como ninguem vive só de virtualidade, neste domingo 18 de maio tem encontro de arquitetos blogueiros em São Paulo.
bar balcão, rua doutor melo alves 150, a partir das 19 horas
nos vemos lá
Friday, May 16, 2008
Tuesday, May 13, 2008
triste tradição
durou até muito, quase 1000 dias, a nossa ilusão de que ganhar um concurso de arquitetura significa a possibilidade de ver a obra construída. Como em tantos outros inúmeros casos, o concurso nacional para a sede da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG) foi anulado depois de 3 anos de trabalhos, dezenas de reuniões com os órgãos de patrimônio, modificações, mais reuniões, orçamentos, projetos complementares, liminares na justiça, mais reuniões, mais modificações para no final todo este trabalho ser jogado no lixo e um novo projeto ser contratado com o arquiteto Gustavo Penna.
não cabe aqui discutir os méritos do Sr. Penna para este ou qualquer outro projeto, nem os meios pelos quais um projeto objeto de concurso público acaba na prancheta de outro arquiteto, quem quer que seja.
interessa sim lutar pelo fim desta triste tradição em que concursos públicos de arquitetura são rasgados sem o menor constrangimento. E os órgãos de classe, no caso o IAB-MG que promoveu o concurso, até agora manteve-se silencioso mesmo depois de interpelado por alguns de seus membros menos acomodados.
pra nós da equipe vencedora do concurso resta perguntar ao sr. governador-candidato-a-presidente: se era para contratar o projeto com um de seus favoritos, pra que dar essa volta toda e gastar 1000 dias de trabalho de tanta gente, dentro e fora do seu governo?
e ao já consagrado arquiteto Gustavo Penna vale perguntar por que se prestar a um papel horroroso desses? Será esse o único caminho para uma carreira de sucesso?
triste tradição, a arquitetura merece mais respeito
ps: domingo tem encontro de blogueiros arquitetos em São Paulo, mais informações em breve.
Thursday, May 8, 2008
brazil studio lá vamos nós
embarcamos hoje para BH onde a partir do dia 18 estarei conduzindo o segundo Brazil Studio, desta vez com 12 alunos de pós graduação daqui de Michigan, numa parceria com a PUC-Minas e com a Prefeitura de Belo Horizonte.
o studio passa ainda por São Paulo nos dias 18-19 de maio e por Salvador nos dias 17-19 de junho, além da obrigatória Ouro Preto.
mais notícias aqui ou neste mesmo blog assim que arrumar uma conexão banda larga em BH.
o studio passa ainda por São Paulo nos dias 18-19 de maio e por Salvador nos dias 17-19 de junho, além da obrigatória Ouro Preto.
mais notícias aqui ou neste mesmo blog assim que arrumar uma conexão banda larga em BH.
Tuesday, May 6, 2008
o fim e o começo
vale a pena ler esta curta mas densa entrevista de Fredy Massad em noticias arquitectura da qual extraí apenas este trecho que na minha opinião vai direto ao ponto:
"la generación de herederos de Koolhaas -que nosotros denominamos 'generación Rem 2.0'- como Alejandro Zaera, MRVDV o UN Studio, y la generación inmediatamente posterior y que adopta esos conceptos y postura koolhaasianas abocan a un momento terminal, por su total ausencia de compromiso ético, su irresponsable banalidad teórica y su tendencia estética feísta. Las alternativas de Koolhaas, como la figura del arquitecto estrella e ideólogo-gurú, marcan más el agotamiento de una era más que el auténtico comienzo de otra"
Sunday, May 4, 2008
faca de dois gumes
na semana passada a agência de classificação de risco Standard & Poor elevou o grau de investmento do Brasil e como conseqüência o Real se valorizou perante todas as moedas (perante o dólar já não é notícia) e bilhões de dólares ou euros devem migrar para o mercado brasileiro nos próximos meses.
mas quem são e o que fazem essas poderosas agências de classificação de risco que agem literalmente como a famosa mão invisível do mercado?
ou mais importante, o quão confiável são tais classificações?
junto com a Moddy e a Fitch, a Standard & Poor compõe as três principais agências especializadas em avaliar o risco de quase tudo. No mercado imobiliário dos EUA elas reinam absolutas e desenvolveram uma tabela com 8 tipologias diferentes: residencial unifamiliar, multifamiliar, comercial, escritórios e shopping centers são 5 dessas categorias, e não se consegue um bom financimento se seu projeto não se encaixar nos parâmetros deles.
ou seja, se você projetar uma casa ou um shopping center que não se encaixe no modelinho, pode se preparar para pagar juros de 10% ao ano ao invés dos costumares 5 ou 6 % da maioria absoluta dos financiamentos.
mas mesmo com todo esse controle elas erraram feio na análise dos chamados financiamentos sub-prime cuja implosão já causou perdas de 250 bilhões de dólares aos bancos e investidores que vão desde gigantes como o tal Bear Sterns à aposentadoria privada de quase todo mundo.
