra trás.


saturado pela discussão superficial e sensacionalista da mídia você neste parágrafo está pensando que este é mais um texto eco-chato sobre o modelo de ocupação das encostas, a política habitacional ou a incompetência do poder público.


nada disto. Como eu acabei de voltar de Cingapura, gasto hoje este espaço para refletir sobre os limites entre o poder de intervenção do estado e os direitos individuais.


uma das coisas que mais me assustou em Cingapura foram arquitetos e sociólogos, todos professores universitários com pós-graduação e experiência internacional, defendendo o modelo de democracia de Cingapura. Para quem não conhece, Cingapura tem partido único, imprensa controlada e um governo que regula e policia absolutamente tudo. Os casos mais famosos são os de chicotadas públicas por cuspir na rua ou multa por não dar descarga nos banheiros públicos. Numa outra conversa assuntos mais mundanos de arquitetura perguntei ao presidente do Instituto de Arquitetos de Cingapura se eles não tinham problemas de dilatação ao usar cerâmicas nas fachadas, caso típico de cidades tropicais como nós bem sabemos. A resposta dele: o código de obras especifica quais cerâmicas e quais argamassas podem ser usadas para cada tipo de edifício dependendo do tipo de estrutura, altura e exposição solar.


agora que nome damos a este tipo de relação público - privado? Capitalismo super-regulado? Fascismo pragmático? Exagero de zelo pelo bem comum? Mega big brother? Cingapura recebe tanta chuva quanto Manaus, 70% mais do que a media do sudeste brasileiro e o nível de planejamento é tanto que os arquitetos não estão nem um pouco preocupados com mortes decorrentes de enchentes e desabamentos. Estão preocupados em garantir que uma cerâmica 10x10 não despenque do 18o. andar.


a pergunta que andamos evitando no caso da tragédia da região serrana é que tipo relação com o estado nós queremos. Estamos dispostos a apoiar um estado que remova milhares de pessoas das regiões de risco e cobre impostos suficientes para prover infra-estrutura para estes mesmos milhares? Ou preferimos um estado que apenas policie e deixe para o mercado oferecer habitação de qualidade. Neste caso, estamos dispostos a pagar um salário mínimo de R$ 1500.00 que garanta a todos a possibilidade de pagar R$ 600.00 de prestação ou aluguel? Estamos dispostos a apoiar um estado (ou um CREA ou um CAU) que efetivamente fiscalize os afastamentos, áreas totais e taxas de permeabilidade?


nós que trabalhamos todo dia com a aprovação de edifícios e loteamentos estamos dispostos a defender as leis que os regulam diante dos clientes que perguntam se dá pra aprovar assim ou assado? Estamos dispostos a ir lá com a policia explicar os riscos da ocupação e exercer a interdição se necessário? Como, se não damos conta nem de explicar na reunião de condomínio que a varanda o pilotis não podem ser fechados com blindex.


o exemplo de Cingapura me parece sim extremo e autoritário, mas o nosso modelo de jeitinho para os amigos e leis para os inimigos está falido, enterrado debaixo de toneladas de lama em Ilha Grande, Angra, Teresópolis, Friburgo e onde mais chover. Estaremos dispostos a assumir responsabilidade coletiva por um modelo de espaço construído que não implique riscos de destruição em massa.

Saturday, January 8, 2011

uma década de bons horizontes





lá se vão 10 anos. Em 2000 eu fiz um workshop com os alunos da PUC-Minas procurando maneiras alternativas de se pensar e desenhar o espaço público. A idéia era termos workshops de “aquecimento” todo ano, em agosto em Minas e em janeiro em Michigan, aproveitando que as ferias de uns coincidiam com o início do semestre do outro.


viramos o milênio e nenhum professor da PUC se interessou em vir a Michigan mas cinco bravos alunos enfrentaram a neve para participar do segundo workshop em Detroit. Luciana Thomaz, Pedro Doyle, Gabriel Veloso, Marcelo Palhares e Luiz Felipe de Farias enfrentaram temperaturas de 10 graus negativos (e também se divertiram na neve) para redesenhar a praça central da Lawrence Tech University, diante de um edifício novo projetado por Charles Gwathmey, o menos famoso dos New York Five.


até ai nada de mais, se não fosse o fato de que Marcelo, Gabriel e Luiz Felipe abriram um escritório: Horizontes, assim que se formaram. Hoje Horizontes é líder em arquitetura pública em Minas Gerais, com vários prêmios e projetos no currículo. Eu, que nas minhas andanças tive a chance de passar várias vezes pelo caminho deles, tenho o maior orgulho de fazer parte desta história.


que venham a próxima década!



