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Monday, February 20, 2012

dois textos

dois textos que surgiram na web recentemente:

uma resenha do meu livro escrita por Luis Carranza

minha analise da casa Vila del Rey de Carlos Teixeira em espanhol

Wednesday, September 7, 2011

Monolito de Inhotim




Lançada esta semana a Monolito número 4 sobre Inhotim, com textos de minha autoria e ainda Fernando Serapião (editor) e Guilherme Wisnik. Boa companhia, arquitetura melhor ainda. Vai lá ler.

Launched this week Monolito # 4 about Inhotim, the best contemporary art collection in Latin America. Texts by me, Fernando Serapião (editor) e Guilherme Wisnik. Good company, even better architecture. Go read, its bilingual.


Sunday, July 31, 2011

hoje no estadão




Estado de São Paulo, hoje, 31 de julho de 2011

Friday, June 24, 2011

depois do São João

é hora de trabalhar e discutir arquitetura contemporânea,

segunda-feira dia 27 em João Pessoa, as 15hs, mesa redonda na UFPB,

terça dia 28 em Salvador, palestra as 16hs na UFBA

Monday, June 13, 2011

Arq Contemporânea: mesa na UFPB 27/6

Arquitetura Contemporânea: mesa redonda com Sonia Marques, Luis Amorim e Renato Anelli,

coordenação de Nelci Tinem,

João Pessoa, 27/6

Saturday, January 1, 2011

dois pernambucanos




este blog parabeniza hoje estes dois pernambucanos da foto acima.


o de vermelho que todos conhecem acabou de fazer os melhor governo das últimas décadas, tirando milhões da pobreza, fazendo o país crescer e assumindo um papel muito mais importante no cenário mundial.


o outro, de terno, é Angelo Arruda, ex-presidente da Federação Nacional dos Arquitetos. No último dia de mandado (o lobby do CREA era tão forte quanto o de Berlusconi) o presidente Lula assinou a lei 12.378 que cria o CAU - Conselho de Arquitetura e Urbanismo, uma demanda de 70 anos dos arquitetos.


Angelo sabe que a luta está apenas começando, que não basta ter uma entidade própria, é necessário ter um conselho muito melhor que o CREA. Mas o passo é significativo, a valorização da arquitetura e do urbanismo passa pela afirmação dos valores próprios, distintos dos valores da engenharia.


a sensação do dever cumprido de ambos os pernambucanos (guardadas as devidas proporções) serve agora de inspiração e suporte para novos desafios.


Feliz 2011

Monday, October 11, 2010

mala sem alça

este final de semana estive em Toronto para a LASA (Latin American Studies Association), uma mega conferência com 2000 pessoas. Nossa mesa sobre arquitetura foi um sucesso, com papers de Vanessa Grossman (Princeton), Daniela Sandler (California Santa Cruz), Martino Tattara (Berlage) e Gaia Picarollo (Politecnico di Milano) e comentarios de Luis Carranza (Roger Williams). Que time!!!!

mas na volta, um fato inusitado. A fila no aeroporto estava enorme, cheguei na porta do voo 5 min antes mas minha mala não chegou no avião e por isso não pude embarcar. Nunca ouvi falar disso, claro que fiquei super chateado. Que mala!!!


our session at LASA (Latin American Studies Association) was fantastic. Papers by Vanessa Grossman (Princeton), Daniela Sandler (California Santa Cruz), Martino Tattara (Berlage) e Gaia Picarollo (Politecnico di Milano) and comments by Luis Carranza (Roger Williams). What a team!!!

but on teh way back something weird happened. The long lines at Toronto airport made me arrive at the gate only 5 min before departure time. But my bag didn't arrive as fast and I could not board. Frustration, flying is becoming more and more a hassle....

