Thursday, September 13, 2007

até onde podemos mudar o mundo?

esta semana uma discussão acalorada neste blog (ver a dezena de comentários no post anterior) me fez pensar na questão da responsabilidade individual em busca de um mundo melhor.


coincidentemente, Bill Clinton lançou tamb
ém esta semana um livro sobre este mesmo tema:Giving- how each of us can change the world.


no caso de Clinton (eu ainda não li o livro, só escutei a entrevista dele no radio e suas reverberações na blogosfera) a mensagem é claramente no sentido de inspirar a todos a iniciarem um processo de transformação do mundo ainda que apenas plantando uma flor na sua janela. Reflete muito do momento nos EUA e também em outras partes do mundo em que paira um certo descrédito, uma certa desesperança que pode facilmente escorregar para o cinismo. Algo como: eu não votei no Bush então não sou responsável então não há muito o que eu possa fazer até a próxima eleição.


o argumento de Clinton é que há sim muito a ser feito independente do Bush, do Lula ou do Chavez, e começa por cada um de nós.


de certa forma o argumento é um pouco ingênuo. Um George (Soros ou Bush) sozinho pode fazer um planeta inteiro retroceder ou avançar décadas com o deslocamento de seus soldados ou de seus investimentos. Por outro lado, todo mundo que trabalha em ONGs ou organizações em fins lucrativos percebe o imenso poder das redes de informação e sua capacidade de mobilização.


enquanto isso, aqui embaixo na vida cotidiana, a flor do meu vizinho me ajuda a pensar num mundo melhor e me incentiva a fazer algo amanha.

Thursday, September 6, 2007

ann arbor ainda me surpreende

como todos os meus cinco leitores já sabem, desde 1996 eu vivo entre Belo Horizonte e Ann Arbor, Michigan. Nesse tempo todo eu percebo com tristeza que Ann Arbor vai ficando mais careta a cada ano. Não tem mais naked mile (corrida de alunos pelados), não tem mais hashbash (festival de cannabis no campus) e proliferam os SUVs por todo lado, ainda que convivendo lado a lado com as plaquinhas de impeach bush e no war for oil em 70% dos jardins.

mas ao voltar pra essa outra casa esta semana, encontrei entre as centenas de correspondências junk-mail uma cartinha da prefeitura que me deixou feliz, entusiasmado mesmo.

a partir deste mês a companhia municipal de saneamento vai passar a cobrar a taxa de água pluvial (storm water) com base na metragem quadrada impermeabilizada do seu terreno. Terreno permeável paga menos, casa grande e quintal cimentado pagam mais. E se você instalar coletores de água de chuva ganha um desconto. Se construir um pequeno canteiro de infiltração (um morrinho invertido para captar água de chuva) ganha um desconto maior ainda.

agora falta espalhar a idéia pra todos os candidatos a prefeito no ano que vem no Brasil.

mais inform
ões aqui

Tuesday, August 28, 2007

flores no asfalto




amanhã começa minha despedida desta temporada brasileira em 2007.
o último evento é uma palestra para os alunos do João Diniz na FUMEC em BH.


antes disso dei um curso na UFRN em Natal, uma palestra na UNICAP em Recife e a aula inaugural da UNA em BH.


mas o maior sucesso destes dois meses foram os workshops sobre a questão das águas urbanas em escolas e creches, e a campanha da embalagem de pão (ver post abaixo) que chegará nas padarias em poucas semanas.


sobre os workshops, o desenho acima, feito por uma criança com deficiência auditiva da Escola Estadual Francisco Sales ilustra bem o que significa o processo de educação ambiental urbana: é como se estivéssemos semeando flores no asfalto.


apesar das dificuldades, a colheita já se avista no horizonte. De volta a Michigan vou batalhar para conseguir recursos e ampliar as ações no ano que vem. O objetivo é treinar um grupo de arquitetos para que possamos multiplicar as ações junto as escolas, que, se tudo der certo, passarão a ter apoio financeiro.


o primeiro destes workshops ocorrerá ainda este ano no Equador. Depois Guatemala e ano que vem de volta ao Brasil com forca total.


a energia das crianças nos ajuda a continuar semeando flores no asfalto.

