dando sequência à série “cadê a arquitetura norte-americana?”, resolvi falar primeiro do novo edifício de Frank Gehry na rua 18 com 11ª avenida, bem na margem do rio Hudson.
trata-se de um edifício de 8 andares apenas, o que em Manhattan não é muito (se bem que Renzo Piano construíu uma jóia de 3 andares, assunto de um post no futuro breve). Apesar de não ser muito alto, o edifício se faz perceber de longe pela horizontalidade predominante nos piers e pela brancura que brilha de longe.
e o melhor do prédio parece estar aí, visto de longe suas curvas brancas e brilhantes de destacam do escuro padrão de tijolo dos galpões e apartamentos em volta. E as curvas, marca registrada de Gehry, são lindas de longe, ajudando a fazer do edifício uma novidade, uma relativa surpresa.
mas de perto o prédio não se relaciona bem com a rua, surgindo bruscamente do passeio já com seus vidros branqueados. As curvas que de longe pareciam tão diferente, de perto ficam meio que repetitivas. Na verdade, depois da primeira impressão, o edifício não é muito inspirador. Num exercício de “what if”, fiquei imaginando que se não fosse pelas curvas (e os vidros curvos são mesmo deslumbrantes) o prédio ficaria igualzinho àqueles predinhos de vidro recortado dos anos 70, com a fachada zigue-zaguando monótonamente de um lado pro outro.
o certo é que Gehry me parece mesmo dar ênfase exagerada à manipulação formal, em detrimento de outras questões compositivas como relação com a rua, coroamento, detalhes de caixilharia (tantas vezes se vê a massa plástica resolvendo as quinas). Seu processo de projeto incial, com bloquinhos de madeira ou papelão, fica evidente em um edifício como este de NY. O que faz falta é o Gehry dos anos 70 com suas inversões tectônicas, usando materiais menos nobres e expondo as entranhas do processo construtivo. Parece que Frank Gehry perdeu a garra, ficou tudo muito fácil com o software CATIA customizado para suas cascas curvas (casca mesmo, superfície externa de revestimento) e os orçamentos já de antemão esperando as firulas volumétricas.
um pouquinho mais de desafio não ia fazer mal a Frank Gehry não, quem sabe depois do MIT vem coisa nova por aí?