Monday, September 6, 2010

brasilianização de brasilia

fechando a série de palestras sobre os 50 anos de Brasilia que organizei aqui na Universidade do Texas (com Fred Holanda, James Holston, Ana Tostões e agora em setembro Fares El Dahdah), aqui vai o meu texto discutindo os últimos 50 anos da capital e sua importância para a nação.



closing the lecture series about the 50 years of Brasilia that I organized here at UT Austin, ( with Fred Holanda, James Holston, Ana Tostões now in September Fares El Dahdah)here's a text I wrote about the last 50 years of the capital and why it is so important for the nation

Tuesday, August 31, 2010

vale o que está escrito

enquanto a vida não entra nos eixos (o semestre começando aqui em Austin deixa tudo meio atrapalhado) eu deixo vocês com o texto da Ana Paula sobre minha palestra na UFRJ no inicio de agosto.

os elogios são todos exageros dela, as incongruências são culpa minha.

Sunday, August 22, 2010

is it still true?

acabei de chegar de volta a Austin e a rotina da universidade e encontro este interessante texto de um aluno interessado no design brasileiro com uma referência ao livro do Richard Williams e as minhas palavras citadas no final.

será que o Brasil ainda é caótico, exótico e erótico? Acho que cada vez menos


just got back in Austin and found this text by a MFA student (where?) referencing Richard Williams's book and my words. Is Brazil still chaotic, erotic and exotic? I think it is less and less each day.

Monday, May 17, 2010

café com leite

revista preferida dos modernos, a Wallpaper sai agora em junho com um número dedicado ao Brasil, "um país extraordinário em um momento extraordinário". Enquanto não chega a revista impressa (pra mim sempre mais impressionante), o parede celebra hoje a edição digital, em especial a casa JE de Humberto Hermeto, o projeto mais paulista deste companheiro mineiro (ver intro) e a casa em Ubatuba de Angelo Bucci, o projeto mais mineiro deste fantático paulista.




the favorite magazine of the modern crowd, Wallpaper comes out in June with a special issue on Brazil, "an extraordinary country on an extraordinary moment". While I wait for the printed version (always more impressive to me) this blog celebrates the digital pages, specially the House JE by Humberto Hermeto, a most "paulist"a of all his designs, and Casa em Ubatuba by Angelo Bucci, a very "mineiro" design by this fantastic paulista.

Monday, April 26, 2010

semana sangue-bom

acabei de voltar de uma semana intensa na qual viajei tanto e com tanta pressa que fiquei me sentindo um artista em turnê. Quarta-Feira em NY na Columbia University, apresentação de jovens arquitetos brasileiros, com Bruno Campos da BCMF, Celio Diniz da DDG e Eduardo Ferroni dos Cooperantes. Fantástica a energia da novíssima geração brasileira e boa a iniciativa de Columbia (Frampton estava na primeira fila e adorou ver os projetos nas favelas que fazem parte do portfolio de todos). Depois na quinta-feira visita a high line, genial parque elevado no west side, e final review do Studio Sangue-Bom de Keith Maseman e Raul Smith. No juri do estúdio estavam ainda Pedro Rivera, Washington Fajardo e Fernanda Lemos. O Rio brilhando em NY. Dai madruguei na sexta-feira para voar a Chicago e coordenar uma mesa sobre arquitetura latino americana que teve Paulo Venâncio (UFRJ), Hugo Mongragon (Catolica de Chile), Inez Zalduendo (Harvard) e Luis Castaneda (NYU), além do co-chair Luis Carranza (RWU). Assim que voltar a respirar conto aqui no parede algumas das estórias.



just got back from a intense week in which I felt like a touring artist. Wednesday in NY to watch Young Practices with BCMF, DDG and Cooperantes. Great energy from the newest Brazilian generation and great initiative from Columbia’s GSAPP. Frampton was in the first row and loved the favela projects that were showed by the three groups. Thursday visit to high-line and review of Studio Sangue-Bom by Keith Kaseman and Raul Smith. With me in the juri were Pedro Rivera, Washington Fajardo and Fernanda Lemos, Rio’s best in NY. Friday very early morning flight to Chicago to chair a session at SAH with Paulo Venâncio (UFRJ), Hugo Mongragon (Catolica de Chile), Inez Zalduendo (Harvard) e Luis Castaneda (NYU), besides my co-chair Luis Carranza (RWU). As soon as I can breathe again I will write some of the stories here.

