
uma honra enorme estar aqui nesta sexta-feira abrindo o congresso da ACFA (Asociacion Colombiana de Facultades de Arquitectura) com Beatriz Colomina e Felipe Hernandez

lá se vão 10 anos. Em 2000 eu fiz um workshop com os alunos da PUC-Minas procurando maneiras alternativas de se pensar e desenhar o espaço público. A idéia era termos workshops de “aquecimento” todo ano, em agosto em Minas e em janeiro em Michigan, aproveitando que as ferias de uns coincidiam com o início do semestre do outro.
viramos o milênio e nenhum professor da PUC se interessou em vir a Michigan mas cinco bravos alunos enfrentaram a neve para participar do segundo workshop em Detroit. Luciana Thomaz, Pedro Doyle, Gabriel Veloso, Marcelo Palhares e Luiz Felipe de Farias enfrentaram temperaturas de 10 graus negativos (e também se divertiram na neve) para redesenhar a praça central da Lawrence Tech University, diante de um edifício novo projetado por Charles Gwathmey, o menos famoso dos New York Five.
até ai nada de mais, se não fosse o fato de que Marcelo, Gabriel e Luiz Felipe abriram um escritório: Horizontes, assim que se formaram. Hoje Horizontes é líder em arquitetura pública em Minas Gerais, com vários prêmios e projetos no currículo. Eu, que nas minhas andanças tive a chance de passar várias vezes pelo caminho deles, tenho o maior orgulho de fazer parte desta história.
que venham a próxima década!
esta semana inicio uma maratona de palestras e aproveito para convidar a todos os leitores do parede
dia 4, quarta-feira, 14hs, na PUC-Minas (programa de pós graduação em tratamento da informação especial
dia 6, sexta feira, 11hs, no PROARQ UFRJ (edifício da reitoria sala 445)
dia 9, segunda feira no final da manhã na UFPE – Recife
e no dia 10, terça-feira, na UFPB – João Pessoa, horário ainda a definir
até breve.

dizem que os melhores perfumes vêm nos menores frascos mas esta máxima andava meio esquecida em tempos de consumismo superlativo.
até que o incansável Abílio Guerra me vem com uma coleção genial de livrinhos. Pequenos por fora, enormes por dentro! Já devorei o livro do Ângelo Bucci a quem tenho a honra de ter por aqui a cada 2 semanas, e estou agora avançando nos textos fundamentais da história da arquitetura brasileira. Em dois pequenos frascos Abílio juntou 28 textos que antes estavam dispersos e nem sempre acessíveis, publicados em anais de congressos ou revistas de circulação reduzida.
ao Abílio meus agradecimentos e parabéns pela iniciativa,
aos leitores minha sugestão: corram a ler os pequenos grandes livros da série RG Bolso. Vale checar tambem o novo Vitruvius.
they say the best perfume come in small containers but such has not been the case in times of exaggerated consumerism. Then comes Abilio Guerra publishing a fantastic series of pocket books: small on the outside enormous on the inside. I have already read Angelo Bucci’s one and am now advancing towards the fundamental texts of Brazilian Modern Architecture. In two small volumes Abilio brought together 28 texts that were before scattered into conference proceedings or journals of restricted circulation.
to Abilio my thanks and congrats,
to the readers my suggestion: go get and read the small big books of RG Bolso series.
na semana passada a escola de direito aqui do Texas promoveu um seminário interessantíssimo sobre “walls”. Vale perceber que em inglês o termo serve para parede, muro, cerca, além de ser usado metaforicamente para significar tudo que nos divide e separa.
pois entre tantas apresentações fascinantes que discutiam desde as favelas até a política de imigração da união européia, passando claro pelas fronteiras EUA-México e Israel-Palestina, uma pergunta maior se desenhou:
parece que concordamos que as paredes em torno de uma família são extremamente necessárias, mas que qualquer parede em torno de um grupo maior é problemática. Em algum ponto na modernidade entendemos que a célula familiar tem direito absoluto a privacidade mas qualquer outra associação não. Se assim for, como lidar com grupos em que a noção de família implica um grupo maior que pais e filhos, ou com associações que se vêem como famílias estendidas.
em resumo, como saber quando as paredes estão protegendo ou quando estão excluindo?
last week the Law School here in Texas promoted a very interesting seminar on “walls”, meaning everything that divides us. Among many fascinating presentations that run from the favelas to the EU immigration policy, from US-Mexico to Israel-Palestine, one major question emerged:
we tend to agree that walls around a family are needed but any wall around a larger group is problematic. Somewhere on modernity’s course we understood that a family cell has absolute rights to privacy but other associations do not. If that’s the case, how should we deal with groups in which the idea of family goes beyond parents and children, or associations that see themselves as a extended family?
in summary, how can we know when a wall is protecting and when it is excluding?
depois de escrever 3 posts sobre a invisibilidade das mulheres arquitetas eu organizei uma exposição de arquitetura mineira na coréia e lá constavam apenas 2 moças entre 14 rapazes.