Wednesday, August 22, 2007

breve numa padaria perto de você



como anunciei a algumas semanas atrás, a designer Rita Miranda da Casa Sol montou uma embalagem de pão com o tema da conservação de água e permeabilidade do solo que é o foco do nosso Studio Toró. Segue abaixo o texto integral uma vez que é difícil ler na foto acima.


dentre os vários tipos de problemas ambientais que enfrentamos na atualidade , a questão da água chama a atenção pelo que ela tem de vital e alarmante.

elemento fundamental de toda a cadeia biológica da vida, as reservas de água sofrem com todo tipo de poluição mas o que mais assusta os cientistas é a possibilidade de não termos água potável para todos os habitantes do planeta no futuro devido à mudanças climáticas associadas a exaustão das reservas naturais.

as grandes cidades brasileiras já estão há muito tempo sofrendo da falta e do excesso de chuvas. Quando chove pouco os reservatórios não conseguem atender à demanda que se divide entre agricultura, industria e consumo residencial. Quando chove muito, a cidade sofre com enchentes que causam perdas materiais e, mais importante, de vidas humanas.

tratar bem da água é uma tarefa de todos nós e o resultado será uma cidade mais sustentável e mais agradável para todos.

você sabia que:

na maior parte do sudeste do Brasil as chuvas giram em torno de 1500mm e estão concentradas nos meses de verão (novembro a março). Isso faz com que o excesso de chuva do verão cause problemas assim como a falta de chuvas no inverno.

o volume de chuva que cai em um lote normal (360m2) é o dobro do consumo médio de uma família de 5 pessoas. Em tese, o recolhimento de água apenas no telhado seria suficiente para todo o uso não-humano (regar plantas, lavar carro, dar descarga), reduzindo sua conta de água em até 65%.

se este mesmo lote estiver totalmente cimentado ou pavimentado, todo esse volume (cerca de meio milhão de litros de água por ano) vai muito rapidamente para os rios e córregos correndo pela tubulação ou por cima das ruas asfaltadas.

a infiltração de água no solo é essencial para reduzir o problema das enchentes. alem disto, a infiltração de água no solo aumenta a evaporação, absorvendo parte do calor que deixa as cidades mais quentes que as áreas rurais. Arbustos e arvores também precisam que a água se infiltre no solo e contribuem com sua sombra para uma temperatura mais amena.

um jardim de apenas 6 x 6 metros é suficiente para absorver e devolver ao solo a chuva que cai sobre uma casa inteira, em 90% dos casos (menos de 10mm em 2 horas)

o uso de pavimentos permeáveis (que permitem a passagem de água) em ruas de pouco movimento e praças publicas pode também contribuir enormemente para devolver a saúde ao subsolo, amenizar as temperaturas e reduzir as enchentes urbanas.

já existem e estão disponíveis a preços competitivos diversos sistemas de captação de água e pavimentação permeável.

faça a sua parte, cuide bem da água.

para mais informações: www.studiotoro.org

gota a gota vamos construindo uma cidade mais saudável para todos.

Saturday, August 18, 2007

obituário modernista



de passagem por Recife, ganhei de presente de Luiz Amorim o recém lançado: Obituário Arquitetônico – Pernambuco Modernista.

uma pérola !!!

no livrinho, pequeno no formato mas enorme no conteúdo, o autor nos apresenta o resultado de anos documentando a morte de belíssimos edifícios modernos em Pernambuco. No texto, saboroso como sempre foi a escrita de Amorim, as mortes são explicadas e comentadas, divididas em mortes prematuras (esqueletos estruturais abandonados, mortes por vaidade (reformas descaracterizantes), mortes por parasitas e mortes por abandono.

ah, as fotos acima, são da usina higienizadora do leite, de Luis Nunes, 1934

Monday, August 13, 2007

a vingança da natureza

toda vez que visito a região de Salvador me assombro com a força da natureza. É como se a arquitetura não tivesse a menor chance numa luta, vamos dizer assim, mão a mão com a natureza e só sobrevivesse porque nós insistimos em podar, pavimentar, pintar e rejuntar, tornando desigual a luta entre as espécies vegetais e o ambiente construído.

pensei nisso também em Natal na semana passada quando os efeitos do sol, do vento e da salinidade saltavam aos meus olhos a cada instante.

será que não podemos construir de uma maneira mais evoluída de forma que:

1. usando melhor da pesquisa que já existe e do que ainda precisa ser feito diminuíssemos os gastos com manutenção usando materiais adequados de forma correta e

2. desenvolvêssemos uma forma de não apenas conviver mas também explorar a força exuberante da nossa natureza tropical, sem cair no rústico-fútil tão usado em pousadas e restaurantes que além de feio é também totalmente insustentável pelo exagero ao usar toras (20 cm de diâmetro) para fazer o que um caibro (4x7cm) dá conta.

Wednesday, August 1, 2007

rumo a natal

antes de viajar a Natal para meu curso na UFRN na semana que vem (ver noticia em Vitruvius), deixo aqui uma dica de blog pra quem quer conhecer melhor a arquitetura de BH. Marcelo Santiago, do escritorio Horizontes, parceiro de longa data, esta colocando online centenas de edificios que vale a pena conhecer em BH, organizados por autor, bairro, data, programa e etc...

vale a pena conferir aqui