Monday, March 29, 2010

tem que morrer pra germinar

na semana passada tive a honra e o prazer de participar de uma mesa redonda com Gilberto Gil aqui na Universidade do Texas. Entre várias questões de âmbito político, cultural ou artístico, eu fiz minha perguntinha sobre patrimônio histórico (afinal de contas o IPHAN é parte do MinC).


eu: Gil, sou fã do governo Lula principalmente no que diz respeito à popularização, ênfase perceptível e louvável em várias instâncias incluindo seu ministério da cultura (2003-2008). Mas como arquiteto eu várias vezes esbarro no conservadorismo e no elitismo do IPHAN. Como fazer para que o IPHAN seja um pouco menos dominado pelo mito do Dr. Lucio e se aproxime um pouco da visão de Lina Bo Bardi por exemplo.


Gil abriu aqueles olhões e se empolgou (até então a mesa redonda vinha calminha). A conversa era em inglês e abaixo segue a transcrição literal.


_ é uma batalha, uma batalha épica. Se tem uma coisa que eu vejo que não fui capaz de fazer foi enfrentar de verdade os órgãos de patrimônio. Eles são ossificados, são uma casta, uma corporação. Quero dizer, são tão reacionários! Talvez se caísse uma bomba! Oh Deus, destrua para que a gente possa começar do zero. Eles são tão auto-centrados que é impossível. Nós tentamos estabelecer um diálogo mas acho que avançamos muito pouco.


Obrigado Gil, disse tudo!




last week I had the pleasure and the honor to participate in a round-table discussion with Gilberto Gil. Among all sorts of questions about cultural policies, government and his outstanding art, I had my small question. It was about preservation policy because as Brazilian Minister of Culture (2003-2008) the IPHAN (national office of conservation) was under his leadership.


me: Gil, I a big fan of the popularization goals of the Lula government and I think you did it quite successfully at the Ministry of Culture. But as an architect I often find the IPHAN to be extremely conservative. How could we turn the IPHAN closer to Lina Bo Bardi (her emphasis on the vernacular) and less the elitism of Lucio Costa.


Gil fired up, his response, literally transcribed:


Gil: A battle… an epic battle…. If there is one thing that I can see that I was not able to really face, is the heritage institutions in Brazil. Which are so ossified. They are “casta”. They are a corporation. I mean, they are so reactionary! Maybe if a bomb falls there! Oh God, destroy them so we can have an empty ground in order to rebuild things. They are so self-centered… It’s impossible. We tried open dialogues but we succeeded very very little….


Thank you Gil, you said it all.

Monday, March 15, 2010

aguas de março /waters of march

o verão brasileiro vai acabando mas as chuvas ainda se fazem presentes. Semana passada dois videos chamaram muito a minha atenção. O primeiro enviado pelo Pedro Marteletto mostra o baixo gávea inundado exatamente ao mesmo tempo em que eu falava em New Orleans que temos um Katrina todos os anos na América Latina. O segundo enviado pelo Low Cançado mostra um absurdo desperdício de água. Imagens que valem mais do que mil palavras.







the Brazilian summer is fading but the rain insists. Last week two videos called my attention. The first was sent by Pedro Marteletto and shows a fancy part of Rio flooded exactly at the same time that I was speaking in New Orleans about the fact that we have destruction equivalent to one Katrina every year in Latin America. The second was sent by Low Cançado and show an absurd waste of water. Images worth a thousand words.