Saturday, January 1, 2011

dois pernambucanos




este blog parabeniza hoje estes dois pernambucanos da foto acima.


o de vermelho que todos conhecem acabou de fazer os melhor governo das últimas décadas, tirando milhões da pobreza, fazendo o país crescer e assumindo um papel muito mais importante no cenário mundial.


o outro, de terno, é Angelo Arruda, ex-presidente da Federação Nacional dos Arquitetos. No último dia de mandado (o lobby do CREA era tão forte quanto o de Berlusconi) o presidente Lula assinou a lei 12.378 que cria o CAU - Conselho de Arquitetura e Urbanismo, uma demanda de 70 anos dos arquitetos.


Angelo sabe que a luta está apenas começando, que não basta ter uma entidade própria, é necessário ter um conselho muito melhor que o CREA. Mas o passo é significativo, a valorização da arquitetura e do urbanismo passa pela afirmação dos valores próprios, distintos dos valores da engenharia.


a sensação do dever cumprido de ambos os pernambucanos (guardadas as devidas proporções) serve agora de inspiração e suporte para novos desafios.


Feliz 2011

Friday, December 10, 2010

o insustentável Libeskind

texto novo no ArqBacana,
tem mais comentários lá do que todo o ano de 2010 aqui,
cadê vocês todos?

boas festas,

F.

Sunday, October 31, 2010

o lado podre da convergência

Eu devia estar feliz que hoje o Brasil está elegendo sua primeira mulher presidente, continuando, quem sabe de forma um pouco mais combativa, as políticas públicas que fizeram do governo Lula o melhor desde JK.


Devia estar feliz também porque a se confirmar a vitória de Dilma Rousseff, ela vem acompanhada da derrota da direita mais arcaica, de Joaquim Roriz e Cesar Maia, e principalmente do neo-carola José Serra.


Mas da mesma forma que 1956-61 foram os “anos dourados”, temo que muito em breve teremos saudade do otimismo dos anos-Lula. E digo isto como quem descobre um amargo lá no fundo depois de engolir o que parecia doce. Explicando melhor, há anos digo em minhas andanças que o Brasil e os EUA estão em trajetórias convergentes (idéia confirmada pela The Economist). As desigualdades seguem aumentando aqui no norte com a renda do trabalhador estagnada a décadas (os anos 00 ainda vão ser conhecidos com a década perdida dos EUA), enquanto o Brasil cresce, distribui e aumenta a qualidade de vida da maioria da sua população.


Mas esta mesma teoria da convergência (trocadilho aqui com a famosa teoria da dependência que o príncipe FHC fez questão de renegar) volta agora a se afirmar como uma vingança. O pior dos EUA se revelou este ano de forma viva e agressiva na eleição brasileira. A direita, sem proposta e sem projeto, incapaz agora de sustentar seus velhos argumentos de que o bolo deveria crescer primeiro (Lula entrará para a história como o líder que derrubou esta velha falácia), apela para o que há de mais arcaico na sociedade brasileira: a hipocrisia de uma religiosidade de fachada. Sim porque tirando os 6% de neo-pentescostais e uma parte pequena dos católicos carismáticos que levam as regras da igreja a sério, ninguém dá a mínima para o que dizem Ratzinger ou o bispo de Guarulhos.


Mas bastaram as palavras “aborto” e “casamento gay” serem colocadas para todos os preconceitos de gênero, de classe e de cor virem a tona disfarçados de cristianismo.


O Brasil que se revelou nestas eleições é um país recalcado. A agressividade que lí nas mensagens mal escritas da internet e a intolerância de certos diálogos semi-privados (mas também semi-públicos) das redes sociais apontam para uma polarização digna de republicanos versus democratas. Vale lembrar que nos EUA esta polarização já acontece a tanto tempo que cidades inteiras (Austin onde eu vivo é uma delas) são território de um ou outro grupo. Quem pensa diferente que se mude.


Devíamos estar discutindo propostas. Agora que temos orçamento para melhorar as cidade, qual seriam as ações? Como usar os recursos do pré-sal para desenvolver mais energias renováveis? Todas as crianças estão na escola, como melhorar agora a qualidade e evitar a evasão na pré-adolescência? A partir de que ponto o bolsa-família deve dar lugar a incentivos para geração de renda sustentáveis? Quais as propostas reais para a violência urbana? Como exercer liderança na América Latina sem se tornar o “império do sul”? Como evitar que o Atlético passe sufoco todo ano? (ta bom, eu sei, nem tudo tem solução)


O fato é que o direito da mulher de planejar sua vida reprodutiva é fato consumado, os padres que se virem pra adaptar sua igreja aos novos tempos ou continuar tendo que responder `a pergunta da minha filha quando tinha 5 anos ao ver uma missa na televisão: porque só tem velhinhos ali?


