Monday, April 26, 2010

semana sangue-bom

acabei de voltar de uma semana intensa na qual viajei tanto e com tanta pressa que fiquei me sentindo um artista em turnê. Quarta-Feira em NY na Columbia University, apresentação de jovens arquitetos brasileiros, com Bruno Campos da BCMF, Celio Diniz da DDG e Eduardo Ferroni dos Cooperantes. Fantástica a energia da novíssima geração brasileira e boa a iniciativa de Columbia (Frampton estava na primeira fila e adorou ver os projetos nas favelas que fazem parte do portfolio de todos). Depois na quinta-feira visita a high line, genial parque elevado no west side, e final review do Studio Sangue-Bom de Keith Maseman e Raul Smith. No juri do estúdio estavam ainda Pedro Rivera, Washington Fajardo e Fernanda Lemos. O Rio brilhando em NY. Dai madruguei na sexta-feira para voar a Chicago e coordenar uma mesa sobre arquitetura latino americana que teve Paulo Venâncio (UFRJ), Hugo Mongragon (Catolica de Chile), Inez Zalduendo (Harvard) e Luis Castaneda (NYU), além do co-chair Luis Carranza (RWU). Assim que voltar a respirar conto aqui no parede algumas das estórias.



just got back from a intense week in which I felt like a touring artist. Wednesday in NY to watch Young Practices with BCMF, DDG and Cooperantes. Great energy from the newest Brazilian generation and great initiative from Columbia’s GSAPP. Frampton was in the first row and loved the favela projects that were showed by the three groups. Thursday visit to high-line and review of Studio Sangue-Bom by Keith Kaseman and Raul Smith. With me in the juri were Pedro Rivera, Washington Fajardo and Fernanda Lemos, Rio’s best in NY. Friday very early morning flight to Chicago to chair a session at SAH with Paulo Venâncio (UFRJ), Hugo Mongragon (Catolica de Chile), Inez Zalduendo (Harvard) e Luis Castaneda (NYU), besides my co-chair Luis Carranza (RWU). As soon as I can breathe again I will write some of the stories here.

Monday, April 19, 2010

recall of bad architecture

essa é a idéia interessante de Jay Walljasper que pode ser lida aqui. Se um carro com defeito tem de ser consertado pela fábrica por colocar o passageiro em risco, porque erros de urbanismo ou arquitetura não podem ter o mesmo destino? Paredes cegas rente as ruas, elevados que causam enormes danos às comunidades ou mesmo a carta de atenas devem ser “recalled”. Começou como uma brincadeira de primeiro de abril mas torço para virar coisa séria, tá na hora da arquitetura e do urbanismo calcularem em seus custos os riscos para a saúde e o bem-estar alheios.



this is the great idea explained here by Jay Walljasper. If a car with a bad accelerator pedal needs to be brought back and fixed for potential risk, why not do the same with urbanism or architectural defects? Blind walls, wrong transportation schemes, even the Athens' Charter itself need to be recalled. It all started as a joke for April’s Fools day but why couldn’t it be serious? It is about time that architecture and urbanism factor in its costs the potential damage to everybody else in the city.

Wednesday, April 14, 2010

katrina todo ano / katrina every year

quase 100 mortes em São Paulo, mais de 200 no Rio. Enchentes urbanas estão se tornando cada vez mais frequentes devido a crescente impermeabilização combinada com chuvas mais fortes, resultado do aquecimento global.

no curto prazo existem várias soluções, todas parciais: mais piscinões, melhor avaliação de risco, limpeza de córregos etc....
mas a realidade é que o poder público só controla 25% da área das cidades, e é impossível cuidar de todo o volume de chuva em apenas um quarto da área.

a solução definitiva passa por uma forma mais avançada de lidar com a água. Aumentando drasticamente a permeabilidade (mesmo em altas densidades) ao mesmo tempo usar a água como parte do cenário. Projetar com as chuvas e não contra elas.

não tenho a menor ilusão de que isso será feito na nossa geração. Mas começar é preciso. Então para os leitores desse blog fica o desafio: pensem na chuva, desenhem com a chuva, falem da chuva. Alunos de arquitetura em Belo Horizonte, João Pessoa, Belem e até em Quito tem levado essas idéias na forma de um workshop para escolas do ensino fundamental.

veja aqui (em inglês) a conversa completa e deêm uma olhada no Studio Toró se quiserem colaborar.