Monday, March 8, 2010

a história se repete como farsa / history repeating as a farce



acabei de chegar de New Orleans onde fui falar que na America Latina temos o equivalente a um Katrina todo ano, e foi bom ver a cidade vibrante, bem melhor que a 3 anos atrás.


entender os limites da arquitetura perante a natureza é fundamental para percebemos o que podemos e o que não podemos fazer através do desenho. Mas pior que errar por prometer demais ou prometer de menos é errar por insistir num conceito ultrapassado e enterrar milhões numa obra errada em todos os sentidos.


pois foi isso que fez o popular governador das Minas Gerais. Errou feio e deixa um trambolho como legado da sua administração. Começando pela decisão de criar um campus administrativo a 15 km do centro, idéia que já foi testada antes na Bahia e no Paraná com resultados pífios. No momento em que centenas de edifícios no centro de BH tem ocupação de 20% (loja e sobre-loja valorizados, o resto vazio), o governo do estado estimula o esvaziamento ao transferir dezenas de milhares de funcionários dalí. Apesar de ser a favor da transformação da Praça da Liberdade em equipamentos culturais (não acredito que prédios com segurança controlando a entrada possam ser mais públicos que um museu ou uma sala de concertos), a decisão de mudar a administração estadual para longe do centro é um erro que vai causar muito dano a BH (deslocamento, esvaziamento, isolamento) e vai demorar muito para ser amenizado.


outro erro grosseiro foi chamar Oscar Niemeyer para o projeto. Prezados colegas oficiosos, ninguém avisou o governador que a idéia era furada? Qualquer arquiteto decente sabe que o genial velhinho não tem equipe há décadas. Mas no centro administrativo de MG ele bateu todos os recordes: fachadas envidraçadas para nascente e poente, volumes primários, pé-direito de 2,40m em algumas partes. Dois anos atrás eu tive a chance de ver os desenhos que a construtora recebeu de Niemeyer e fiquei chocado com o nível primário das plantas e a absoluta ausência de detalhes. Tenho pena de quem vai trabalhar lá.


em resumo, na ânsia de se fazer o JK do século 21, Aécio Neves conseguiu fazer a história se repetir como farsa.



I Just got back from New Orleans where I spoke about the tragedy of having the equivalent of one Katrina every year in Latin America. It was good to see the city vibrant again, very different from the last time I was there 3 years ago.


to understand the limits of architecture is fundamental for us, to know what we can and what we cannot achieve from drawings. But much worse than promising too much or too little is to insist on a antique idea and bury millions on a project that is wrong in every count.


unfortunately that’s what the governor of my beloved Minas Gerais just did. His decision of creating an administrative campus 10 miles from downtown, something already deemed as a failure, was bad at the root and bad all the way. In times in which hundreds of downtown buildings are only 20% occupied (storefronts only mostly), the state government makes it worse by transferring 12.000 employees to this campus: that means more congestion, more abandonment, more isolation.


the second big mistake was to invite Oscar Niemeyer. I wonder why nobody in the governor’s circle told him what we all know: that the genial centennial has no team in the last 2 decades. And in this project he might have done the worse job of his long and productive life. Glass facades facing east and west??!!! Ceiling heights of 8ft in many rooms??!!! Two years ago I had the chance to see the drawings he delivered and I was chocked with how poorly detailed and undeveloped the plans were. I have pity on those who will work there.


in summary, anxious to become the Kubitcheck of the 21st century, Aécio Neves made history repeated as a farce.

Monday, February 8, 2010

preservação histérica / histeric preservation



a semana foi intensa aqui na UTSOA, com as palestras de James Holston na segunda e Jorge Otero Pailos na quarta. Entre tantas questões interessantes abordadas destaco o tema da preservação que de certa forma foi o tema central de ambas.