O mesmo vale para o casamento gay. Se a família é mesmo tão importante (e eu defendo que sim), qual o argumento contra estender esta possibilidade pra todos? Afinal de contas, tanto o aborto quanto o casamento são direitos. Quem não gostar que não os exerça.


Em resumo, no meio de tantos avanços dos últimos 8 anos esta eleição representa claramente um retrocesso no discurso. Importar esta conevrsa da direita religiosa norte americana foi a pior herança que o triste José Serra podia ter deixado. Lula saiu maior de cada eleição que perdeu. José Serra sai desta muito menor do que entrou.


Oxalá Dilma ainda guarde mineiridade suficiente para manter os avanços sem botar lenha nesta fogueira moralista, movida a hipocrisia como gosta a igreja desde a inquisição.

Friday, October 15, 2010

blog action day

em apoio a esta ação global em favor das águas, que tal fazer o seguinte: quebrar 1 metro quadrado de cimento e permita que 1600 litros de água sejam devolvidos ao subsolo todo ano.



in support of this global initiative on water consider the following: remove 10 sq ft (1 sqm) of cement or asphalt and allow hundreds of gallons of water to be recharged

Monday, September 20, 2010

sustentabilidade é passado?

esta semana dou início a um desafio interessante, ser editor de sustentabilidade do portal Arqbacana. Cheguei a este assunto pela porta das enchentes e estou cada vez mais convencido da necessidade urgente de mudança de paradigma. Tanto que provoco que a sustentabilidade é coisa do passado. Leia mais aqui

Monday, September 13, 2010

passeio é pra pedestre

genial a iniciativa do Carlos Alberto Cândido de documentar todas as agressões e omissões tão frequentes no espaço público.

vale ver e contribuir aqui.

Sunday, August 22, 2010

is it still true?

acabei de chegar de volta a Austin e a rotina da universidade e encontro este interessante texto de um aluno interessado no design brasileiro com uma referência ao livro do Richard Williams e as minhas palavras citadas no final.

será que o Brasil ainda é caótico, exótico e erótico? Acho que cada vez menos


just got back in Austin and found this text by a MFA student (where?) referencing Richard Williams's book and my words. Is Brazil still chaotic, erotic and exotic? I think it is less and less each day.

Saturday, August 14, 2010

obrigado / thanks




aos amigos do Rio, Recife e João Pessoa o meu agradecimento pela recepção, pelas conversas e por todas as idéias que agora trago pra pensar. Volto pra Austin esta semana e enquanto textos maiores não aparecem aqui no parede convido a todos para ir acompanhando atualizações mais frequentes no facebook aqui.



até volta,
obrigado,

Fernando

Monday, June 14, 2010

aniversários bisextos



a cada quatro anos meu aniversário cai no meio da copa do mundo. Quem mandou nascer em dia de jogo, poucas horas depois de Tostão ter marcado dois gols contra o Peru em Guadalajara.

da copa seguinte, aos 4 anos de idade, não me lembro. Também ajuda que quase ninguém fala daquela seleção. Aos 8, o jogo se repetiu: Brasil e Peru se enfrentaram exatamente no mesmo dia, me lembro perfeitamente de escutar os gols Dirceu e Zico que gravei em K7. Aos 12 anos, de novo o Brasil joga no meu aniversário. E não só joga, estréia vencendo a União Soviética com golaço de Éder. Aos 16 não teve jogo no dia, mas a derrota pra França estragou a semana. Aos 20, no auge da rebeldia universitária torci pra Holanda porque não aceitava que o Brasil que elegera Collor de Mello no ano anterior merecesse ganhar alguma coisa. Aos 24 pulei como um louco quando Baggio chutou o pênalti pra fora, embalado por ter acabado de conhecer a Lê. Aos 28 demorei a acreditar naquilo: Ronaldo teve convulsão e a França ganhou? Como assim, que hora acaba esse pesadelo? Aos 32 parecia que íamos ganhar sempre, mas a chegada da Helena era mais importante. Aos 36 não teve graça, aquela cena do R.Carlos amarrando a chuteira resumiu o time.


agora são 40 e amanhã começa tudo de novo.... a maturidade me fazendo apreciar ainda mais o futebol.


sorry friends, this post does not make sense in any other language