300 people dead in São Paulo and Rio. Urban flooding being more frequent due to increasing permeability and stronger storms fueled by global warming. Short term solutions are many: more water retention basins, better assessment of mudslide risks, cleaning waterways. But given that the public sector only controls 25% of the city surface (75% being private), the responsibility lies with everybody. I have no illusions that this can be solved in our generation but we have to start somewhere. Studio Toró is a design-based NGO that deals precisely with it. Students going to elementary schools to talk about rain. If you are interested in contributing take a look at this recent talk or visit the website

Monday, April 5, 2010

lati2des, latitudes



dois dias de intensas conversas arquitetônicas advindas de todas as latitudes das Américas

two days of intense architectural conversations from all American latitudes


Tatiana Bilbao, Mexico City, Mexico
Javier Corvalan Espinola, Laboratorio de Arquitectura, Asuncion, Paraguay
Sebastian Irarrazaval, Sebastian Irarrazaval Arquitecto, Santiago, Chile
Vince James, Vincent James Associates Architects, Minneapolis, Minnesota
Jose Maria Saez Vaquero, Quito, Ecuador
Giancarlo Mazzanti Sierra, Giancarlo Mazzanti Arquitectos, Bogota, Colombia
Maryann Thompson, Maryann Thompson Architects, Cambridge, Massachusetts


plus Angelo Bucci, Carlos Jimenes and all UTSOA faculty in attendance



eu gastaria meses para cobrir tudo que foi debatido no restrito espaço deste blog, então deixo vocês com o melhor da festa: Saez Vaquero não apenas mostrou suas obras fantásticas, deu uma aula magistral sobre a gravidade e sua resposta arquitetônica: a estrutura. Meus aplausos hoje vão para ele em Quito.


I would need many months to cover everything we talked about in this restricted blog space, but let me introduce you to what I think was the very best: SaezVaquero not only showed his amazing works, he delivered a lecture about gravity and its architectural response: structure. Hats off to him today, go check it out.

Monday, March 29, 2010

tem que morrer pra germinar

na semana passada tive a honra e o prazer de participar de uma mesa redonda com Gilberto Gil aqui na Universidade do Texas. Entre várias questões de âmbito político, cultural ou artístico, eu fiz minha perguntinha sobre patrimônio histórico (afinal de contas o IPHAN é parte do MinC).


eu: Gil, sou fã do governo Lula principalmente no que diz respeito à popularização, ênfase perceptível e louvável em várias instâncias incluindo seu ministério da cultura (2003-2008). Mas como arquiteto eu várias vezes esbarro no conservadorismo e no elitismo do IPHAN. Como fazer para que o IPHAN seja um pouco menos dominado pelo mito do Dr. Lucio e se aproxime um pouco da visão de Lina Bo Bardi por exemplo.


Gil abriu aqueles olhões e se empolgou (até então a mesa redonda vinha calminha). A conversa era em inglês e abaixo segue a transcrição literal.


_ é uma batalha, uma batalha épica. Se tem uma coisa que eu vejo que não fui capaz de fazer foi enfrentar de verdade os órgãos de patrimônio. Eles são ossificados, são uma casta, uma corporação. Quero dizer, são tão reacionários! Talvez se caísse uma bomba! Oh Deus, destrua para que a gente possa começar do zero. Eles são tão auto-centrados que é impossível. Nós tentamos estabelecer um diálogo mas acho que avançamos muito pouco.