Holston falou bastante sobre Oscar Niemeyer, fazendo uma leitura antropológica que celebra o Copam e destrói o Memorial da América Latina, crítica justa na minha opinião. Eu mesmo já escrevi várias vezes aqui no Parede que Niemeyer vem destruindo sua própria obra desde os anos 80 com uma sucessão de projetos horríveis cujo ponto de partida foi o triste Memorial do Quercia. Mas foi ao falar do tombamento de Brasília que Holston se destacou. A idéia de congelar uma cidade inteira (ou a parte nobre dela) trai o espírito original de Brasília, Segundo Holston, de um experimento urbano radical e projetado para o futuro. O Iphan, criado pelo mesmo Lucio Costa, teve como missão original preservar a qualquer custo um patrimônio colonial que estava caindo aos pedaços. O erro foi não deixar esta teoria de preservação evoluir. Tombou-se o conceito de preservação histérica.


e é aqui que entra o mais criativo e provocador estudioso contemporâneo da preservação: o espanhol Jorge Otero Pailos, professor em Columbia, NY e vice presidente do DOCOMOMO US. Jorge já começa criticando o “desejo de invisibilidade” dos preservacionistas, sugerindo que cada edifício merece uma intervenção criativa que se torna parte da evolução natural das estruturas. Sua provocante “ética da poeira” lembra que nem as pedras estão paradas no tempo, constantemente absorvendo e expelindo matéria.


na minha opinião este é o mais importante debate a respeito da nossa herança moderna. Ouro Preto já está perdida para um conceito arcaico de preservação pastiche. A mesma Ouro Preto onde Lucio Costa “colonizou” dezenas de edifícios neo-classicos. Resta lutar por uma preservação mais inteligente dos edifícios modernos, a verdadeira jóia da coroa do ambiente construído brasileiro.



the week was intense here at UTSOA with lectures by James Holston on Monday and Jorge Otero Pailos on Wednesday. Among many interesting questions raised I would highlight the issue of preservation that was to some extent the focus of both.


Holston talked a lot about Oscar Niemeyer, threading an anthropological critique that celebrates Copam and ridicules the Memorial of Latin America. Fair game in my opinion for I already wrote many times here that Niemeyer is destroying his own legacy since the 1980s with a succession of awful projects that started with the Memorial. But it was talking about the preservation of Brasilia that Holston hit the bull’s eye. The idea to freeze an entire city (or the best part of it) betrays the original spirit of Brasilia: a radical and audacious urban experiment launched towards the future according to Holston. The Iphan (Brazilian Institute of Conservation), created by the very same Lucio Costa back in 1937, had as original mission to preserve at any cost a colonial heritage that was falling to pieces. The mistake was to not allow this theory of preservation to evolve during the 20th century. The idea of histerical preservation preserved itself.


and it is here that the most creative and provoking contemporary scholar of preservation enters the scene: the Spaniard Jorge Otero Pailos, professor at Columbia, NY and vice president of DOCOMOMO US. Jorge starts by criticizing the “desire for invisibility” of most preservationists, arguing that each building deserves a creative intervention that will becomes part of the structure’s natural evolution. Its provocative “ethics of dust” reminds us that nor even stones are frozen in the time, constantly absorbing and expelling matter.


in my opinion this is the most important debate regarding our modern heritage. Ouro Preto (Brazilian 18th century larger city) is already lost to archaic pastiche preservation. The same Ouro Preto where Lucio Coast “colonized” dozens of neo-classic buildings. If there's any hope left it implies fighting for a more intelligent preservation of the Modern Movement buildings, the true jewel in the crown of the Brazilian built environment.

Monday, February 1, 2010

que es américa latina? / what is latin america?

este é o primeiro post do que pretende ser uma série mensal sobre arquitetura Latinoamericana, parte dos trabalhos do grupo LAMA aqui na Escola de Arquitetura da Universidade do Texas em Austin. E já começo questionando a própria idéia de América Latina.


o termo tem uma origem complicada e nenhuma precisão. Define o quê essa tal América Latina? Uma identidade linguística em torno das línguas latinas? Se assim fosse deveríamos incluir Quebec e excluir a Jamaica, por exemplo? Ou se trata de uma questão de herança cultural ibérica, o que incluiria a Florida, o Texas e a Califórnia, três dos quatro estados mais populosos dos EUA. Usado pela primeira vez por escritores da hispano-américa em meados do sec. XIX, o termo América Latina foi popularizado pela intelectualidade francesa no final do mesmo XIX, como que para afirmar a supremacia do pensamento francês vis-a-vis o expansionismo norte-americano.