o problema é sério. O trabalho das mulheres tende a ser invisível e é preciso esforço para mudar esse quadro. No meu caso, deliberadamente tentei encontrar obras projetadas por mulheres em Minas e discutí várias vezes, comigo mesmo e com colegas, se cromossomos XX ou XY era critério válido para a seleção.
acho que dá pra concordar que da mesma forma que é absurdo excluir por causa do gênero também não se justifica escolher alguém pelo mesmo motivo apenas. Mas como nas boas políticas de inclusão, é importante estar atento para a questão, no nosso caso buscar dar visibilidade a mulheres arquitetas e seus trabalhos excepcionais.
então aqui vai minha contribuição nesse sentido. Não ví nada da grande mídia brasileira (o que comprova minha tese da invisibilidade) mas nas últimas semanas a Profa. Raquel Rolnik, da FAUUSP, esteve viajando pelos EUA como observadora da ONU, com a missão de entender o problema habitacional deste que é o país mais rico do planeta. As conclusões (bem como a hostilidade de parte da imprensa Americana) são estarrecedoras.
vale seguir aqui, aqui e aqui o fantastico trabalho da Profa. Rolnik que merece toda visibilidade possível.
in the same week when hooligans in a second-rate university in São Paulo brought to the forefront the old issue of women’s right to do whatever they want with their bodies my blog colleague Juliana M blasted me, and for a reason.
after writing 3 posts on the invisibility of women architects I organized an exhibition of Brazilian architecture in Korea with only 2 young women and 14 men consisted. The issue is serious to me and if the work of women tend to be invisible we need to make an extra effort to change this picture. In this case I deliberately tried to find exemplary designs by women architects of Minas Gerais and discussed with others if chromosomes XX or XY were valid criterion for the selection. I think we can agree that in the same way that is nonsense to exclude somebody because of gender it is also not the best idea to choose someone for gender reasons only.
but as in the best affirmative action polocies it is important to be aware of the issue, in our case to make visibility the fantastic work of many women architects.
so here is my contribution in this direction: the big Brazilian media did not report but in the last 3 weeks Prof. Raquel Rolnik from the University of São Paulo School of Architecture was travelling around the U.S.A. as observer to the UN, to report on the striking housing troubles of the richest society in our planet.
the conclusions (as well as the hostility of part of the American press) are scary.
one can check here, here and here the fantastic work of the Prof. Rolnik that deserves as much visibility as possible.
foi uma maratona, mais de 24 horas em aviões para 60 em terra, mas valeu a pena. O IV seminário Projetar organizado pela Ruth Verde Zein na Mackenzie foi um tremendo sucesso. Criado em Natal, RN, em 2003 sob a liderança de Sonia Marques o Projetar chega a sua 4a. edição consolidando-se como forum de discussão do ensino e da prática do projeto de arquitetura e urbanismo no Brasil. Se a pesquisa e a pós-graduação em AU comecaram pelas beiradas, ou seja, pela sociologia, pela história e pela tecnologia, o Projetar e sua meia irmã ANPARQ marcam a definição de um eixo central da disciplina. Afinal de contas, o que define a arquitetura é sua capacidade propositiva, projetiva.
por isso fiquei tão feliz com o convite da Ruth e adorei ter estado em São Paulo (com tantos amigos queridos) nesses três intensos dias.
mas não posso deixar de anotar aqui que enquanto eu voava de volta pro Texas uma parte significativa do que de melhor o Brasil criou nos anos 60 e 70 queimava no Rio de Janeiro. O acervo de Hélio Oiticica, abrigado na casa da família, virou fumaça. Ainda estou digerindo a dimensão da perda e revendo as várias disputas em torno da obra do artista, mas dá pra começar a entender que uma mistura de ganância de descaso já fazia desta uma tragédia anunciada.
it was a marathon, more than 24 hours in airplanes for 60 on land, but it was worth it. The IV Projetar congress organized by Ruth Verde Zein at Mackenzie University was a tremendous success. Created in Natal, RN, in 2003, under the leadership of Sonia Marques, the Projetar Congress reaches its 4th edition consolidated as a forum for discussing design in Brazil.
if the research in architecture started from the periphery, that is: sociology, history and technology, the Projetar Congress and its half sister ANPARQ mark the definition of a central axis for the discipline. Besides, what defines architecture is its propositive capacity: the act of designing.
that’s why I was so happy with Ruth’s invitation and loved the chance to be in São Paulo (with many dear friends) during three intense days.
but I cannot avoid noting that while I was flying back to Texas a significant part of the best Brazilian art of the 1960s and 70s was burning in Rio De Janeiro. The archives of Helio Oiticica, stored in his family house, turned to smoke. I am still digesting the dimension of the loss and reading about the disputes around the control of his estate but it seems that a mix of indifference and greed made this one an announced (and surely avoidable) tragedy.
assim muito rapidamente, Descartes fundou a ciência moderna com seu método de questionar tudo que pudesse ser minimamente questionável. No final da corda estava a premissa inquestionável de que “eu existo”, o famoso cogito ergo sum.