Obrigado Gil, disse tudo!




last week I had the pleasure and the honor to participate in a round-table discussion with Gilberto Gil. Among all sorts of questions about cultural policies, government and his outstanding art, I had my small question. It was about preservation policy because as Brazilian Minister of Culture (2003-2008) the IPHAN (national office of conservation) was under his leadership.


me: Gil, I a big fan of the popularization goals of the Lula government and I think you did it quite successfully at the Ministry of Culture. But as an architect I often find the IPHAN to be extremely conservative. How could we turn the IPHAN closer to Lina Bo Bardi (her emphasis on the vernacular) and less the elitism of Lucio Costa.


Gil fired up, his response, literally transcribed:


Gil: A battle… an epic battle…. If there is one thing that I can see that I was not able to really face, is the heritage institutions in Brazil. Which are so ossified. They are “casta”. They are a corporation. I mean, they are so reactionary! Maybe if a bomb falls there! Oh God, destroy them so we can have an empty ground in order to rebuild things. They are so self-centered… It’s impossible. We tried open dialogues but we succeeded very very little….


Thank you Gil, you said it all.

Monday, March 22, 2010

diálogo de surdos / deaf dialogue

hoje é dia mundial da água mas meu post curtinho é sobre um problema ainda mais urgente: o extremismo.

ontem a noite enquanto aguardava o voto histórico dos deputados norte-americanos pela reforma do sistema de saúde, fiquei impressionado com a absoluta ausência de sentido do debate que se desenrolava. Deputados da oposição conservadora e da situação menos-conservadora-um-pouquinho alternavam falas de 1 ou 2 minutos cada. Um falava das 40.000 pessoas que morrem todos os anos nos EUA por simples falta de seguro de saúde. Vinha outro e berrava contra o socialismo. Um falava que é absurdo ter gravidez como condição pré-existente para negar pagamento. O próximo bradava a favor da “liberdade” de não ter plano nenhum. Cientes de que seu momento no microfone será editado e tirado do contexto para ser usado na próxima campanha, cada deputado fala só para a sua base. Um diálogo (ou dois monólogos) totalmente esquisofrênico.

a direita, como bem escreveu Paul Krugman hoje, insistindo no discurso do medo para não mudar nada. E o pior é que isso cola. Aqui mesmo, neste blog insignificante, tive de colocar moderação nos comentários porque pela segunda vez alguém que não concorda com as minhas idéias apela para o ataque pessoal.

triste o momento em que o debate de idéias não se sustenta, nem aqui nem no congresso da mais antiga democracia do mundo.




today is the world water day by my post is about an even more urgent problem: extremism.

yesterday night as I waited to watch the historical health care vote, I was deeply disturbed by the “debates”. A democrat would say that 40,000 people die each year for lack of health insurance. A republican would claim socialism! Another democrat would say that pregnancy could never be a pre-existing condition. A republican would defend the freedom to have no plan at all. Knowing that their moment in the microphone would be edited to be re-played in the Fall campaign, each group was speaking to its own base.

the result was a schizophrenic dialogue. Or two monologues ?

the conservatives, as Paul Krugman wrote today, have no contribution besides fear. And it works, unfortunately. Here in this very insignificant blog I installed comment moderation because for the second time someone who does not agree with my ideas decides to attack me personally.

sad is the moment in which a true exchange of ideas cannot be sustained, nor here, nor in the oldest of the democracies.

Monday, March 15, 2010

aguas de março /waters of march

o verão brasileiro vai acabando mas as chuvas ainda se fazem presentes. Semana passada dois videos chamaram muito a minha atenção. O primeiro enviado pelo Pedro Marteletto mostra o baixo gávea inundado exatamente ao mesmo tempo em que eu falava em New Orleans que temos um Katrina todos os anos na América Latina. O segundo enviado pelo Low Cançado mostra um absurdo desperdício de água. Imagens que valem mais do que mil palavras.







the Brazilian summer is fading but the rain insists. Last week two videos called my attention. The first was sent by Pedro Marteletto and shows a fancy part of Rio flooded exactly at the same time that I was speaking in New Orleans about the fact that we have destruction equivalent to one Katrina every year in Latin America. The second was sent by Low Cançado and show an absurd waste of water. Images worth a thousand words.