mais recentemente, Walter Mignolo e Enrique Dussel seguiram o caminho aberto por Edmundo O’Gorman e questionaram a fundo esta “construção” de uma América Latina que as vezes ocorre de dentro para fora (MERCOSUL por exemplo) e as vezes se faz de fora para dentro (pensando aqui nos departamentos de estudos latinoamericanos espalhados pelas universidades da Europa e dos EUA).


acontece que apesar de artificial, o fato é que estas identidades se impõem e o Brasil é inclusive um exemplo interessante. Apesar de séculos de aproximações e/ou afastamentos, acredito que os Brasileiros hoje se identificam muito mais com seus vizinhos dentro do guarda-chuva da latinoamericanidade que com seus primos portugueses. É como se a potencialidade de uma identidade futura fosse mais forte que a pesada realidade do passado.


de qualquer forma, cabe concluir que para efeito do grupo LAMA interessa muito mais esta definição fluida e aberta de identidade como visão de futuro, onde cabem arquiteturas brasileiras, argentinas, peruanas, jamaicanas, quebecois, tejanas, ibéricas.... em resumo, uma identidade plural, latina & americana.





this is the first post of what I hope will be a monthly series on Latin American architecture, part of our LAMA group here at UT Austin School of Architecture. That said I will start by questioning the very idea of Latin America. What does it mean? What does it represent?


the term has a complicated origin and carries no precision. What defines Latin America? A linguistic identity? If thus we would have to include Quebec and exclude Jamaica, for instance. Or if it is a question of Iberian cultural inheritance, should we include Florida, Texas and California, three of the four more populated states of the US? Used for the first time by writers of Hispanic-America in the 1850s, the term Latin America was popularized by the French intellectuals in the end of the same 19th century as way to affirm the supremacy of French thought in face of North American expansionism.


more recently, Walter Mignolo and Enrique Dussel have followed the steps of Edmundo O'Gorman and questioned the “construction” of a Latin America that sometimes times happens from inside out (MERCOSUL for example) and other times is imposed from the outside (thinking here of the departments of Latin American studies so common in European and North American universities).


despite being an artificial construction those identities take hold and Brazil can be an interesting example. Discarding centuries of connections and disconnections, I believe that Brazilians today identify themselves much more with their neighbors under the umbrella of latinamericanidade then with its Portuguese cousins. It is as if the potentiality of a future identity is stronger than the weighed reality of the past.


in any case, I would like to conclude that regarding the LAMA group it is more fruitful to adopt the fluid and open definition of identity as a future vision, where we can fit architectures from Brazils, Argentinas, Perus, Jamaicas, Quebecs, Tejas, Iberias…. in summary, a plural, Latin & American identity.


ps: hoje é a abertura da Brasilia Lecture Series com James Holston

Tuesday, January 5, 2010

para Yumi e Isabella



chocados estamos todos com a tragédia da ilha grande que levou vocês embora. E mais ainda por estarmos tão próximos: adoramos o paraíso da ilha grande, convivemos em grupos parecidos, escolhemos a mesma profissão. Por isso a morte de vocês e dos outros na pousada nos toca mais fundo. É terrível enfrentar a idéia da nossa própria morte porque sabemos que podíamos estar alí ou num voo qualquer da TAM, da GOL ou da Air France. Assusta pensar que vida é tão frágil.


no meu caso, apenas dois graus de distância nos separavam, o que significa que eu conheço várias pessoas que conheceram vocês. Andamos pelos mesmos corredores da EA-UFMG e conversamos com as mesmas pessoas, separados por alguns anos apenas (eu fui aluno entre 1988-1993, professor em 1995 e de novo entre 2002-2004). Dividimos também esse encantamento com a arquitetura. Essa mesma arquitetura que devia nos proteger da chuva, do calor e do frio mas que foi insuficiente diante do volume de água e terra que desceu em cima da pousada na noite do reveillon.