acontece que a influência do pensamento deste homem dominou a ciência por séculos mas aos poucos vai sendo superada, principalmente no que tange à separação entre corpo e mente que hoje sabemos estarem intrinsicamente ligados.
fica aqui o meu pensamento cartesiano da semana: uma idéia pode existir na sua mente como abstração mas ela nao se concretiza no mundo real até que seja de alguma forma rabiscada. Uma separação mente/matéria que se mostra ainda verdadeira no ato de projetar.
e o fato de Descartes ter criado também a geometria analítca, pedra fundamental do processo de projeto desenvolvido pela academia francesa e usado por nós até hoje, me permite pensar os arquitetos (e todos os profissionais que tratam do desenho de objetos no espaço) como os últimos cartesianos.
e como amanhã voo para o Projetar em São Paulo estarei o resto da semana rodeado de alguns dos meus mais queridos amigos cartesianos
the book that I am reading this week with great enthusiasm is Descartes Bones in which the author tracks the separation between religion and science following the path of the bones and the ideas of Rene Descartes after his death in 1650.
superficially speaking, Descartes established modern science with his method of questioning absolutely everything. In the end of the rope it was the unquestioned premise that “I exist”, the classic cogito ergo sum.
the influence of his thoughts dominated science for centuries but is slowly vanishing. Especially in terms of the separation between body and mind that we know today to be intrinsically interdependent.
so my cartesian thought of the week is: an idea can exist in your mind as an abstraction but it does not materialize itself in the real world until it is sketched in some form. A separation mind/matter that still holds true in design.
the fact of Descartes also invented the analytical geometry, basic foundation of the design process developed by the French academy that we still use allows me to think of architects (and for that matter any design professional) as the last cartesians.
since tomorrow I will be flying to the Projetar conference in São Paulo I will spend the rest of the week with some of my dearest cartesian friends.


estive lendo Edward Said esta semana para o meu seminário de Arquitetura Latino-americana.
para quem não conhece Said é o autor do clássico Orientalismo onde ele discute o fato de que a Europa inventou a sí mesma usando a idéia de oriente como alteridade. No meio disso tudo está um projeto de desmontar as engrenagens da relação conhecimento-poder, usando Foucault como ferramenta para desafiar esses processos de autoridade.
no caso da arquitetura um texto como Orientalismo nos faz pensar nos processos correntes de alteridade e autoridade. Os exemplos mais próximos são o regionalismo crítico de Frampton ou a complexidade e contradição de Venturi, ambos textos absurdamente influentes onde uma série de escolhas (e exclusões) ajudou a definir a arquitetura dos últimos 30, 40 anos.
a literatura questionando Venturi e Frampton é extensa e devo voltar a ela em algum momento futuro. O que me interessa perguntar hoje é quais os processos de alteridade e autoridade que estão funcionando HOJE? Que identidades estão sendo formadas, em cima de que conceitos, servindo a que propósitos?
I have been reading Edward Said’s Orientalism this week for my seminar on Latin American architecture. For those who don’t know Orientalism is a classic where said discusses how Europe invented itself using the idea of the “orient” as alterity. In the middle of all that is the Foulcautian project of dismantling the knowledge-power cranks.
in the case of architecture a text like Orientalism makes us think in the current processes of authority and alterity. The closer examples are Frampton’s critical regionalism of Venturi’s complexity and contradiction, both tremendously influential texts whose choices (and exclusions) defined the architecture of the last 30, 40 years.
the literature questioning Venturi and Frampton is extensive and I might go back to it in the near future but what I want to ask today is which processes of alterity and authority are operating nowadays? Which identities are being constructed, based on which concepts and serving which goals?
andei escrevendo aqui no parede sobre desigualdade de gênero, sobre a importância de discutir isso com as alunas de arquitetura, que são não apenas maioria numérica como também invariavelmente melhores ultimamente.
como pai de duas meninas me preocupa muito observar que a sociedade (eu, você, nós todos) incentivamos os meninos a serem sempre vocais e visíveis e subliminarmente incentivamos as meninas a não serem tão vocais nem tão visíveis.
mas a julgar pela caixa de comentários desse blog que registrou 27 colocações masculinas contra 2 femininas nos últimos dois posts, há de se concluir que:
ou o assunto é absolutamente desinteressante para as leitoras do sexo feminino,
ou a conformidade é tanta que desestimula até comentários num blog menor.
de qualquer forma continuo inquieto
I have been writing here about gender inequality and the importance of discussing this with female students of architecture whom are not only the numerical majority but invariably the best in class lately.
as a father of two girls it worries me that society (me, you, we all) stimulates the boys to be always vocal and visible and subconsciously tells the girls to be not so vocal and not so visible.
but judging from the commentaries in this blog which registered 27 masculine entries and only 2 feminine ones in last the two weeks, I might conclude that:
the subject is absolutely uninteresting for the female readers
or the level of conformity is such that it discourages them from even commenting in a minor blog.
either way I am still uneasy