e porque erraram? porque os bancos que faziam os empréstimos no varejo para clientes cuja renda dificilmente seria suficiente para pagar as prestações não ficavam mais de uns poucos dias com a dívida. Juntavam alguns milhares de hipotecas em um pacote e as revendiam para outros bancos, sem antes contratar uma das agências de risco para “avaliar” o pacote. Com todo mundo ganhando gordas comissões a cada transação e ninguém fiscalizando vocês já imaginam o que aconteceu.
milhares de pacotes de hipotecas classificados como AAA (ou praticamente de risco zero) são agora moeda podre. O valor da casa caiu, as taxas de juros subiram, o morador ficou com uma dívida maior que o valor da casa e se mandou, perdendo tudo que investiu inclusive o próprio teto. E quem comprou esses papéis que deveriam ser seguríssimos ficou com uma casa abandonada nas mãos que vale pouco mais da metade do valor da dívida.
agora essas mesmas agências de risco avaliam o potencial de investimento de um país inteiro.
pra mim é uma faca de dois gumes. Da mesma forma que no mercado imobiliário risco baixo significa conformidade com uma certa tabela de tipologias, no mercado financeiro internacional risco baixo significa adesão a um certo número de parâmetros, e pode ter certeza que investimento em educação e pesquisa não conta, mas redução de benefícios previdenciários conta e muito.
a famosa mão invisível do mercado as vezes se suja tanto que fica bem visível, e a imagem não é nem um pouco agradável.
Wednesday, April 30, 2008
em rota de colisão

uma conquista da qual a esquerda brasileira pode se orgulhar foi ter colocado a questão da saúde no cerne das preocupações nacionais. Nosso sistema público não é lá uma brastemp e a fome ainda ronda algumas areas do país mas nenhum candidato, por mais direitista que seja, pode hoje propor acabar com os programas públicos de saúde ou de segurança alimentar, sob o risco de, claro, não se eleger nem pra síndico de um condomínio fechado.
parece pouco mas não é.
na última semana o New York Times publicou duas reportagens mostrando que a espectativa de vida caiu, repito CAIU significativamente em grande parte dos EUA entre 1983 e 2000, principalmente entre as mulheres. isso que seria um escândalo no Brasil não mereceu muita atenção da mídia popular que continua focada na crítica rasgada (aqui chamada de anti-americana) do pastor da igreja do Obama, entre outras questões de igual importância.
mas voltando a queda da expectativa de vida, esse dado só reforça a minha percepção de que os dois maiores países das américas estão ficando cada dia mais parecidos enquanto o Brasil melhora aos poucos e os EUA ao contrário vão piorando devagarinho.
Sunday, April 27, 2008
luxúria imobiliária
House Lust é o nome do livro de Daniel Mcginn cuja tradução seria algo como “luxúria imobiliária. Mcginn é jornalista da Newsweek e no livro ele tenta explicar as razões psicológicas por trás da bolha imobiliária de 2002-2005 nos EUA. Percorrendo lançamentos imobiliários de 600 m2 cujo preço inicial é de 1 milhão (podendo ir a 5 milhões em algumas áres de New York ou San Francisco).
escrito em 2007, o livro já indicava que esta bolha imobiliária estava para estourar e que muita gente ia acabar devendo mais do que o valor da casa assim que as taxas de juros subissem e o mercado esfriasse.
mas o interessante do livro de Mcginn é quando ele começa a tentar entender porque alguem que vive bem em uma casa de 300 m2 fica obscecado em se mudar para uma casa de 450 m2 e 1 milhão a mais.
por exemplo, em um dos capítulos Mcginn discute a idéia de que muita gente busca se dispõe a pagar muito mais por uma casa nova, como se imóvel fosse um carro e o “cheiro de novo” fosse um valor de uso. Acontece que carros tem uma vida útil de 10 anos, talvez 15, enquanto casas tem uma vida perfeitamente útil de no mínimo 60 anos, talvez 100, muitas vezes 200.
e o argumento usado para explicar esta obcessão a casa nova é de que as pessoas não gostam da idéia de que alguem já usou aquele banheiro ou deixou marcas de gordura na parede da sala de jantar.
mas como na comparação com os carros, os especialistas sabem que o semi-novo, aquele carro de 1 ou 2 anos com menos de 20 mil kilômetros é de longe o melhor custo-benefício, assim como aquela casa ou apartamento de menos de 10 anos, cujo valor já caiu um pouco ao mesmo tempo em que a infra estrutura não deve dar problema nas próximas décadas.
e quanto a supervalorização do novo, pra mim isso é uma mal disfarçada fixação com a idéia de pureza ou virgindade. Pureza que aliás é um conceito inventado artificialmente para reforçar a exclusão daquilo que não é considerado “puro”.
portanto cuidemos bem das nossas casas velhas (principalmente as modernas senhoras de 1950), que como escreveu o Quintana, é onde reside a melhor arquitetura.
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