e talvez seja isso que mais nos assuste diante da morte de vocês: perceber que apesar de toda essa tecnologia que nos cerca ainda somos insuficientes e quase insignificantes diante de uma natureza implacável como mostra a foto acima.


mas nesse momento de dor para os que ficaram eu ressalto o “quase” da frase anterior. Não somos totalmente insignificantes, apenas bastante. Tenho certeza que outras tantas mortes podem ser evitadas como no morro da carioca no continente, ou no vale do Itajaí, ou em Cunha, Petrópolis, Salvador, Rio, SP, BH. Tragédias anunciadas que matam todo ano, na América Latina mais de 1000 pessoas desabrigando mais de 100.000. Numa triste comparação temos destruição equivalente a um Katrina. Todo ano.


por isso conclamo a todos os alunos de arquitetura do Brasil a homenagearem vocês duas buscando uma relação mais inteligente entre o espaço que construímos e a chuva que cai todo ano, nos mesmos lugares, da mesma forma. Não somos assim tão insignificantes. Para cada metro quadrado revertido de cimento para um jardim rebaixado retiramos cerca de 1500 litros de água da inundação das áreas baixas que vemos toda semana na mídia.


não sei o que poderia ter sido feito para evitar o deslizamento na ilha grande dada a fragilidade do terreno e a atração paradisíaca do lugar. Mas na periferia das grandes cidades onde milhões vivem ao mesmo tempo tão perto e tão longe do paraíso, podemos sim evitar a dor de outras familias armados apenas com a insignificância da arquitetura.

Monday, December 7, 2009

Curitiba fica longe de Coritiba?



a selvageria ontem em Curitiba fica ainda mais horrorosa quando se pensa na cidade “verde”, civilizada e planejada de Lerner, tão celebrada no Paraná e no exterior. Como na música de Caetano, alguma coisa está fora da ordem. Hoje apareceram nos jornais e nos blogs vários relatos de que a relação entre a elite paranaense e a população não vai muito bem (aqui). Curitiba revelou ontem uma fúria inesperada, as imagens tem algo de primitivo combinado com um discurso fascista.


enquanto isso o Rio de Janeiro explodia numa alegria tripla (quádrupla se contarmos a volta do Vasco). Parabéns ao Rio de todas as cores, torço para que os cariocas aproveitem esse momento único de alegria para retomar pouco a pouco sua cidade.


e torço também para que os críticos da autocracia e do autoritarismo curitibano sejam ouvidos. Os hooligans do Coritiba podem ter prestado, de forma criminosa, um favor a cidade.

Monday, November 9, 2009

arquitetura mineira na Coréia do Sul


Fernando Maculan e Rafael Yanni, Beco São Vicente, aglomerado da Serra

esta semana em Daejeon na Coréia do Sul a novíssima arquitetura mineira está em exposição. Com curadoria minha e de Carlos Teixeira, a mostra inclui:

Arquitetos Associados - Carlos Alberto Maciel, Bruno Santa Cecília, André Prado, Alexandre Brasil e Paula Zasnicoff.
Horizontes - Marcelo Palhares, Gabriel Velloso e Luiz Felipe Farias
Carlos Teixeira
BCMF - Bruno Campos, Silvio Todeschi e Marcelo Fontes
Adriano Matos Correa
Paulo Waisberg e Clarissa Neves
Studio Toró - Fernando Lara
Humberto Hermeto
Fernando Maculan


this week we are exhibiting the newest architecture of Minas Gerais in Daejeon, South Korea. The show was curated by myself and Carlos Teixeira and includes the architects listed above.

Carlos Teixeira e grupo Armatrux, Invento para Leonardo, foto C. Teixeira.



Horizontes Arquitetura + Fernando Lara, Espaços residuais públicos na Pedreira Prado Lopes.